dezembro 11, 2018 1:09 am
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Dilma Rousseff diz que havia uma preocupação para ‘salvar’ empresas investigadas na Lava Jato

A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (27) que havia uma “preocupação pública” no governo em relação aos acordos de leniência para “salvar” as empresas investigadas na Operação Lava Jato.

Ela prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro como testemunha de defesa de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras preso desde julho de 2017.

“Nós tínhamos, de fato, uma preocupação pública para construir as condições de leniência, para que o processo tivesse punição aos responsáveis, mas que se salvassem as empresas de engenharia desse país, que eram elementos essenciais da nossa competitividade e ainda são”, disse.

De acordo com a ex-presidente, as empresas estavam comprometendo os empregos.

“Tinha uma questão que era muito grave, e não sei se ainda é. Uma delas era que as empresas que estavam sofrendo investigação da Lava Jato estavam tendo problemas na área de retomar os seus financiamentos. Isso criava para o governo um grande problema, porque essas empresas estavam comprometendo seus empregos e seus financiamentos”, afirmou.

Dilma Rousseff negou ter indicado o ex-ministro da Casa Civil Aloísio Mercadante para tratar de assuntos relacionados à Lava Jato diretamente com a Odebrecht.

Segundo ela, Mercadante se relacionava com todas as empresas investigadas apenas nas atribuições da função à época, principalmente, para criar condições para acordos de leniência.

Nos acordos de leniência, as empresas e as pessoas envolvidas assumem a participação em um determinado crime e se comprometem a colaborar com as investigações. Elas concordam em pagar multas em troca de redução de punições.

“Porque achávamos, e eu particularmente também continuo achando, que a gente tem que punir os malfeitos. Punir executivos e funcionários que cometam os malfeitos. Punir quem quer que cometam os malfeitos. Agora as instituições são produtos sociais, elas não podem ser punidas”.

Indicação de Bendine

Dilma nomeou Bendine para a presidência da Petrobrás com a missão de acabar com os desvios na estatal. No depoimento desta quinta-feira, ela falou sobre as circunstâncias da indicação.

“Eu convidei o doutor Bendini e eu disse a ele que, para mim, era importante que ele deixasse a presidência do Banco do Brasil e fosse para a Petrobras”, disse Dilma a Moro.

A ex-presidente relatou, ainda, que fez o convite quando Graça Foster decidiu deixar a presidência da estatal. Ao longo do depoimento, porém, Dilma deixou claro que gostaria que Graça tivesse continuado o seu trabalho como presidente da Petrobras.

“Em um determinado fim de semana, não lembro a data, ela, em definitivo, disse que se afastaria e me pediu que eu tomasse uma providência. A Petrobras não podia ficar sem direção”, contou. “Escolhi o doutor Bendine e o doutor Ivan [de Souza Monteiro] pelo desempenho que eles tinham tido diante do Banco do Brasil, que era um elemento, para mim, bastante valioso”, acrescentou.

De acordo com Dilma, a atuação de Bendine e Monteiro fez com que o banco, que estava em uma “situação frágil”, apresentasse “bons resultados”. Ainda segundo a ex-presidente, foi necessário persuadir Bendini a aceitar o cargo, pois ele estava em uma “posição confortável” no banco.

“Houve a necessidade de uma persuasão. Eu persuadi o doutor Bendini a aceitar, junto com o doutor Ivan. Por que era também complicado? Era a saída dos dois, mas eles tinham sucessores naturais, pelo que me informaram. E, aí, foi possível fazer uma transição muito rápida”, afirmou.

Dilma foi ouvida por videoconferência com a Justiça Federal de Belo Horizonte, onde está cuidando da saúde de sua mãe. A ex-presidente chegou para prestar depoimento pouco antes das 11h e falou por cerca de meia hora.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Bendine recebeu R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht em 2015, depois que assumiu a presidência da Petrobrás. Mas o pedido teria sido feito antes, na época em que era presidente do Banco do Brasil.

Questionada sobre se Bendine era interlocutor da presidência com a Odebrecht, Dilma afirmou que ele agia como qualquer outro presidente do Banco do Brasil.

“O doutor Bendine era interlocutor da Presidência como diretor-presidente do Banco do Brasil. Qualquer outra especificação era, no mínimo, extemporânea. Ele era interlocutor do governo como presidente do Banco do Brasil”.

A ex-presidente negou ter conhecimento de participação direta da presidência na decisão de assuntos relacionados à Odebrecht.

Pedido negado

O MP pediu, no início do depoimento, que Dilma não fosse ouvida como testemunha de defesa e tivesse o direito de ficar em silêncio.

Segundo o procurador, Dilma tem interesse na investigação, já que foi quem indicou Bendine como presidente da Petrobras. Segundo o MP, Dilma poderia ser parcial no depoimento. O pedido não foi aceito por Moro.

G1

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