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Estas profissões e cargos estão em baixa no Brasil

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Thinkstock Negativo: a crise mudou muita coisa no mercado

O cenário para o profissional brasileiro não é otimista: o país tem mais de 65 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho porque desistiram de procurar emprego. Segundo o IBGE, o desemprego no trimestre até maio foi de 12,7%. E o Índice de Medo do Desemprego, medido pela CNI em junho, ficou acima da média histórica.

Seja pela redução de custos necessária à sustentabilidade dos negócios ou pela  introdução de novas tecnologias, a demanda por alguns profissionais caiu em 2018, segundo consultorias de recrutamento. Os profissionais mais afetados são os das áreas de Marketing e Engenharia Civil.

O primeiro foi afetado principalmente pela migração das mídias tradicionais para o online. A função não desapareceu, mas passou por uma transformação. É o que destaca Raphael Falcão, diretor da HAYS Response.

Para ele, o processo que antes era dividido entre várias pessoas virou atribuição de apenas um profissional que deve gerir todo o processo.

“Não houve uma mudança dos cargos e profissões, mas uma readequação. O que exige, cada vez mais, conhecimento e especialização para atuar nas áreas, seguindo as tendências da tecnologia e digitalização”, explica ele.

Além da crise, os grandes projetos de infraestrutura foram afetados pela Operação Lava Jato. Desde 2015, as principais empreiteiras do setor perderam R$ 55 bilhões em faturamento, levando a cortes de custo e redução no quadro de funcionários.

Mesmo que a profissão tenha figurado no ranking de empregos formais de nível superior, isso não significa que o mercado esteja aquecido para os engenheiros. Nos quatro primeiros meses do ano, foram menos de 3 mil contratações. O que é um problema em comparação com os mais de 80 mil formados por ano, de acordo com dado de 2015 da Fapesp.

No segmento bancário, junto com o surgimento de aplicativos que digitalizaram os serviços, a diretora de operações da Produtive, Claudia Monari, aponta a influência das fusões e aquisições na baixa demanda. “O mesmo ocorreu, no início dos anos 2000, com as indústrias farmacêuticas, que passaram por muitas fusões e aquisições”, conta.

Confira a lista de cargos e profissões em baixa, resultado de pesquisa exclusiva de EXAME realizada com as consultorias Talenses, Stato, Produtive e Hays:

Advogado corporativo

O que faz: especialista em relações trabalhistas, licitações e contratos

Por que está em baixa: a função está sendo substituída por empresas especialistas nesses assuntos, que, por sua vez, acabam ficando mais atualizadas nas leis, segundo a Produtive

Profissional do segmento financeiro

O que faz: São profissionais de todas as áreas de bancos (RH, Marketing e Finanças)

Por que está em baixa: Por conta de fusões e aquisições e do investimento constante em tecnologia e digitalização dos processos, afirma diretora de operações da Produtive

Profissional de agência bancária

O que faz: Interação com público e prestação de serviços dentro de agências bancárias físicas (caixas, suportes, gerentes de agência, etc.)

Por que está em baixa: Com tudo feito por aplicativos e o fechamento das agências físicas, a Stato observa que houve impacto em cargos desde o caixa até o gerente de contas

Profissional de Marketing

O que faz: trabalha com ações voltadas à prospecção de produtos, serviços e clientes

Por que está em baixa: o mercado tem pedido por profissionais de marketing, mas que também exerçam funções de vendas, segundo a Produtive.

“Com o rápido e intenso avanço de novas tecnologias, profissionais como marketing digital, e-commerce e business intelligence estão em alta, enquanto profissionais especializados em canais de comunicação tradicionais estão perdendo espaço”, explica Rebeca Mayan, gerente da divisão de Vendas e Marketing da Talenses.

Gerente de marketing em empresas B2C e B2B

O que faz: Planeja e gerencia as atividades relacionadas a marketing e comunicação

Por que está em baixa: As empresas têm terceirizado algumas dessas atividades ou passando as atribuições para a área comercial, de acordo com a Stato

Liderança em Compras

O que faz: Gestão de compradores

Por que está em baixa: Hoje, essa função migrou para Supply Chain ou Manufatura. Segundo a Produtive, o máximo que o mercado pede é o especialista em Compras na posição de Comprador

Gestão de Trade

O que faz: Cuida do produto nos Pontos de Vendas e analisa os indicadores de saída dos produtos

Por que está em baixa: O mercado ainda demanda a posição de especialista, segundo a Produtive, mas a gestão foi migrada para o Head de Marketing

Gestão de Pricing

O que faz: Levantamento da composição do produto e como lucrar com ele

Por que está em baixa: Antes um braço da área de Marketing, a posição agora é acompanhada pela área comercial ou de operações, que, segundo a Produtive, absorveram as demandas por terem outras análises de suas áreas

Engenheiro Civil

O que faz: Gestão geral de obras

Por que está em baixa: De acordo com a Stato, nenhum projeto de infraestrutura está sendo aprovado, todas as obras principalmente ligadas ao governo estão paradas

Engenheiro Naval

O que faz: Projeta e coordena a produção de embarcações e construção de plataformas marítimas e tubulações para petróleo. Também gerencia as operações marítimas

Por que está em baixa: Segundo a Stato, o alto custo de obras de infraestrutura afetou a área que atua muito com projetos governamentais

Gerente Industrial

O que faz: Gestão geral de fábricas

Por que está em baixa: O setor industrial também foi muito afetado pela crise, principalmente o automotivo. De acordo com a Produtive, a abertura de novas posições na área foi afetada

Relações Governamentais

O que faz: Planeja e controla informações geradas pelos diversos setores, para apoiar as empresas alcançar objetivos corporativos esperados

Por que está em baixa: Segundo a Stato, a redução de custos afetou a área

Arquiteto

O que faz: Projeta e idealiza espaços como residências, prédios, praças e outros

Por que está em baixa: Redução de custos e falta de novos projetos, segundo a consultoria Stato

Coordenador de Projetos

O que faz: Desenvolve e implanta projetos de layout em obras, assessora projetos de reformas

Por que está em baixa: Segundo especialista da Stato, ainda não ha um panorama exato, mas há um desequilíbrio entre a demanda do profissional e a oferta de projetos. O volume de posições é baixo e os salários caíram também

Planejamento Estratégico

O que faz: Orienta os negócios atuais e futuros. Também coordena produtos e serviços das empresas, com o objetivo de gerar lucratividade e crescimento

Por que está em baixa: Segundo a Stato, o custo desse profissional é alto e a posição sofreu com a redução de custos

Gerente de Facilities

O que faz: Administra contratos terceirizados de serviços de portaria, segurança, limpeza e conservação, jardinagem e manutenção predial. Também acompanha custos e despesas previstos em contratos

Por que está em baixa: O cargo foi desmembrado para outras áreas, segundo especialista da Stato, como TI, financeiro e administrativo

Diretor Comercial

O que é: Vendas de produtos com valores muito altos e ligados a infraestrutura, automotivo e grandes maquinários

Por que está em baixa: Com os baixos investimentos na área de infraestrutura no Brasil, as vendas relacionadas estão em queda constante, de acordo com a Stato

Gerente de Departamento Pessoal

O que faz: Cuida de todos os sistemas operacionais relacionados a pessoas dentro das empresas (folha de pagamento, ponto, benefícios, remuneração, etc.)

Por que está em baixa: Os processos de sua responsabilidade foram terceirizados. Segundo a Stato, quase todas as empresas hoje terceirizaram a folha de pagamento, por exemplo

Gerente de Comércio Exterior

O que faz: É o profissional responsável por gerenciar processos de importação e exportação de acordo com a política da empresa

Por que está em baixa: Segundo a Stato, a área sofreu com a falta de investimento, receio com o futuro incerto da economia e pouco giro de negócios

Gerente de produção

O que faz: Responsável pelo gerenciamento de processos produtivos em empresas de manufatura

Por que está em baixa: Os investimentos estão baixos na indústria, o que faz com que as vagas sejam congeladas ou então transformadas em posições mais baixas, como coordenador, os níveis tem de salário também tem baixado, explica a consultoria Stato

Analista de Infraestrutura

O que faz: Profissional que assessora os servidores e data center

Por que está em baixa: A infraestrutura física e tradicional está sendo substituída cada vez mais pela computação em nuvem. O gerente da divisão de Tecnologia da Informação da Talenses, Leandro Bittioli, aponta a importância do profissional de infraestrutura se atualizar com temas atuais

Especialista de RH em treinamento e desenvolvimento

O que faz: Planeja o programa de treinamento e desenvolvimento organizacional para colaboradores

Por que está em baixa: Devido à crise nos últimos anos e consequente descapitalização das empresas, a falta de investimento interno afetou a demanda pelo profissional, segundo o gerente da Talenses, Guilherme Malfi

Especialista em M&A (dentro das empresas)

O que faz: Responsável por coordenar a operação de M&A dentro das empresas envolvidas no processo

Por que está em baixa: No geral, esses profissionais costumam ser requisitados apenas em empresas multinacionais, para intermediar o contato com a sede da companhia no exterior. Segundo Felipe Brunieri, gerente da divisão de Finanças e Tributário da Talenses, em empresas nacionais, as fusões e aquisições costumam ser liderados pelo CFO e assessorados por bancos de investimentos, não há equipe interna

Relações com investidores

O que faz: Faz a ponte da empresa com o mercado financeiro, seja para contatar investidores, bancos ou negociar M&As

Por que está em baixa: A área teve menor demanda em decorrência da crise econômica. Segundo gerente da Talenses, a área se tornou mais enxuta ou foi absorvida por outras áreas.

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Novas regras para aposentadoria rural valem a partir desta quarta-feira (20)

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Na Bahia, de 30% a 40% dos pedidos de aposentadorias deixaram de ser concedidos por falhas na documentação do trabalhador.


(georgina maynart)

A partir desta quarta-feira (20), os trabalhadores rurais podem se dirigir diretamente às agências do INSS para dar entrada no processo de aposentadoria, preenchendo uma autodeclaração de exercício de atividade no campo. Antes, para obter o documento, era necessário recorrer aos sindicatos rurais credenciados que confirmavam o exercício da atividade rural. Agora todo o trabalho será feito pelo próprio INSS, que vai acessar as bases de dados de outros órgãos públicos.

A nova regra prevê, por exemplo, que a Declaração de Aptidão do Pronaf (DAP), muito usada pelos agricultores familiares, seja usada como meio de prova do trabalho rural do segurado especial. O documento é emitido pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O governo federal informou que a intenção é melhorar a gestão do INSS, reduzir os gastos com o pagamento de benefícios indevidos, combater fraudes e irregularidades, e ajudar a desburocratizar a concessão do benefício, eliminando a necessidade de intermediários. Ainda segundo o INSS, o atendimento continuará sendo agendado através do número 135. O tempo médio de espera é de 14 dias.

As novas regras foram determinadas através de uma medida provisória publicada em janeiro. O texto estabelece ainda que, a partir de 2020, a comprovação do exercício da atividade rural será realizada exclusivamente através das informações que constam no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), vinculado ao Ministério da Economia.

Na Bahia, de acordo com o INSS, cerca de 30 a 40% das aposentadorias requeridas no ano passado deixaram de ser concedidas porque o trabalhador rural não conseguiu comprovar algum requisito exigido.

Quem tem direito a aposentadoria

Na entrevista abaixo, o chefe da Divisão de Benefícios da Gerência Executiva do INSS em Salvador, Marcelo Caetano Figueredo Santana, explica as principais dúvidas sobre a concessão do benefício para esta categoria de trabalhadores.

 Quem pode requerer atualmente a aposentadoria rural? 

Não existe necessariamente uma “aposentadoria rural”. O que o artigo 201 da Constituição Federal prevê é uma redução, em 5 anos, para a aposentadoria por idade do trabalhador rural, nas categorias de empregado, trabalhador avulso, segurado especial (agricultura familiar e pescador artesanal) e o garimpeiro que trabalhe em regime de economia familiar.

O que se confunde muito é a categoria com o benefício. Pois a categoria de segurado especia, vem a ser o pescador da pesca profissional ou artesanal, e o trabalhador rural da agricultura familiar de subsistência, que trabalhe em propriedade de até 4 módulos fiscais, e não tenha empregados ou prestadores de serviço permanente. Para o segurado nesta categoria, o recolhimento da contribuição é baseado no resultado da comercialização da produção. Para o requerimento de benefício ele deverá comprovar a atividade por período de carência, e não o recolhimento.

O que difere a aposentadoria rural do benefício concedido aos outros segurados?

A aposentadoria por idade dos trabalhadores que se enquadram nesta categoria pede idade de 60 anos para os homens e de 50 anos para as mulheres. Já a carência mínima é de 180 contribuições, ou seja, 15 anos. A grande diferença está no fato de que não será cobrado destes trabalhadores, necessariamente, um período de contribuição. Cobra-se a comprovação documental do exercício da atividade rural ou pesca durante a “carência” necessária. Vale ressaltar que, antes de tudo, será feita a caracterização do trabalhador na categoria conforme os parâmetros exigidos. Muitas vezes a grande questão está na comprovação do exercício da atividade.

É bom lembrar que:  O trabalhador pode estar vinculado a uma terra que esteja registrada em seu nome, ou seja, da qual seja proprietário, ou pode ser uma terra mantida em regime de parceria, meação, arrendamento, ou outros tipos de vínculos. A terra tem que ter no máximo 4 modulo fiscais; Conforme legislação vigente, filhos casados deixam de integrar o grupo familiar do pai/mãe, sendo necessário, a partir do casamento, comprovar uma nova vinculação com a terra; Comprovada essa vinculação com a terra, também deverá ser comprovada, com documentos, a manutenção do exercício da atividade exclusiva na agricultura familiar.

Qual o principal problema detectado na hora de conceder a aposentadoria rural? 

A grande questão é a ausência da documentação. Ou quando há a existência de documentação, algumas vezes ela não corresponde à contemporaneidade, ou seja, ao tempo que se deseja comprovar de atividade. Outra questão é a ausência da inscrição na categoria. Tal fato se deve porque o “segurado especial” é a única categoria que pode ser inscrita pós-óbito, associado ao fato de não haver obrigatoriedade de contribuição mensal individual, como ocorre com as outras categorias. Assim é comum que muitos trabalhadores, que nunca requereram outro benefício, venham se inscrever no momento do requerimento da aposentadoria. Frisamos que tal situação, a partir de ações de conscientização desenvolvidas pelo INSS, vem diminuindo ao longo dos anos.

Como explicar o índice que varia de 30 a 40% de negativa de concessão deste tipo de aposentadoria?

A maior causa é a ausência de documentação probatória, uma vez que esta necessidade muitas vezes não é observada ao longo da vida laboral. O INSS realiza constantemente ações que auxiliem na consolidação da categoria de segurado especial.

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Moro lamenta congelamento de pacote anticrime na Câmara

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Foto: Marcos Corrêa/PR

Após a Câmara ter congelado o avanço de seu pacote de projetos de lei anticrime, o ministro Sergio Moro (Justiça) disse que a proposta poderia tramitar ao mesmo tempo que a reforma da Previdência. “Na minha avaliação isso pode tramitar em conjunto. Não vemos maiores problemas”, disse Moro nesta quarta-feira (20), na Câmara dos Deputados, durante o lançamento da Frente Parlamentar da Segurança Pública.

“O desejo do governo é que isso desde logo fosse encaminhado às comissões para os debates”, disse Moro, ressaltando que está conversando com Maia sobre o tema e que “decisões relativas ao Congresso Nacional dependem” dos parlamentares.

Na última quinta-feira (14), Maia determinou a criação de um grupo de trabalho para analisar o chamado projeto de lei anticrime de Moro e duas outras propostas correlatas que já tramitavam na Câmara. Como o grupo de trabalho tem o prazo de 90 dias para debater as matérias, na prática o presidente da Câmara suspendeu momentaneamente a tramitação da maior parte do pacote legislativo do ministro da Justiça.

A Comissão Especial para discutir o projeto anticrime de Moro só deve ser instalada após a conclusão dos trabalhos do grupo de trabalho. A “trava” colocada por Maia no texto de Moro pode se estender por ainda mais tempo, uma vez que o ato de criação do grupo prevê que o seu funcionamento poderá ser ampliado por outros 90 dias, mediante solicitação do coordenador do colegiado à presidência da Câmara.

O ministro Sergio Moro divulgou seu projeto no dia 4 de fevereiro. A redação prevê uma série de modificações no Código Penal, Código de Processo Penal, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes Hediondos e Código Eleitoral.

Entre os principais pontos do pacote está o cumprimento da prisão após a segunda instância. Desde que foi lançado, o texto de Moro sofreu críticas de parlamentares e de juristas, o que levou o ministro a realizar mudanças na sua redação e a fatiá-lo para facilitar sua tramitação no Congresso.

No entanto, a constituição do grupo de trabalho por Maia é o maior entrave criado até o momento para o seu avanço na Câmara dos Deputados, principalmente porque Moro vinha defendendo que o tema deveria ser tratado de forma prioritária.

O pacote anticrime foi encaminhado ao Congresso Nacional em três projetos diferentes. A decisão de Maia alcança o principal deles, que promove o maior número de alterações. Ficaram de fora do grupo de trabalho a proposição que criminaliza o caixa dois e a que trata das competências da Justiça comum e da Justiça Eleitoral. Em tese, estes dois projetos podem continuar tramitando, mas ainda não houve despacho do presidente da Câmara para que eles avancem no Parlamento.

Alguns parlamentares vinham argumentando que o envio do projeto anticrime ao mesmo tempo em que o governo tenta angariar apoios para votar a reforma da Previdência poderia contaminar o ambiente no Legislativo e dificultar a aprovação das mudanças no sistema de pensões, considerada prioridade máxima pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes.

Nesta quarta, o deputado Capitão Augusto (PR-SP), que integra o grupo de trabalho criado por Maia, disse que vai conversar com o presidente da Câmara para que as comissões do projeto de lei anticrime sejam logo instaladas. Se isso não for possível, disse o deputado, ele vai atuar para que o grupo de trabalho conclua seus trabalhos em cerca de duas ou três semanas, para tentar acelerar a tramitação da proposta encampada por Moro.

RECUOS E DERROTAS DO SUPERMINISTRO

Moro topou largar a carreira de juiz federal, que lhe deu fama de herói pela condução da Lava Jato, para virar ministro da Justiça. Disse ter aceitado o convite de Bolsonaro, entre outras coisas, por estar “cansado de tomar bola nas costas”. Tomou posse com o discurso de que teria total autonomia e com status de superministro

DECRETO DAS ARMAS

Seu primeiro revés foi ainda em janeiro. O ministro tentou se desvincular da autoria da ideia de flexibilizar a posse de armas, dizendo nos bastidores estar apenas cumprindo ordens do presidente. Teve sua sugestão ignorada de limitar o registro por pessoa a duas armas -o decreto fixou o número em quatro

LARANJAS

No caso do escândalo de candidaturas de laranjas, enquanto Moro deu declarações evasivas, dizendo que a PF iria investigar se “houvesse necessidade” e que não sabia se havia consistência nas denúncias, Bolsonaro determinou dias depois, de forma enfática, a abertura de investigações para apurar o esquema

CAIXA DOIS

Por ordem do Palácio do Planalto, a proposta de criminalização do caixa dois, elaborada pelo ministro da Justiça, vai tramitar separadamente do restante do projeto anticrime

ILONA SZABÓ

Moro teve de demitir a especialista em segurança pública por determinação do presidente, após repercussão negativa da nomeação. Ilona Szabó já se disse contrária ao afrouxamento das regras de acesso a armas e criticou a ideia de ampliação do direito à legítima defesa que está no projeto do ministro

FRACASSOS NA ESPLANADA

Outros ministros também tiveram derrotas e tiveram que anunciar recuos publicamente. Gustavo Bebianno, ex-Secretaria-Geral da Presidência, e Paulo Guedes, da Economia.

BN

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1,3 milhão de aposentados podem ter o benefício de março bloqueado

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© Gustavo Roth/Folha Imagem; Gustavo Roth/Folha Imagem Fila em posto do INSS, em São Paulo (SP) – 03/06/2004

Cerca de 1.334 milhão de aposentados e pensionista doInstituto Nacional do Seguro Social (INSS) podem ficar sem receber o benefício referente a março. Segundo a Federação Brasileira dos Bancos, (Febraban) o número se refere ao número de segurados que não fez a chamada prova de vida nos últimos 12 meses.  O bloqueio está previsto na Medida Provisória 871/2019, que instituiu um novo pente fino e medidas para combater pagamentos indevidos e fraudes.

A prova de vida é um procedimento obrigatório desde 2012, porém anteriormente não havia o bloqueio automático de quem deixou de  comparecer ao banco no último ano.

Antes, as suspensões eram realizadas conforme uma agenda definida com base no número do benefício. Cada banco fazia de uma maneira: haviam instituições que utilizam a data do aniversário do beneficiário, outros utilizam a data de aniversário do benefício, e ainda quem convocasse o beneficiário um mês antes do vencimento da última comprovação de vida realizada.

A Febraban esclarece que os beneficiários não precisam ir antes ao banco para liberar a prova de vida. Isso porque quem estiver com o pagamento suspenso pode realizar o desbloqueio no mesmo dia previsto para o depósito do dinheiro na conta. “A liberação é feita na hora, após a realização da prova de vida”, explicou Walter de Faria, diretor adjunto de operações da representante dos bancos.

A folha salarial de março começa a ser paga no dia 25 de março para segurados que recebem um salário mínimo (998 reais). O pagamento segue até o dia 5 de abril.  A data do depósito na conta do do segurado é feita com base no número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador, que aparece depois do traço.

Para fazer a prova de vida, o segurado precisa ter em mãos um documento de identificação. No caso dos bancos que usam a biometria,  o documento não é exigido.  Se aposentado não poder ir ao banco, ele pode nomear um procurador no INSS que faça a prova de vida para ele, informou a federação.

Procurado, o INSS não se posicionou até a publicação desta reportagem.

Pente fino

Além do bloqueio automático dos recursos de segurados que não fizeram a prova de vida, a MP 871, em vigor desde janeiro, estabelece diversas medidas com o objetivo de combater fraudes.

Dentre as ações está a determinação de fazer pente-fino em todos as aposentadorias e pensões que apresentarem indício de irregularidade.  que, na avaliação do governo, apresentarem indícios de irregularidades. Para isso, será pago um bônus de 57,50 reais para os servidores do INSS que analisarem os processos suspeitos.

A MP também determina a revisão de benefícios por incapacidade. como aposentadorias por invalidez e auxílios-doença, que estão há mais de seis meses sem passar por reavaliação médica. A medida endurece o pente-fino realizado pelo governo Temer.

No governo anterior, o chamamento foi feito para segurados que não haviam passado por perícia nos últimos 24 meses. Entre 2016 e 2018. o pente-fino de Temer cortou 727.110 auxílios-doença e aposentadoria por invalidez, após a realização de 1,185 milhão de perícias. A economia estimada foi de 14,5 bilhões de reais.

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