dezembro 10, 2018 12:24 pm
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Bancada evangélica testa poder de veto na montagem do Governo Bolsonaro

© SERGIO LIMA (AFP) O presidente eleito Jair Bolsonaro em Brasília, nesta quinta-feira.

Fortalecida pela onda conservadora que culminou na eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República, a bancada evangélica do Congresso Nacional testou entre esta quarta e esta quinta-feira seu poder de veto junto ao presidente eleito. Por um lado, os deputados ligados às igrejas neopentecostais brasileiras conseguiram barrar a indicação de um técnico moderado para o ministério da Educação, mas a preferência de Bolsonaro pelo colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez, anunciado como o novo titular da pasta nesta noite, pegou muitos parlamentares de surpresa.

“Ontem [quarta-feira] os parlamentares evangélicos entenderam que o nome do Mozart era de esquerda. E nós levamos o nosso veto ao nome dele”, resumiu o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM), uma das principais lideranças neopentecostais na Câmara.

Rebelião contra Mozart e avanço do projeto Escola sem Partido

O movimento contra Mozart foi bem-sucedido e o capitão reformado do Exército chegou inclusive a cancelar uma reunião que teria com ele nesta quinta, em Brasília. Acontece que o nome de Vélez Rodríguez não era o preferido de boa parte da bancada evangélica, que trabalhou para emplacar o procurador regional do Distrito Federal Guilherme Schelb no posto. Pouco antes de Bolsonaro divulgar seu escolhido, deputados da frente parlamentar evangélica avaliavam internamente que o anúncio só seria realizado na próximo semana. 

Foi em meio a essa rebelião que surgiu o nome do procurador Schelb, ele próprio neopentecostal da igreja Comunidade das Nações em Brasília, comandada pelo bispo JB Carvalho. Schelb tem um longo (e controverso) histórico de luta contra a suposta sexualização precoce de crianças no ambiente escolar. No ano passado, numa audiência pública realizada para discutir o Escola sem Partidoele demonstrou seu apoio ao Escola sem Partido.

O nome de Schelb foi lançado nesta quinta-feira como um possível ministro pelo próprio presidente eleito Bolsonaro, mas esse gesto parece não ter passado de uma cortina de fumaça. O procurador se encontrou com o presidente eleito, mas depois da reunião disse a jornalistas que não houve convite para o MEC. “Foi uma conversa de apresentação onde eu pude expor ao presidente Bolsonaro a minha análise sobre as questões centrais da educação brasileira que devem ser enfrentadas com a máxima urgência”, afirmou o ex-ministeriável, que contava ainda com um cabo eleitoral de peso. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, disse ao EL PAÍS que considerava o procurador “um grande nome” para o posto.

Alguns membros da própria bancada evangélica consideravam que o alto grau de polêmica que envolveria a escolha de Schelb poderia levar Bolsonaro a preferir optar por uma alternativa, o que acabou se confirmando. A princípio, Vélez Rodríguez tem um perfil que agrada a frente evangélica: tem publicações com duras críticas ao PT e ataca o que chama de “doutrinação” calcada na “ideologia marxista”. No entanto, a opção por ele mostra também que Bolsonaro não quis selecionar um nome que pudesse sugerir que ele estaria cedendo a pressões de um grupo de deputados.

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