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“Governo perde com minha saída”, diz Bia Kicis, retirada da vice-liderança

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© Maryanna Oliveira/Camara dos Deputados

Aliada de primeira hora de Jair Bolsonaro e chamada de “irmãzinha” pelo presidente, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) esperava mais consideração do Planalto no movimento fulminante que a retirou da vice-liderança do governo no Congresso. Ela atribui a destituição do cargo ao seu voto contrário ao Fundeb, em divergência com a orientação do governo. Bia Kicis enxerga com naturalidade a aproximação com o Centrão, com reflexos na ocupação da Esplanada e na formação de uma base governista. Mas lamenta a sua retirada dessa posição estratégica — “O governo perde com minha saída”. Apesar desse dissabor, a parlamentar segue firme na defesa do representante maior do bolsonarismo. Afirma que o doutor Drauzio Varella e outros falaram de “gripezinha”; é da opinião de que o paciente é que deve decidir pelo uso de cloroquina; critica as “violações às garantias individuais” cometidas por governadores e prefeitos na imposição do isolamento social. E ataca com veemência os dois inquéritos do Supremo, sobre fake news e atos antidemocráticos, dos quais consta como investigada. “Querem calar os conservadores. Eu não aceito”. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista ao Correio.

Como recebeu a decisão do presidente de tirá-la da vice-liderança do governo na Câmara?

Recebi com surpresa. Dei um voto contrário a uma orientação do partido na questão do Fundeb, porque votei de acordo com minhas convicções a respeito do tema, e sabia que meu voto não influenciaria em nada o resultado da votação. Eu sabia que o resultado era importante para o governo, mas como não havia risco, optei por fazer uma objeção de consciência. Mas respeito a decisão do presidente de trocar a liderança. Só gostaria que tivesse sido feito de outra forma, que eu não ficasse sabendo pela imprensa.

Sentiu-se traída?

Não me sinto traída. Quando a gente ocupa um cargo como esse, é passível de ser trocado, porque a decisão é sempre de quem nomeia. Por qualquer motivo, a pessoa pode entender que é melhor mexer aqui, mexer ali. E isso não significa triação. Mas o presidente poderia ter tido mais um pouco de delicadeza para comigo, ter me informado para eu não saber pela imprensa. Mas não foi traição.

Mas a destituição da senhora, defensora ardorosa do governo, reforça a tese de que deveria ter havido mais delicadeza.

Eu entendo que deveria ser uma forma mais personalizada, exatamente por ser uma pessoa tão próxima do presidente. É muito comum as pessoas ficarem sabendo de demissão pela imprensa, mas quando você tem uma ligação com a pessoa, é uma questão até de delicadeza ser informada diretamente. Repito: não considero isso uma traição. Mas gostaria de ter sido informada pelo presidente.

A que atribui a decisão dele?

Atribuo ao voto que eu dei. Acredito que algumas pessoas próximas ao presidente talvez não tenham ficado satisfeitas com o fato de eu ter votado assim, sendo vice-líder no Congresso. A votação foi na Câmara, então não estava como vice-líder ali. Eu estava como uma parlamentar normal, do bloco de apoio do presidente.

Como vê a aproximação do Bolsonaro com o Centrão, ocupando cargos no governo que eram destinados à ala mais fiel do presidente?

Esses cargos nunca foram destinados à ala mais fiel do presidente. Esses cargos permaneceram com os ocupantes de outros governos. A verdade é que a Esplanada é ocupada por pessoas ligadas aos governos do PT, do MDB. Não tem praticamente ninguém que seja dos aliados mais ligados ao presidente. Nós não temos cargos na Esplanada. Isso nunca foi uma preocupação do presidente. A gente até acha que deveria ter trocado há mais tempo. Acho que é um movimento natural, quando você quer ampliar a sua base, que estava muito fragmentada, e oferecer cargos para que as pessoas participem mais do governo. O importante é que não haja corrupção. Ocupar os cargos não é problema.

Mas e os cargos de vice-liderança no Congresso?

São muitos vice-líderes. É natural, você não vai botar só os seus aliados mais chegados. Você precisa trazer gente de todos os partidos. Isso é o normal; tanto que na liderança do Congresso, após a saída da Joice Hasselman, eu era a única do PSL. Eu lamento que tenha saído, porque era uma das maiores colaboradoras com o governo em todas as pautas do Congresso. Eu sempre fui muito atuante. Acho que o governo perde com minha saída. Mas, espero que quem entre faça um bom trabalho. Cumpra sua missão.

Continua aliada do presidente?

Completamente aliada do presidente. Nâo existe hipótese de eu romper com ele por causa disso. Posso ficar triste, chateada, mas é impossível romper com ele. O presidente costuma dizer “Ah, você é minha irmãzinha”. Irmãos às vezes têm rusgas, brigam, têm ruídos, mas tudo fica bem.

Recebeu alguma sinalização do Planalto de como poderá colaborar após a destituição?

Não recebi nenhuma sinalização. Não estou esperando por nada de especial. Volto para onde sempre estive, para a base do governo. Apenas sem fazer o trabalho que eu fazia na liderança.

Nas redes sociais, algumas pessoas falaram de forma jocosa: “Está vendo o que aconteceu com Bia Kicis? Protegeu tanto o governo, e vem uma resposta como essa”. Isso a revoltou?

Não, olha: eu também recebi muitas mensagens de carinho, de apoio, de reconhecimento. Não vou ficar me atendo a essas mensagens, porque eu não “protegi” o presidente e agora fui tratada assim. Não gostei da forma como saí, mas estou lutando ao lado do presidente pelo Brasil que eu acredito. Sou uma aliada de primeira hora e vou continuar sendo.

O voto contrário ao Fundeb foi consciente?

Foi um voto consciente. Não significa que tenha sido fácil. Foi muito difícil decidir, na medida em que havia uma orientação do governo, na medida em que eu tinha falado para o major Victor Hugo (líder do governo) que votaria contra, e ele me pediu para votar a favor, para não dividir a base. Eu falei: “Vitor, para mim, é um voto de objeção de consciência. Sou uma pessoa que não acredita em mais Estado para educação. Sou uma pessoa que luta contra a doutrinação nas escolas. Esse modelo do Fundeb não está dando certo. É claro que eu quero que as pessoas sejam atendidas na Educação. O Estado tem o obrigação de dar acesso. Mas, nesse modelo, o Brasil investe muito, e o resultado é péssimo. Eu acredito em outro modelo. Até tentei votar com o governo, mas não consegui. Falou mais alto a minha consciência, porque isso é uma das pautas da minha campanha. Votei honrando o voto de meus eleitores.

Mas a discussão relativa ao Fundeb era voltada a recursos, e não à doutrinação. Os eleitores vão entender isso?

Com relação a investimento, já há muito recurso. Alguém pode dizer “Ah, vai faltar recursos para o ano que vem!” A gente vota uma PEC e prorroga o modelo atual por mais um ano. E vamos repensar o modelo. O problema aí é que nós temos, agora, um modelo cristalizado na Constituição. E eu não concordo com o modelo. Nossa Constituição é muito inchada. Eu, como parlamentar, gostaria que nós pudéssemos desconstitucionalizar muitas matérias. Isso está indo na contramão daquilo que eu acredito. Sou a favor do financiamento; temos que cuidar da educação, trabalhar para que haja qualidade. Mas, não acredito que, botando na Constituição, a gente vai resolver o problema.

Como vê a postura mais tranquila do Bolsonaro?

Acho ótimo ele estar mais tranquilo, mas a gente precisa avançar nas pautas que trouxeram o presidente para o Planalto. Esse acordo que está sendo feito, para aumentar a base no Congresso, é para conseguir aprovar as pautas reformistas, a reforma administrativa, o novo pacto federativo. Tem muita coisa que precisa ser tocada. Então, que esse acordo sirva para o Brasil andar.

Há risco de o presidente tomar uma linha diferente em razão desses acordos, ficar calmo demais?

Não acredito. O presidente tem a missão dele. Sabe o que quer, mas precisou retroceder um pouco porque os projetos não estavam andando. Precisou  mudar a tática. Às vezes você tem de mudar uma tática, mas mantendo o objetivo.

Em relação à covid-19, estamos vivendo uma situação dramática. O presidente exagerou quando falou em “gripezinha”?

O presidente falou em gripezinha, assim como o Drauzio Varella falou em gripezinha, muitas pessoas falaram em gripezinha. E a gente sabe que a dificuldade maior do governo é a comunicação. O presidente às vezes se irrita, fica cansado, é muito atacado pela imprensa, falam muitas mentiras sobre ele. E às vezes ele fala uma coisa, e nem sempre é exatamente aquilo que ele quer dizer. Eu nunca olhei essa pandemia como sendo uma gripezinha. Mas o certo é que 85% das pessoas que serão infectadas passarão sem maiores problemas. No entanto, em torno de 15% terão sintomas mais graves — e até 4% desses 15% podem vir a óbito. Precisamos tomar cuidado. O isolamento, o lockdown tem se mostrado ineficiente, também. A realidade é que estamos vivendo uma coisa nova. Eu não sou médica, não me aventuro a dar conselhos sobres coisa médica. A gente precisa despolitizar a pandemia.

Mas, quando o presidente defende a cloroquina, ele não está politizando a pandemia?

O presidente tem a convicção, porque foi informado por muitos médicos.

Mas, a senhora disse que não é médica. Nem ele é médico.

Eu não sou o presidente. Cada pessoa, com seu médico de confiança, deve decidir o que fazer. Mas isso sou eu. O presidente é o presidente. Não foi só o presidente que politizou. Todo mundo politizou, a esquerda politizou. As pessoas começaram a chamar a cloroquina de “remédio do Bolsonaro”. Então, acho que a coisa não caminhou bem. Eu prefiro tomar outro rumo. Agora, o que mais me espanta não é a questão da cloroquina; são as violações aos direitos, garantias e liberdades individuais. Isso está sendo muito mal conduzido no nosso país. Governadores, prefeitos prendendo pessoas nas ruas; guardas municipais tratando com brutalidade; tirando uma pessoa que está na praia, tomando um sol, sendo que todo médico — a favor ou contra a cloroquina — sabe que a vitamina D e o Sol são essenciais para o combate ao coronavírus. Arrancar a pessoa de uma praia, enfiar em um camburão, levar para a delegacia… Isso é de uma brutalidade. Além de tudo, viola a Constituição.

A senhora é investigada no inquérito das fake news. E há uma discussão sobre o tema no Congresso. Como enxerga isso?

Enxergo com muita preocupação e perplexidade. Estamos vivendo um dos inquéritos mais obscuros deste país. É extremamente preocupante, para mim, que sou advogada, do meio jurídico, ver todas as irregularidades que foram feitas nesse processo. E não importa que o procurador da República tenha ratificado em parte, e que o plenário do Supremo tenha ratificado. Os vícios desse processo não se sanaram porque violam o sistema acusatório brasileiro. Outra coisa: fake news é um crime que não existe. Estão querendo imputar às pessoas um crime que não existe. Fico muito preocupada com esse inquérito, com o outro das manifestações chamadas de antidemocráticas. De antidemocráticas, não têm nada. Povo na rua é que é democracia. Cria-se uma narrativa e as pessoas vão repetindo, até criar uma verdade na cabeça das pessoas, e elas ficam impossibilitadas de enxergar a realidade. Abomino essa prática, essa narrativa. Vou lutar contra isso todos os dias, como cidadã e como parlamentar. Como investigada, fico indignada. Não aceito ser investigada nesse processo, que sei que não fiz prática nenhuma de fake news. O que acontece é que querem calar a minha opinião. Aquelas pessoas que não veem o mundo como eu vejo, que não respeitam a pluralidade de ideias, que não respeitam a democracia — embora digam que sim —, querem calar os conservadores. Eu não aceito.

Correio Braziliense

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Eleições 2020

Justiça Eleitoral indefere candidaturas em Caldeirão Grande, Saúde e Pindobaçu

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A Justiça Eleitoral indeferiu sete pedidos de registro de candidaturas nas cidades de Caldeirão Grande, Saúde e Pindobaçu.  As impugnações foram apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). Segundo o promotor de Justiça Pablo Almeida, todas as candidaturas apresentavam irregularidades.

O candidato a prefeito do Município de Caldeirão Grande, o ex-prefeito João Gama Neto teve o registro impugnado pelo juiz Rodolfo Barros por encontrar-se inelegível. Ele teve as contas rejeitadas nos últimos oito anos pela Câmara de Vereadores, que acompanhou as recomendações contidas em pareceres técnicos do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM) referentes aos anos de 2015 e 2016.

No município de Saúde, por solicitação do MPE, foi indeferida a candidatura da ex-prefeita Marilene Pereira Rocha ao cargo de vice-prefeita. Segundo o promotor de Justiça, ela também se encontra inelegível por ter tido contas rejeitadas nos últimos oito anos pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE), por conta de irregularidades na prestação de contas referente ao Convênio nº 023/2004, firmado entre a Secretaria do Trabalho e Ação Social (Setras) e o Município de Saúde. “A Corte de Contas reconheceu que a impugnada recebeu os valores do convênio e não comprovou sua utilização em estrita obediência das normas pertinentes, caracterizando irregularidade insanável”, registrou Pablo Almeida.

Já o candidato ao cargo de vereador em Saúde, Paulo Pereira da Silva teve seu registro indeferido por não possuir filiação partidária pelo período mínimo estabelecido na legislação.  Em Pindobaçu, foram impugnadas as candidaturas dos concorrentes ao cargo de vereador Miralva Sena, por a ausência de quitação eleitoral por omissão na prestação de contas da campanha relativa às eleições 2008; Lindalva Cruz, ausência de comprovação de filiação partidária até o dia 04 de abril de 2020 no partido requerente, já que nos registros eleitorais ela encontra-se devidamente filiada a outro partido; Agnelton Marcelo Silva, por não ter sido o candidato escolhido em convenção partidária; e Nilson José Liberal, ausência de quitação eleitoral da candidata por omissão na prestação de contas da campanha relativa às eleições de 2016.

Bahia Notícias

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Eleições 2020

Eleições Municipais: Todos os eleitores poderão votar das 7h às 10h

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O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) esclareceu que, nas eleições municipais de 2020, todos os eleitores poderão votar no horário das 7h às 10h. A votação acontecerá no dia 15 de novembro.

Segundo o tribunal, a Justiça Eleitoral indicou que as pessoas nessa faixa etária comparecessem à votação neste horário preferencialmente, mas não há exclusividade.

Este ano, a votação começará uma hora mais cedo. De acordo com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o objetivo é evitar aglomerações em decorrência da pandemia da covid-19.

Espaço Aberto

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Noticias

Candidato a vereador é preso com R$ 15 mil na cueca no interior de Sergipe

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Um candidato a vereador de Carira, no semiárido de Sergipe, foi preso ontem com R$ 15.300 em uma sacola escondida na cueca. Edilvan Messias dos Santos, o Vanzinho de Altos Verdes (PSD), foi detido em flagrante por policiais militares que investigavam uma denúncia de compra de votos no povoado de Altos Verdes, zona rural do município.

O PSD anunciou que investigará o caso. O UOL procurou a defesa do candidato, mas não obteve resposta.

Segundo a PM, o flagrante foi realizado depois que a equipe da 2ª Companhia Militar foi informada, por uma denúncia pelo número 190, que pessoas circulavam em dois veículos no povoado sob a suspeita de comprar votos.

Os policiais foram ao local e, após buscas na região, localizaram os suspeitos por volta das 14h30. Durante a abordagem, os policiais encontraram material de campanha dentro de um dos carros, que estava ocupado por um casal.

Ainda de acordo com a PM, ao ser questionado sobre a procedência do dinheiro, Vanzinho de Altos Verdes informou que havia recebido um pagamento na cidade de Itabaiana (SE) e pretendia usar o valor para comprar um veículo.

O suspeito foi apresentado na Delegacia de Carira, onde foi aberto um inquérito para investigar o caso. O PSD disse que vai apurar o caso e avaliar o que fará com o candidato. A reportagem do UOL tenta contato com a defesa do candidato.

A Secretaria de Segurança Pública do Sergipe informou ainda foi instaurado inquérito para apurar o caso, e que o candidato vai responder em liberdade. A Justiça Eleitoral já foi comunicada do caso.

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

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