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Eleições 2018

Ascensão de Bolsonaro gera tensão entre ambientalistas

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Greenpeace/Marizilda Cruppe Inspetores do Ibama em ação no Pará

Entre fiscais e servidores dos órgãos que combatem o crime ambiental no Brasil o clima é de apreensão. Alvos de ataques em vídeos divulgados pelo candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), agentes ambientais relatam que a hostilidade em ações de fiscalização no campo ficou mais visível.

No último fim de semana, uma equipe do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sofreu um atentado durante uma operação de combate ao desmatamento em Buritis, Rondônia. Um homem foi preso após usar um galão de gasolina para atear fogo em três viaturas do Ibama.

Por determinação da presidente do órgão, Suely Araújo, as ações contra o corte ilegal da floresta na região serão intensificadas. “O Ibama realiza essas atividades como parte importante de sua missão institucional de proteção ambiental e continuará cumprindo suas tarefas estabelecidas por lei°, justificou.

Na última sexta-feira (19/10), um grupo tentou impedir a chegada de uma equipe do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) numa unidade de conservação para combater o desmatamento. Os agentes tiveram que ser escoltados pela Polícia Militar.

Favorito no segundo turno, Bolsonaro tem dado declarações que vão contra as atividades de fiscalização dos órgãos ambientais. Em entrevistas, ele já criticou o que chama de “indústria da multa” do meio ambiente, citando órgãos como o Ibama e o ICMBio. Dois dias após o primeiro turno das eleições presidenciais, ele afirmou que pretende acabar com o “ativismo ambiental xiita” e também com a “indústria de demarcação de terras indígenas”.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, faz parte de suas atribuições exercer o poder de polícia ambiental, no caso do Ibama, e fiscalizar e monitorar as unidades de conservação, no caso do Icmbio.

Para o ministério, ataques como os registrados recentemente representam um “atentado contra a nação, contra as instituições públicas e contra servidores que doam as suas vidas e se dedicam a preservar o meio ambiente e a respeitar a legislação brasileira”.

Segundo a nota divulgada, os atentados são comandados por quem tem interesse em manter a ilegalidade e afrontar os órgãos ambientais.

“Continuaremos trabalhando duro para combater todo e qualquer ato ilícito, para fazer valer a legislação ambiental e para defender aquilo que é de interesse do povo brasileiro, que é o nosso rico patrimônio natural”, afirmou o ministro Edson Duarte.

Analistas ambientais do ICMBio estão perplexos. “É muito triste ver um candidato que lidera as pesquisas colocar a sociedade contra um setor do serviço público que trabalha para um patrimônio nacional, em prol do bem-estar humano”, critica Fernando Tatagiba, diretor do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros.

Em carta aberta, servidores da área ambiental fizeram um alerta sobre os impactos negativos para o meio ambiente em caso de vitória de Bolsonaro. Dentre os pontos críticos, eles apontaram a promessa feita pelo candidato de fundir o Ministério do Meio Ambiente ao da Agricultura, a saída do Brasil do Acordo de Paris, o enfraquecimento do licenciamento ambiental e a exploração irrestrita da Amazônia.

“Essas propostas significariam, na prática, o fim da política ambiental e deixariam o país muito mais suscetível a desastres ambientais como o de Mariana e ao agravamento da crise hídrica atual no semiárido nordestino e nas grandes cidades como São Paulo, Brasília”, diz a carta.

Segundo os servidores, Bolsonaro foi multado em 2012 após ter sido flagrado pescando ilegalmente na Estação Ecológica Tamoios. Na sequência, o deputado apresentou um projeto (mais tarde tarde retirado por ele mesmo) que pretendia desarmar fiscais ambientais do Ibama e ICMBio.

“Alertamos que esta candidatura é uma continuação ainda mais nefasta do que o governo Michel Temer”, afirmam os servidores na carta.

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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