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Economia

56% dos brasileiros não conseguem aproveitar a vida pelo jeito que administram seu dinheiro, revela indicador da CNDL/SPC Brasil

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Indicador de bem-estar financeiro tem tímido avanço em 12 meses; 34% dos brasileiros acham que são controlados pela vida financeira e apenas 11% da população jovem está comprometida em garantir futuro confortável. SPC Brasil lança aplicativo em que consumidor pode testar o próprio bem-estar.

Garantir um futuro financeiro confortável sem abrir mão de aproveitar o tempo presente é uma das principais dificuldades do consumidor brasileiro na hora de administrar as finanças. A conclusão é do Indicador de Bem-estar Financeiro mensurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com o levantamento, que foi realizado em todas as capitais, 56% dos brasileiros reconhecem que não conseguem aproveitar a vida da maneira ideal em razão da forma com que administram seu dinheiro.

Os dados que mensuram o bem-estar do consumidor até apresentam uma pequena evolução nos últimos 12 meses – ao passar de 47,5 pontos em julho de 2017 para 48,4 pontos em julho deste ano – mas ainda assim permanecem em baixo patamar. Isso porque, quanto mais próximo de 100, maior o nível médio de bem-estar financeiro da população; quanto mais distante de 100, menor o nível de conforto. Por bem-estar financeiro, entende-se o estado em que o indivíduo tem capacidade de honrar as suas obrigações financeiras, sente-se seguro com relação ao futuro financeiro e pode fazer escolhas que lhe permitam aproveitar a vida.

A abertura dos dados por gênero mostra que, entre os homens, o nível médio de bem-estar financeiro é maior do que entre as mulheres. No primeiro caso, alcançou 49,3 pontos em julho, enquanto no segundo, foi de 47,5 pontos. Já a abertura dos dados por faixa etária mostra os consumidores mais velhos (51,2 pontos) à frente dos mais jovens (46,9 pontos). Já nas classes A e B, o indicador alcançou 52,5 pontos, enquanto nas classes C, D e E atingiu 47,2 pontos.

Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o leve crescimento no índice de bem-estar do brasileiro no último ano comprova que a melhora do ambiente econômico não alterou de forma considerável a condição financeira das famílias, que seguem lidando com dificuldades. Além disso ela explica algumas diferenças entre os estratos sociais.

As pessoas com renda mais elevada, de fato, apresentam um nível médio de bem-estar financeiro maior do que as pessoas com menos renda. Isso ocorre porque à medida que se avança nas faixas de renda, os gastos essenciais diminuem como proporção dos ganhos, permitindo um melhor proveito do presente e até um preparo mais adequado para o futuro. Mas isso não significa que a renda, por si só, garante um nível de bem-estar maior. Há aspectos comportamentais que também fazem diferença”, afirma a economista.

Apenas 12% dos brasileiros estão preparados para lidar com gastos imprevistos e 28% garantem apenas ‘sobreviver’ com a renda que possuem

De acordo com o levantamento, o que mais compromete o bem-estar dos brasileiros é a falta de preparo para lidar com gastos imprevistos. Apenas 12% dos consumidores teriam condições de cobrir uma despesa inesperada de valor expressivo, seja se utilizando recursos da própria renda ou de uma reserva financeira. A maioria (65%) não teria saídas práticas para enfrentar essa situação, segundo apurou o indicador.

Para alguns consumidores, a situação de aperto é tão evidente que em cada dez entrevistados, três (28%) reconhecem que apenas ‘sobrevivem’ com o dinheiro que ganham mensalmente, ao passo que 38% conseguem desfrutar de forma satisfatória da renda que possuem. Exemplo do baixo nível de preparo dos consumidores para manobrar o orçamento, é que 23% dos entrevistados admitiram que, dar um presente de casamento ou de aniversário a alguém, seria o suficiente para prejudicar as próprias finanças.

Esse comportamento acontece porque em boa parte das vezes ter dinheiro sobrando fim do mês é uma das tarefas mais difíceis de serem cumpridas pelo brasileiro. Em cada dez entrevistados, seis (62%) disseram que nunca ou raramente veem o dinheiro sobrar no encerramento do mês. Os que sempre conseguem ter sobras formam 9% da amostra, ao passo que 28% somente as vezes conseguem ter dinheiro sobrando.

Pagar as contas e ainda ter um dinheiro para outras finalidades é uma forma de garantia contra imprevistos e viver sem grandes sustos, além de servir de meio para a realização de planos de consumo, que são naturais das pessoas, independentemente da sua renda. Para ver o salário sobrar no fim do mês, antes de tudo é preciso controlar os gastos e cortar despesas desnecessárias”, afirma o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli.

34% dos brasileiros têm a sensação de que são controlados pela vida financeira e somente 11% da população jovem se prepara para futuro

Um sentimento compartilhado entre muitos consumidores é o de impotência diante das finanças. Mais de um terço (34%) dos entrevistados relataram a sensação de que suas vidas são controladas pela sua situação financeira e não o contrário. Outros 38% admitiram que as vezes se enquadram nessa situação, ao passo que 29% não se veem dessa forma. “Um dos grandes desafios da educação financeira é fazer as pessoas usarem o dinheiro como um aliado na conquista de sonhos e realizações pessoais e não como fonte de preocupação e dor de cabeça. Mas para isso, é preciso planejamento, metas traçadas e muita disciplina“, garante a economista Marcela Kawauti.

Outra constatação do levantamento é que quando o assunto é futuro, também há muito o que melhorar na vida dos brasileiros. Apenas 16% afirmam estar comprometidos em assegurar um futuro financeirogarantido para si, percentual que cai para 11% entre os mais jovens. O percentual dos brasileiros que não estão assegurando o seu futuro foi de 56%. “Esse é um assunto que, com as discussões sobe a reforma previdenciária, ganha ainda mais importância e deveria chamar a atenção, inclusive, dos mais jovens, pois quanto mais cedo começa o preparo para o futuro, mais se consegue diluir o esforço mensal de recursos a serem guardados”, orienta Vignoli.

Aplicativo SPC Consumidor calcula bem-estar da população

Para ajudar os consumidores a melhorarem hábitos financeiros, o SPC Brasil lançou o aplicativo SPC Consumidor, plataforma gratuita em que os consumidores podem fazer um teste para calcular o seu próprio bem-estar financeiro e comparar com a média nacional. Também é possível receber dicas de acordo com o seu perfil identificado. O app está disponível para usuários Android e IOS.

*Informações à Imprensa

Vinícius Bruno
(11) 3251 2035 | (11) 9 7142 0742
vinicius.bruno@spcbrasil.org.br

Andrea Giardino
(11) 3254 8810 | (11) 9 7215 6303
andrea.giardino@spcbrasil.org.br

Amanda Wall
(61) 3213-2017 | (61) 9 8475-1686
amanda.wall@inpressoficina.com.br

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Economia

‘Não existe prorrogação’, afirma Guedes sobre auxílio emergencial

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou descartou a possibilidade de uma nova prorrogação do auxílio emergencial. Segundo ele, o benefício deverá ser extinto no final do ano, com o recuo dos casos de covid-19. 

Agência Brasil

“Os fatos são que a doença cedeu bastante e a economia voltou com muita força. Do ponto de vista do governo, não existe prorrogação de auxílio emergencial”, afirmou disse em evento virtual organizado pela Empiricus. 

O ministro ainda garantiu que vai atuar com “evidências empíricas” e que há muita pressão política pela prorrogação do auxílio emergencial. “Estamos preparados para reagir, mas não adianta criar fatos que não existem. Se tiver segunda onda [da pandemia], já sabemos como reagir, o que funcionou e o que não funcionou, sabemos o nome dos beneficiários que realmente precisam”, completou. 

O pagamento do auxílio no valor de R$ 600 foi iniciado em março e assim permaneceu até setembro. Uma nova prorrogação até dezembro reduziu o valor a R$ 300. 

Guedes admitiu, mais cedo, que está havendo repique de contágio do novo coronavírus, mas negou que já haja uma segunda onda da pandemia no Brasil. Segundo ele, se houver uma segunda onda no Brasil, o governo agirá com a mesma “determinação”, mas é preciso ter “base empírica”. 

“Parece que está havendo repiques. São ciclos, vamos observar. Fato é que a doença cedeu substancialmente. As pessoas saíram mais, se descuidaram um pouco. Mas tem características sazonais da doença, estamos entrando no verão, vamos observar um pouco. Nós que não somos especialistas”. 

BN

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Economia

Desemprego tende a aumentar ainda mais entre pretos e pardos em 2021, aponta FGV

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A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus promoveu mudanças estruturais no mercado de trabalho que tendem a intensificar ainda mais o desemprego entre pretos e pardos em 2021. É o que aponta o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri.

Segundo o pesquisador, que é diretor da FGV Social, pretos e pardos foram os mais beneficiados pelo Programa de Preservação de Emprego e Renda instituído pelo governo federal diante da pandemia, que permitiu a suspensão de contratos e redução das jornadas de trabalho.

Por meio do programa, os trabalhadores que tiveram o contrato suspenso ou a jornada reduzida passaram a receber o Benefício Emergencial (Bem), pago pelo governo. As empresas, em contrapartida, ficaram obrigadas a garantir a estabilidade dos trabalhadores por um período igual ao da suspensão dos contratos ou redução da carga horária.

Neri aponta que o desemprego – que avançou muito mais entre pretos e pardos que entre os brancos – foi atenuado pelo programa do governo. Mas ele prevê que haverá um “efeito rebote” tendo em vista a lenta recuperação da economia diante da crise provocada pela pandemia.

“Gradativamente, é de se esperar que as firmas aumentem as demissões. Então, a gente acha que o desemprego tende a aumentar mais depois de 31 de dezembro, quando termina a validade desse programa que pode ter sido até mais importante para pretos e pardos, porque ele tende a beneficiar mais a base do mercado de trabalho”, destacou o pesquisador.

Ao processar os microdados da Pnad-Covid, versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua criada pelo IBGE para avaliar os efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho, a FGV Social constatou que os pretos e pardos tiveram queda superior do número de horas trabalhadas na comparação com os brancos.

Redução do número de horas trabalhadas com a pandemia foi mais intensa para os trabalhadores pretos. — Foto: Economia/G1

“A nossa hipótese é que essa redução do número de horas trabalhadas foi efeito do programa temporário de suspensão de contratos e redução da jornada de trabalho”, disse Neri.

Piora nos indicadores do mercado de trabalho e educação

Os dados oficiais do mercado de trabalho divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Economia apontaram que pretos e pardos foram os mais afetados pela crise provocada pela pandemia.

O desemprego aumentou entre todos os grupos raciais, mas com mais intensidade entre os pretos. A ocupação no mercado de trabalho foi reduzida de modo geral no país, mas também foi mais expressiva entre os pretos. Para o economista Marcelo Neri, da FGV, esses efeitos tendem a ser de médio a longo prazo.

“A pandemia trouxe piores efeitos trabalhistas, e esses efeitos são importantes porque vão persistir após a pandemia, porque são estruturais”, enfatizou o pesquisador.

Trabalhadores pretos foram os mais afetados no mercado de trabalho diante da crise provocada pela pandemia — Foto: Economia/G1

Trabalhadores pretos foram os mais afetados no mercado de trabalho diante da crise provocada pela pandemia — Foto: Economia/G1

Outro efeito estrutural provocado pela pandemia, segundo Neri, ocorreu no campo educacional brasileiro, que trará efeitos também sobre o mercado de trabalho.

“A pandemia representou uma quebra de uma série de 40 anos da educação. A escolaridade vinha crescendo mais entre pretos e pardos, mas caiu com a pandemia. Os dados do IBGE mostraram que o tempo de estudo em casa caiu mais para os mais pobres, e eu diria que isso é uma tendência e que efeito tende a ser de longo prazo”, enfatizou o pesquisador da FGV.

‘Efeito’ Vidas Negras importam

A despeito dos efeitos provocados pela pandemia sobre as condições de vida da população negra no Brasil, o pesquisador da FGV sugere que o movimento mundial surgido após o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos tende a trazer benefícios para este grupo.

Floyd foi morto por um policial branco que ficou de joelhos sobre o pescoço da vítima durante uma abordagem policial. O crime ocorreu em maio, no auge da pandemia, provocando uma onda mundial de apoio à população negra, da qual surgiu o movimento Vidas Negras Importam – Black Lives Matter, em inglês.

“Toda essa movimentação que foi observada com o Black Lives Matter foi um marco e deve trazer um efeito para o Brasil no prazo mais longo”, disse.

Em sua análise, Neri considerou que o levante mundial após o caso Floyd vem promovendo mudanças nas grandes corporações internacionais, que passam a dar mais importância para as demandas da população negra. Para ele, isso pode provocar um “efeito de modelos” entre as empresas brasileiras.

“Embora as empresas multinacionais atuem em um mercado mais restrito e competitivo no Brasil, as políticas [pró-negros] têm mais força nessas empresas e, então, pode acontecer uma transmissão dessas políticas [para as companhias brasileiras]”, apontou.

Neri destacou ainda que a mudança de governo nos Estados Unidos, com a presumida vitória de Joe Biden, o país terá uma vice-presidente negra, Kamala Harris, pelos próximos quatro anos, o que também poderá favorecer a conquista de direitos pela população negra.

“Uma vice presidente mulher negra é uma coisa nova que pode ter um efeito Obama, no sentido de orgulho racial. Mas é algo que ainda precisamos aguardar. O copo ainda está meio vazio, mas começa a encher”, sugeriu o pesquisador.

G1

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Economia

13º salário deve ser integral para quem teve jornada reduzida, diz governo

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O governo divulgou uma nota técnica em que define que o 13º salário deve ser pago integramente para quem teve a jornada de trabalho reduzida em função da pandemia. Segundo o documento, o benefício natalino é calculado com base na remuneração integral do mês de dezembro, sem influência das reduções temporárias de jornada e salário.

No caso dos contratos suspensos, o período que o funcionário não trabalhou não será considerado para o cálculo do 13º, a não ser que ele tenha prestado serviço por mais de 15 dias no mês. Aí esse mês será considerado para o pagamento do benefício.

Segundo Ricardo Calcini, professor de Direito do Trabalho da Pós-Graduação da FMU e especialista nas relações trabalhistas e sindicais, embora a nota não tenha força de lei, a nota técnica deverá ser seguida pelas empresas, “salvo aquelas que desejam judicializar a questão”. “Ela servirá de norte orientativo para os órgãos de fiscalização das relações do Trabalho”, aponta.

A nota técnica define ainda como serão as férias para quem teve o contrato suspenso ou a jornada reduzida. Os períodos de suspensão do contrato de trabalho não serão levados em conta para o período aquisitivo de férias. Assim, o trabalhador terá direito às férias somente após completar 12 meses de trabalho. Já a jornada reduzida não tem impacto sobre o pagamento da remuneração e adicional de férias, pois as parcelas devem ser calculadas considerando o mês de gozo.

Corte e suspensão

A suspensão de contratos e redução de remuneração e jornada foram permitidos por meio do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, do governo federal.

O programa permite aos empregadores suspenderem os contratos de trabalho ou reduzir as remunerações e as jornadas em 25%, 50% ou 70% pelo período de até 6 meses.

No caso dos contratos suspensos, os salários são cobertos pelo governo até o limite do teto do seguro-desemprego (R$ 1.813,03) para funcionários de empresas com receita bruta até R$ 4,8 milhões. Já quem teve a jornada reduzida recebe o salário proporcional da empresa e um complemento relativo a uma parte do valor do seguro-desemprego.

Em ambos os casos, os trabalhadores têm direito à estabilidade pelo tempo equivalente à suspensão ou redução.

Veja como ficam os pagamentos dos benefícios para preservação de emprego:

  • Suspensão do contrato de trabalho: recebe 100% da parcela do seguro-desemprego, que pode variar de R$ 1.045 a R$ 1.813,03 (exceto no caso de funcionário de empresa com receita bruta superior a R$ 4,8 milhões – neste caso: recebe 30% do salário + 70% da parcela do seguro-desemprego)
  • Redução de 25% na jornada: recebe 75% do salário + 25% da parcela do seguro-desemprego
  • Redução de 50% na jornada: recebe 50% do salário + 50% da parcela do seguro-desemprego
  • Redução de 70% na jornada: recebe 30% do salário + 70% da parcela do seguro-desemprego
  • Nenhum trabalhador vai ganhar menos do que um salário mínimo

G1

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