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Ex-presidente da Uefa, Platini é preso por suspeita de corrupção envolvendo a Copa de 2022

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Michel Platini na sede do CAS em 2016 — Foto: REUTERS/Pierre Albouy

Ex-presidente da Uefa, Michel Platini foi preso na manhã desta terça-feira (horário europeu), em Nanterre, subúrbio de Paris, para depor por suspeitas de corrupção envolvendo a Copa de 2022. O ex-jogador francês, de 63 anos, é um dos investigados em operação que averigua possíveis irregularidades na escolha do Catar como sede do próximo Mundial. As informações foram publicadas em primeira mão pelo site “MediaPart”.

Essa detenção deve dificultar os planos do francês, atualmente suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa, de voltar ao futebol. Platini era declaradamente candidato à sucessão de Joseph Blatter como presidente da Fifa antes de os casos de corrupção estourarem em 2015.

Além de Platini, a operação desta terça também mantém sob custódia a ex-conselheira do ex-presidente Nicolas Sarkozy, Sophie Dion, por “suspeita de atos ativos e passivos de suborno”. Claude Gueant, antigo secretário geral do governo, também foi convocado a depor em condição de “suspeito livre” pelo Escritório Central de Luta contra a Corrupção e Infrações Financeiras e Fiscais (OCLCIFF).

A primeira investigação sobre corrupção e conspiração criminal na escolha do Catar como sede da Copa de 2022 foi aberta pela Promotoria Financeira Nacional (PNF) da França em 2016. Em dezembro de 2017 Platini foi ouvido como testemunha e admitiu que votou no Catar em dezembro de 2010, quando o país foi apontado como sede do Mundial.

Segundo o jornal “Le Monde”, o foco da PNF é um almoço organizado no Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em 23 de novembro de 2010. No evento estavam presentes Nicolas Sarkozy, Michel Platini, o Emir do Catar, Tamim Ben Hamad Al Thani, e o então primeiro ministro do emirado, Sheikh Hamad, Bem Jassem.

Platini foi presidente da Uefa de 2007 a 2015, quando foi banido do futebol por oito anos após ser considerado culpado de receber pagamentos indevidos do ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter. Após recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), a punição aplicada pelo Comitê de Ética da Fifa foi reduzida duas vezes até ser definida em quatro anos. Ela se encerrara em outubro deste ano, quando ele poderia voltar a exercer “atividades relacionadas a futebol”.

No início do mês, ele deu uma entrevista coletiva em Paris que foi um ensaio dessa volta à política do esporte. Ele detonou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, de quem foi chefe na Uefa durante nove anos.

– Ele não tem credibilidade para ser presidente da Fifa.

Infantino respondeu numa entrevista coletiva dois dias depois, ao ser reeleito presidente da Fifa até 2023.

– O bonito da democracia é que cada um pode falar o que pensa. Mas para participar do mundo do futebol é preciso seguir certas regras, impostas pelo Comitê de Ética da Fifa e pelo Tribunal Arbitral do Esporte.

A Fifa emitiu nota oficial afirmando que não tem maiores detalhes para comentar a prisão de Platini, mas reitera o total comprometimento com as autoridades de qualquer país do mundo onde haja investigações relacionadas ao futebol.

G1

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Uma vacina contra o HIV chega à última fase de testes pela primeira vez em mais de 10 anos

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Pela primeira vez em mais de 10 anos, um protótipo de vacina contra o HIV chega à última etapa dos ensaios clínicos, a fase 3, que deve determinar se no mundo real ela protege contra a transmissão do vírus que, se não tratado, causa a AIDS. A vacina foi desenvolvida pela Janssen e utiliza a mesma tecnologia que a farmacêutica utilizou em seu imunizante contra a covid-19: um adenovírus modificado para transportar, até o interior das células do indivíduo, o DNA de suas proteínas mais representativas, de modo que o organismo crie anticorpos contra elas. Na verdade, são duas vacinas, uma codificada com três proteínas e outra com quatro, que por ter esta mistura se chamam mosaico, diz Antônio Fernández, pesquisador da Janssen. As duas superaram os estudos de segurança e verificou-se que criam anticorpos, como atesta um artigo na The Lancet, mas resta saber se funcionarão em condições reais. O ensaio durará de 24 a 36 meses, diz Fernández, para verificar a permanência e intensidade da proteção. A tentativa anterior de conseguir uma vacina contra o HIV acabou em 2009, quando se verificou que só evitava 30% das infecções.

José Moltó, da Fundação de Luta Contra a AIDS (FLSida, na sigla em espanhol), com sede em Barcelona, é um dos médicos que vão participar do teste, que começou a recrutar voluntários (serão 250 na Espanha e, ao todo, 3.800 no mundo). Moltó diz que a demora para o desenvolvimento de uma vacina se deve ao fato de o HIV ter uma “enorme variabilidade”. “Ao ser pressionado [pelas células do sistema imunológico], ele muda de aparência externa e escapa”, explica. O que a nova vacina faz é se dirigir a diferentes variantes das proteínas gag, pol e env do vírus, o que dificulta que este fuja da ação dos anticorpos criados. É algo parecido, embora em outro nível, com o que aconteceu há 25 anos com os tratamentos antivirais: começaram a ser eficazes quando vários deles foram combinados, interrompendo assim o ciclo de replicação do vírus em diferentes pontos.

O sucesso desses tratamentos é uma das causas de que hoje se fale menos de HIV e AIDS, apesar de sua prevalência. O Plano Nacional sobre a AIDS na Espanha calcula que no ano passado houve mais de 2.600 novos infectados, em linha com uma tendência de leve queda em relação aos 3.000 ou 3.500 de uma década atrás. Dos 2.600, 85,8% eram homens, e a média de idade de todos os infectados era de 36 anos − mas mesmo assim, segundo o Instituto Nacional de Estatística, com uma mortalidade de mais de 400 pessoas ao ano. O resultado é que cerca de 150.000 pessoas com o HIV vivem hoje na Espanha, segundo a última estimativa do Grupo Espanhol para o Estudo da AIDS (Gesida), um número que aumenta levemente a cada ano.

Essa redução gradual das transmissões fez com que fossem buscados, para o ensaio clínico, voluntários homens ou pessoas trans que tenham relações sexuais com homens ou trans, explica Moltó, já que esse é o grupo populacional onde a incidência é maior (representando mais da metade das novas infecções na Espanha, segundo os dados do plano nacional). Já em outra frente do estudo, a vacina será testada com 1.500 mulheres na África do Sul, já que nesse país a transmissão ocorre majoritariamente por sexo heterossexual. Este teste, chamado Invocodo, é de fase 2 (mede a segurança e a geração de anticorpos), mas, dado o perfil das participantes, também se verá se a vacina tem um efeito protetor real, diz o representante de Janssen. O continente africano representa mais de 40% das novas infecções por HIV no mundo, que são de 1,7 milhão por ano, e a mesma porcentagem de mortes (690.000 no planeta em 2019). Embora o tratamento tenha sido descoberto há 25 anos, o Unaids, programa da ONU para o combate à AIDS, calcula que 12 milhões do total de 38 milhões de pessoas que vivem no mundo com o vírus ainda não o recebam. São as que, com o tempo, poderão desenvolver a AIDS, um conjunto de doenças causadas por agentes infecciosos que uma pessoa com o sistema imunológico não prejudicado rechaça sem que se perceba.

O sucesso dos tratamentos atuais faz com que um comprimido por dia mantenha o vírus sob controle e o reduza tanto que a pessoa infectada não pode transmiti-lo para outra (o que se reflete no lema indetectável = intransmissível), mas esse sucesso também desacelerou as pesquisas recentes para uma vacina, diz Esteban Martínez, presidente do Gesida. Em 2009, a tentativa que chegou mais longe foi descartada após conseguir uma proteção de 30%. Agora, “o padrão com o qual se compara é muito alto”, afirma Martínez. “Há 20 anos, a urgência era maior”, assinala, porque não havia outras alternativas como agora − quando a terapia antiviral para quem já tem o vírus e a chamada profilaxia pré-exposição (Prep, um comprimido que protege do HIV se for tomado antes de relações sem proteção) conseguiram um bom controle da doença a um custo razoável, já que em muitos casos há genéricos dos preparados, destaca Martínez. Ele diz que vê uma série de obstáculos para o desenvolvimento de uma vacina − o custo, a possibilidade de que sua proteção não seja muito duradoura, ou de que a resposta não seja muito intensa, a necessidade de revacinação − e, por isso, embora gostasse que houvesse uma, considera muito difícil e acredita que a prevenção pode ser alcançada por outros meios.

Ramón Espacio, presidente da Coordenadoria Estatal de HIV e AIDS da Espanha (Cesida), acredita que as observações do médico se justificam em países ricos, mas afirma que “tudo dependerá da eficácia da vacina e do regime” da vacinação. Se se conseguir que funcione com uma ou duas picadas que imunizem para a vida toda ou por um período de cinco anos, “será mais confortável e mais aplicável para a população dos países pobres”. Esse é o argumento utilizado também por Fernández, da Janssen: “Pode-se conseguir um custo menor que o dos tratamentos, e pode ser mais fácil de administrar do que confiar que pessoas em lugares onde falta até água potável tomem um comprimido diário”.

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Confusão e emoção marcam início do velório de Maradona na Casa Rosada em Buenos Aires

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Foto: Reprodução / TN TV

O corpo do astro de futebol Diego Maradona começou a ser velado na manhã desta quinta-feira (26) na Casa Rosada, sede do governo da Argentina, na capital Buenos Aires. De acordo com informações da imprensa local uma confusão entre fãs do ex-jogador e policiais foi vista no início do velório. Porém, a situação foi controlada minutos depois. Muitas pessoas choram diante do caixão, que está fechado e coberto com a bandeira nacional, uma camisa do Boca Juniors e outra da seleção. Algumas delas jogam camisas e bandeiras. Muita aglomeração é vista no local, mesmo em meio à pandemia do coronavríus.

A segurança na entrada da Casa Rosada é bastante reforçada e só está sendo permitida a entrada de 20 pessoas por vez. Porém, quando o portão é fechado, os ânimos se exaltam, mas a situação tem sido bem controlada. O presidente da Argentina, Alberto Fernández, cancelou todos os seus compromissos e sua presença no velório está confirmada. Nesta quarta (25), dia da morte do ídolo, ele decretou luto oficial no país por três dias (leia aqui).

O velório de Maradona está programado para terminar às 16h desta quinta. A expectativa é de que um milhão de pessoas vá ao local até o próximo sábado (28). No entanto, a cerimônia realizada na sede do governo é considerada como uma grande honraria no país. Seus companheiros na conquista da Copa do Mundo de 1986 também terão um momento a sós para se despedirem do “El Diez”.

Diego Maradona faleceu aos 60 anos nesta quarta em sua casa (veja aqui). A autópsia preliminar apontou morte por insuficiência cardíaca aguda.

BN

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Coronavírus custou entre 15 e 22 bilhões de dólares a Shell

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© BEN STANSALL

A gigante do petróleo Royal Dutch Shell anunciou nesta terça-feira que seus ativos registraram uma depreciação de entre 15 e 22 bilhões de dólares no segundo trimestre, consequência do impacto da pandemia de coronavírus na demanda e nos preços dos combustíveis.

“No segundo trimestre, a Shell revisou suas perspectivas de valores a médio e longo prazo e suas perspectivas de margens para refletir o impacto da pandemia de COVID-19”, explica a empresa em um comunicado. 

O grupo acrescenta que reavaliou seus ativos tangíveis e intangíveis e registrará “gastos de depreciação de 15 a 22 bilhões de dólares após impostos no segundo trimestre”.

A empresa aposta em um barril de petróleo a 35 dólares este ano, um preço que não permite geralmente aos grandes grupos de petróleo gerar lucros. A Shell prevê um barril a 40 dólares no próximo ano e 50 dólares em 2022.

As cotações do petróleo começaram 2020 ao redor dos 60 dólares, antes de uma queda expressiva em março e abril.

No primeiro trimestre, a Royal Dutch Shell entrou no vermelho devido à queda dos preços do petróleo, o que levou a empresa a reduzir seus dividendos pela primeira vez desde os anos 1940.

AFP

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