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Eleições 2018

Eleições de 2018 vão nos decepcionar, mas não por causa do novo ocupante do Planalto

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Foto: Reprodução / EBC

No final da noite do próximo domingo (7) o Brasil vai dormir sabendo o que esperar do próprio futuro. Não, não estamos falando sobre as eleições para presidente ou mesmo para governador. Ao final da apuração das urnas, saberemos quem serão os deputados estaduais, deputados federais e senadores eleitos para o próximo mandato. Seguindo a tendência e as expectativas, todavia, não esperemos muito, sob o risco de acabarmos desapontados.

O sistema político criou uma espécie de retroalimentação que dificilmente será alterada. A última minirreforma política só reforçou essa lógica. Os parlamentares mantiveram privilégios para aqueles detentores de mandato. Ou os transferiram para herdeiros, como se vê o direcionamento de recursos para as campanhas para filhos, netos, sobrinhos e qualquer tipo de relacionamento consanguíneo ou de nepotismo possível de imaginar.

Como se não bastasse a perspectiva de renovação relativamente baixa, já que os caciques tendem a se manter no poder, existe uma direção que aponta para a eleição de um Congresso Nacional mais conservador e menos predisposto a discutir temas delicados, principalmente os relacionados a direitos de minorias. Afinal, as chances dessas minorias terem representação, até mesmo nas assembleias legislativas, são praticamente remotas. Silentes por natureza, esses grupos devem ser as principais vítimas, caso o pessimismo com as eleições se mantenha.

Nossa, mas por que esse pessimismo? Observe os candidatos à Presidência da República que tentam o Planalto em 2018. Dois deles são, atualmente, deputados federais. Ambos são aqueles que defendem ideais mais conservadores entre aqueles que tentam comandar a nação. Mesmo que simulem flertes com liberalismo ou temas progressistas, ao longo do tempo em que estiveram na Câmara dos Deputados se portaram como velhas senhoras carolas, que enxergam a Bíblia como verdade absoluta e não aceitam posicionamentos divergentes.

Essa crítica não é uma exigência de que tenhamos parlamentos progressistas. Não. Apenas um alerta de que bancadas conservadoras expressivas podem suprimir direitos que já são negados para muitas populações. Se com os atuais deputados estaduais, deputados federais e senadores os brasileiros já se sentem mal representados, imagina com a baixa renovação seguida por uma onda que pode levar o país a retroagir em questões sociais?

A seis dias da eleição, ainda ouvimos com frequência maior do que gostaríamos a afirmação “não sei em quem votar para deputado”. E para senador. E para governador. E para presidente. Uma triste realidade que não será expressada por pesquisas ou até mesmo com os resultados. Não sabemos o que esperar do futuro.

O cenário é desolador e, quase terminada a campanha eleitoral, os candidatos não conseguiram nos convencer que merecem o benefício da dúvida aplicado por meio de um voto. Nessa reta final, a torcida é para que, ao ter o resultado das urnas divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o país não saia ainda menor.

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (1º) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.

BN

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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