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Eleições 2018

ANÁLISE-Rejeição elevada a Bolsonaro e Haddad impõe dificuldades na largada de governo em 2019

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Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Por Eduardo Simões

O provável segundo turno da eleição presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) pode dar à luz um governo com dificuldades de engrenar a partir de 2019 devido ao elevado índice de rejeição dos dois postulantes ao Planalto, mostrado nas pesquisas de intenção de voto, disseram analistas ouvidos pela Reuters.

Líder e vice-líder na corrida presidencial, Bolsonaro e Haddad têm, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira, rejeição de 45 e 41 por cento, respectivamente, o que pode levar a um segundo turno movido pela escolha do menos pior e a problemas de formação de uma base de sustentação a partir de janeiro.

“Vai ser um segundo turno em que os dois candidatos são rejeitados por quase metade da população”, disse à Reuters Danilo Gennari, sócio da Distrito Relações Governamentais em Brasília.

Bolsonaro tem afirmado que não aceitará um resultado eleitoral que não seja a sua eleição à Presidência, ao passo que o PT adotou, antes de formalizar a candidatura de Haddad, discurso de que uma eleição sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –barrado pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa– seria uma fraude.

Aliada a esse cenário, que acirra a polarização política, está a agenda de decisões difíceis e potencialmente impopulares que o próximo presidente terá de tomar, diante de um cenário fiscal complicado e da necessidade de reformas para fazer frente a ele.

Assim, Gennari prevê que, qualquer que seja o vencedor do pleito de outubro, haverá reclamações e contestações. Para ele, a questão é qual será a repercussão delas.

“A grande questão que se coloca é: dado o nosso atual momento político, institucional, social, a gente vai ver um movimento parecido com o da última eleição em que o lado perdedor, no caso o Aécio (Neves), começou na segunda-feira atirando para tudo que é lado questionando e isso teve eco, principalmente na imprensa?”, indagou, em referência ao candidato tucano derrotado em 2014.

“Tem espaço para isso acontecer de novo, termos mais quatro anos de buraco ou após a eleição, seja lá qual for o resultado, as pessoas vão parar, pensar e falar: ‘Está bom, chega, vamos ser um pouco mais responsáveis dessa vez e vamos ver o que pode ser feito para o Brasil sair desse buraco, pelo menos para não afundar ainda mais?’ Essa é a primeira questão.”

SEM LUA DE MEL

Com um cenário de acirramento da polarização política à frente, o analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, aponta também as decisões econômicas difíceis –muitas delas impopulares– que o próximo presidente terá pela frente a partir de janeiro de 2019 como outro fator complicador.

O Brasil caminha para o sexto ano de déficit nas contas públicas em 2019 e o teto dos gastos, aprovado na gestão do presidente Michel Temer, deve impor à próxima administração escolhas difíceis.

“A minha leitura é de que nós temos um dilema político bastante significativo, independentemente do resultado eleitoral e a situação política muito mais exacerbada que sairia desse segundo turno entre Bolsonaro e Haddad. Isso exacerbaria o risco de não gerar um ambiente mais estável para a construção de coalizões”, disse Cortez à Reuters.

“O Brasil não vive a sua normalidade política, nós vivemos um quadro muito polarizado, a agenda do próximo presidente é uma agenda marcada por conflitos complicados, por escolhas difíceis”, avaliou.

Nesse cenário, a maior probabilidade é de que o presidente que assumir o leme do país em 1º de janeiro de 2019 não conte com a benevolência que costuma marcar o período inicial dos novos governos, na avaliação tanto de Cortez quanto de Gennari.

“Não acredito que exista essa lua de mel, diante não só do problema político, da polarização, mas também pelo tipo de agenda que o próximo presidente deve enfrentar”, disse o analista da Tendências.

INTELIGÊNCIA POLÍTICA

Para o cientista político Creomar de Souza, da Universidade Católica de Brasília, as condições de governabilidade também dependerão do placar do segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto.

“Quanto menos consensual for a vitória, pior será o resultado em termos de eficiência presidencial no início do governo”, avaliou.

“Porque esse chamado cheque em branco dos primeiros 100 dias parte do princípio de que você teve um rito totalmente civilizado”, afirmou.

“Significa que um candidato ganha, o candidato que perde reconhece a derrota, dá um telefonema dizendo que perdeu, depois vai à mídia e diz: ‘Agradeço aos votos e aos apoiadores, mas agora acabou a eleição, vamos todos seguir em frente, porque somos todos brasileiros’. Isso não existe no Brasil já há algum tempo.”

Para ele, findo o primeiro turno no próximo domingo, com a consequente definição das bancadas de deputados e senadores a partir do ano que vem, os dois presidenciáveis que restarem da disputa pelo Palácio do Planalto deverão intensificar as negociações para formação de suas bases congressuais.

Bolsonaro, por exemplo, já conquistou o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária e deverá se concentrar na busca por apoios de bancadas setoriais. Coordenadores da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso e da Frente de Segurança Pública disseram à Reuters que a maioria dos integrantes dos dois grupos também apoia a candidatura do PSL.

Para o cientista político Adriano Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Haddad parece ter mais condições de formar uma base parlamentar, dado seu histórico político, enquanto Bolsonaro é uma incógnita, pois nunca esteve nesta posição.

Creomar, da Universidade Católica de Brasília, faz, no entanto, uma previsão pouco otimista sobre o que deve ser a próxima legislatura, diante do cenário de polarização e da necessidade de tomada de decisões na área fiscal.

“Muito provavelmente, pelo que nós temos visto como constante nos últimos anos, o Congresso Nacional não vai ter inteligência política para entender a gravidade dessas agendas, vai estar muito mais preocupado com a manutenção de privilégios de toda a ordem”, disse.

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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