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Eleições 2018

Haddad critica Bolsonaro na CBN: ‘Não manifestou solidariedade aos agredidos’

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Os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) foram entrevistados por telefone nesta quinta-feira (11) pela rádio CBN.

Durante 30 minutos, os candidatos responderam perguntas dos jornalistas sobre planos de governo, corrupção e fake news. O petista manteve o tom de ataque ao concorrente e disse que Bolsonaro não se “controlava”.

Questionado sobre quais apoios políticos pretende construir, Haddad argumentou que todo tipo de apoio, explícito ou não, é “contra o pior para o Brasil”. Ele disse que já procurou Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF. “O Joaquim foi fundamental […] Quero os melhores quadros para o combate à corrupção”.

Ainda, relembrou o caso do capoeirista morto em Salvador após ter declarado voto em sua candidatura. “Ele [Bolsonaro] não fez um gesto a família do mestre de capoeira baiano, nenhum telefonema, nenhuma solidariedade, nenhum sentimento de pesar. Isso que é o mais grave”, disse.

Sobre a ausência de Bolsonaro nos debates, Haddad disse que espera um encontro face a face para desmenti-lo sobre informações falsas, como a de que ele estaria distribuindo livros sobre sexo para crianças nas escolas.

Veja os principais destaques da entrevista:

Datafolha e 2º turno

“Há um mês, quando eu fui lançado candidato, eu tava com 4%. Hoje eu estou a 8% da vitória. Eu vou trabalhar para desarmar essa bomba relógio que seria a eleição do meu adversário. Vou demonstrar que o nosso projeto é muito melhor do que o dele, se é que ele tem um projeto, porque até hoje eu só vi a sua defesa de armar a população.”

Debates entre presidenciáveis

“Duas observações: não acredito que ele vá aos debates, ele não tem um plano para o País, ele só promove a violência e acha que tudo se resolve a bala. Mas como é que ele pode participar de uma entrevista, que também é um tipo de debate, e não ir aos debates presidenciais? Ele está dando entrevistas o dia inteiro mas não vai a um debate face a face. Eu queria encontrá-lo para desmentir as mentiras que ele fala sobre mim. Eu estou aqui disponível, tudo que tiver o meu alcance para evitar o pior para o Brasil eu vou fazer.”

Os discursos de ódio na política

“Ele não manifestou nenhuma solidariedade as famílias, isso não é só agressão, é assassinato. Ele não fez um gesto a família do mestre de capoeira baiano, nenhum telefonema, nenhuma solidariedade, nenhum sentimento de pesar. Isso que é o mais grave. Mas o problema é quando você tem uma vida dedicada a violência, ele enaltece a tortura, o estupro, tudo. E ele não é um militante qualquer que fala em nome de um partido, ele quer ser chefe do executivo. Ele não se controla e ao não se controlar, ele não controla mais ninguém. A escalada de violência está ligada ao discurso dele, que não é de hoje. Ele é um homem impróprio para o debate democrático.”

Como unir o País?

“Vou pacificar o País com gestos contrários ao dele. Enquanto ele quer um discurso de violência, eu vou até a CNBB e pergunto o que os católicos do Brasil querem. Eu vou revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista que penaliza os trabalhadores. Mas a gente precisa debater frente a frente. Eu não vou ao debate com outro sentimento que não seja o de esclarecer a opinião pública sobre o que está em jogo nessas eleições. Eu sou professor, a minha arma é o argumento.”

Fake news

“Tem que combater as fake news, eu me disponho a isso. Uma coisa é quando alguém faz uma fake news para te ajudar ou para te atrapalhar. Outra coisa é quando o próprio candidato profere fake news. Saiu da minha boca alguma coisa que o Bolsonaro não fez? Até a Marine Le Pen falou que ele é constrangedor. Agora eu to há 1 mês ouvindo ele dizer que eu distribui material sobre sexo para crianças na escola. E eu não consigo olhar para ele e discutir isso. Como uma professora iria aceitar esse material? Como se lida com uma pessoa assim? Ele é o emissor das fake news, e isso é grave, ele precisa dar o exemplo.”

Autonomia x influência de Lula

“Eu sou uma pessoa que conversa com todo o mundo politíco, inclusive com quem pensa diferente de mim. Eu converso com eles para aprimorar os meus programas e ideias. Quando fui ministro, eu tive toda autonomia para fazer o que eu acreditava. Agora, quem bate continência para a bandeira dos EUA fala grosso? Fala fino com os EUA e fala grosso com o País? Lula foi o melhor presidente da história do Brasil. O que queremos é que ele tenha um julgamento justo, só isso.”

Apoio de outros partidos

“Todas as centrais sindicais apoiam a minha candidatura. O PSB trouxe os governadores eleitos, temos o Boulos (PSol) e o PDT, do jeito deles, deram o apoio e sinalizaram que os trabalhistas vão com Haddad. Eu entendo ele [Ciro Gomes], é a 3ª vez que ele se candidata, então o resultado do 2º turno teve um impacto político. Mas eu estou conversando com outros partidos. Há formas e formas para me apoiar, umas mais explícitas e outras não. Mas todas as formas de apoio são contra o pior para o Brasil. A juventude do PSDB vai apoiar minha candidatura. Eles vão dialogar com o PSDB histórico, que é mais ligado ao [Mario] Covas, e que entendem que Bolsonaro é um risco. Esse é um processo que vai durar até a reta final, assim vamos chegar com o amplo apoio das forças progressistas até as eleições.”

Sobre apoio de Fernando Henrique Cardoso

“Se eu digo que eu quero e ele não dá, é ruim para mim e para ele. Esse acordo é uma construção, tem que ficar claro para sociedade o que está acontecendo. A política não se faz do jeito que vocês estão falando. Ontem eu estive na casa do Joaquim Barbosa. Apesar de ele estar na vida privada, ele tem muito a contribuir para a sociedade e para a democracia. O Joaquim Barbosa foi um dos ministros mais importantes que tivemos, fundamental no último período da historia, mas ele disse que quer ficar no privado, mas que quer ajudar o Brasil. Há muitas formas disso acontecer, sem necessariamente aderir um cargo na vida pública.”

Novo material de campanha e distanciamento de Lula

“Não é um abandono. Deixa começar o horário eleitoral. Eu sei a tradição a que eu pertenço, tenho orgulho da minha trajetória, sei a quem eu devo esses feitos na área da educação. A nossa campanha será calibrada. E eu tenho que usar o horário eleitoral para apresentar as propostas, da previdência, da reforma tributária, da segurança pública. O sujeito não vai ao debate, vocês [jornalistas da CBN] perguntam de tudo menos sobre o programa, então tenho que usar o horário eleitoral. Eu preciso do horário eleitoral para ser mais preciso sobre o meu projeto. Eu sou um gestor público reconhecido até pelos meus adversários. O sujeito tem 28 anos de vida pública, não aprovou nada, e quer ser presidente.”

Economia

“O programa do PT revê os erros que já salientei em inúmeras entrevistas. Faz 3 anos que eu falo disso. Eu fui um crítico das desonerações. Aquilo foi uma roubada da FIESP, que apresentou uma proposta para gerar empregos e não entregou. A minha principal proposta é a reforma tributária […] A segunda proposta é a reforma bancária. Precisamos acabar com esses juros altos que inibem o investimento. E a terceira é a reforma fiscal […] As três medidas juntas vão gerar empregos. Nós já fizemos isso. Eu fui da área econômica do governo lula, que mais gerou emprego nesse País. As pessoas esquecem do meu currículo e do meu serviço prestado ao País.”

Quem vai compor a equipe econômica

“Eu não quero um banqueiro como o Guedes no Ministério da fazenda. Ele não entende de emprego, ele entende de ganhar dinheiro especulando com juros. O nosso ministro será um economista ou empresário. Que tenha condições e sensibilidade social.”

Privatização

“Tem estatais que não serão privatizadas de maneira alguma: Petrobras, Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Embrapa. Elas são estratégicas. Você vai bater continência para os americanos e fazer tudo o que eles querem? Que historia é essa? Isso desonra inclusive a tradição militar. Nós temos uma visão nacionalista, soberania nacional e popular são duas faces da mesma moeda.”

Reforma da previdência

“A previdência pública exige providências imediatas. Precisamos sentar com os governadores e resolver isso. Em uma segunda etapa, você precisa convergir o sistema geral e o sistema público cortando todos os privilégios. Não tem essa de juiz ter privilégio.”

Corrupção

“O sistema antigo que permitia doações de empresas faliu. Felizmente o STF proibiu isso. Mas isso não foi uma questão só do PT, veja como o PSDB foi punido. O Alckmin teve 5% dos votos. Todo dia algum político é atingido. A [Operação] Lava Jato precisa continuar, o apoio a polícia federal e ao ministério público. Eu não fui visitar o Joaquim Barbosa por nada. Eu quero os melhores quadros para aprimorar o combate à corrupção no Brasil.”

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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