novembro 12, 2018 6:59 pm
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Haddad critica Bolsonaro na CBN: ‘Não manifestou solidariedade aos agredidos’

Os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) foram entrevistados por telefone nesta quinta-feira (11) pela rádio CBN.

Durante 30 minutos, os candidatos responderam perguntas dos jornalistas sobre planos de governo, corrupção e fake news. O petista manteve o tom de ataque ao concorrente e disse que Bolsonaro não se “controlava”.

Questionado sobre quais apoios políticos pretende construir, Haddad argumentou que todo tipo de apoio, explícito ou não, é “contra o pior para o Brasil”. Ele disse que já procurou Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF. “O Joaquim foi fundamental […] Quero os melhores quadros para o combate à corrupção”.

Ainda, relembrou o caso do capoeirista morto em Salvador após ter declarado voto em sua candidatura. “Ele [Bolsonaro] não fez um gesto a família do mestre de capoeira baiano, nenhum telefonema, nenhuma solidariedade, nenhum sentimento de pesar. Isso que é o mais grave”, disse.

Sobre a ausência de Bolsonaro nos debates, Haddad disse que espera um encontro face a face para desmenti-lo sobre informações falsas, como a de que ele estaria distribuindo livros sobre sexo para crianças nas escolas.

Veja os principais destaques da entrevista:

Datafolha e 2º turno

“Há um mês, quando eu fui lançado candidato, eu tava com 4%. Hoje eu estou a 8% da vitória. Eu vou trabalhar para desarmar essa bomba relógio que seria a eleição do meu adversário. Vou demonstrar que o nosso projeto é muito melhor do que o dele, se é que ele tem um projeto, porque até hoje eu só vi a sua defesa de armar a população.”

Debates entre presidenciáveis

“Duas observações: não acredito que ele vá aos debates, ele não tem um plano para o País, ele só promove a violência e acha que tudo se resolve a bala. Mas como é que ele pode participar de uma entrevista, que também é um tipo de debate, e não ir aos debates presidenciais? Ele está dando entrevistas o dia inteiro mas não vai a um debate face a face. Eu queria encontrá-lo para desmentir as mentiras que ele fala sobre mim. Eu estou aqui disponível, tudo que tiver o meu alcance para evitar o pior para o Brasil eu vou fazer.”

Os discursos de ódio na política

“Ele não manifestou nenhuma solidariedade as famílias, isso não é só agressão, é assassinato. Ele não fez um gesto a família do mestre de capoeira baiano, nenhum telefonema, nenhuma solidariedade, nenhum sentimento de pesar. Isso que é o mais grave. Mas o problema é quando você tem uma vida dedicada a violência, ele enaltece a tortura, o estupro, tudo. E ele não é um militante qualquer que fala em nome de um partido, ele quer ser chefe do executivo. Ele não se controla e ao não se controlar, ele não controla mais ninguém. A escalada de violência está ligada ao discurso dele, que não é de hoje. Ele é um homem impróprio para o debate democrático.”

Como unir o País?

“Vou pacificar o País com gestos contrários ao dele. Enquanto ele quer um discurso de violência, eu vou até a CNBB e pergunto o que os católicos do Brasil querem. Eu vou revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista que penaliza os trabalhadores. Mas a gente precisa debater frente a frente. Eu não vou ao debate com outro sentimento que não seja o de esclarecer a opinião pública sobre o que está em jogo nessas eleições. Eu sou professor, a minha arma é o argumento.”

Fake news

“Tem que combater as fake news, eu me disponho a isso. Uma coisa é quando alguém faz uma fake news para te ajudar ou para te atrapalhar. Outra coisa é quando o próprio candidato profere fake news. Saiu da minha boca alguma coisa que o Bolsonaro não fez? Até a Marine Le Pen falou que ele é constrangedor. Agora eu to há 1 mês ouvindo ele dizer que eu distribui material sobre sexo para crianças na escola. E eu não consigo olhar para ele e discutir isso. Como uma professora iria aceitar esse material? Como se lida com uma pessoa assim? Ele é o emissor das fake news, e isso é grave, ele precisa dar o exemplo.”

Autonomia x influência de Lula

“Eu sou uma pessoa que conversa com todo o mundo politíco, inclusive com quem pensa diferente de mim. Eu converso com eles para aprimorar os meus programas e ideias. Quando fui ministro, eu tive toda autonomia para fazer o que eu acreditava. Agora, quem bate continência para a bandeira dos EUA fala grosso? Fala fino com os EUA e fala grosso com o País? Lula foi o melhor presidente da história do Brasil. O que queremos é que ele tenha um julgamento justo, só isso.”

Apoio de outros partidos

“Todas as centrais sindicais apoiam a minha candidatura. O PSB trouxe os governadores eleitos, temos o Boulos (PSol) e o PDT, do jeito deles, deram o apoio e sinalizaram que os trabalhistas vão com Haddad. Eu entendo ele [Ciro Gomes], é a 3ª vez que ele se candidata, então o resultado do 2º turno teve um impacto político. Mas eu estou conversando com outros partidos. Há formas e formas para me apoiar, umas mais explícitas e outras não. Mas todas as formas de apoio são contra o pior para o Brasil. A juventude do PSDB vai apoiar minha candidatura. Eles vão dialogar com o PSDB histórico, que é mais ligado ao [Mario] Covas, e que entendem que Bolsonaro é um risco. Esse é um processo que vai durar até a reta final, assim vamos chegar com o amplo apoio das forças progressistas até as eleições.”

Sobre apoio de Fernando Henrique Cardoso

“Se eu digo que eu quero e ele não dá, é ruim para mim e para ele. Esse acordo é uma construção, tem que ficar claro para sociedade o que está acontecendo. A política não se faz do jeito que vocês estão falando. Ontem eu estive na casa do Joaquim Barbosa. Apesar de ele estar na vida privada, ele tem muito a contribuir para a sociedade e para a democracia. O Joaquim Barbosa foi um dos ministros mais importantes que tivemos, fundamental no último período da historia, mas ele disse que quer ficar no privado, mas que quer ajudar o Brasil. Há muitas formas disso acontecer, sem necessariamente aderir um cargo na vida pública.”

Novo material de campanha e distanciamento de Lula

“Não é um abandono. Deixa começar o horário eleitoral. Eu sei a tradição a que eu pertenço, tenho orgulho da minha trajetória, sei a quem eu devo esses feitos na área da educação. A nossa campanha será calibrada. E eu tenho que usar o horário eleitoral para apresentar as propostas, da previdência, da reforma tributária, da segurança pública. O sujeito não vai ao debate, vocês [jornalistas da CBN] perguntam de tudo menos sobre o programa, então tenho que usar o horário eleitoral. Eu preciso do horário eleitoral para ser mais preciso sobre o meu projeto. Eu sou um gestor público reconhecido até pelos meus adversários. O sujeito tem 28 anos de vida pública, não aprovou nada, e quer ser presidente.”

Economia

“O programa do PT revê os erros que já salientei em inúmeras entrevistas. Faz 3 anos que eu falo disso. Eu fui um crítico das desonerações. Aquilo foi uma roubada da FIESP, que apresentou uma proposta para gerar empregos e não entregou. A minha principal proposta é a reforma tributária […] A segunda proposta é a reforma bancária. Precisamos acabar com esses juros altos que inibem o investimento. E a terceira é a reforma fiscal […] As três medidas juntas vão gerar empregos. Nós já fizemos isso. Eu fui da área econômica do governo lula, que mais gerou emprego nesse País. As pessoas esquecem do meu currículo e do meu serviço prestado ao País.”

Quem vai compor a equipe econômica

“Eu não quero um banqueiro como o Guedes no Ministério da fazenda. Ele não entende de emprego, ele entende de ganhar dinheiro especulando com juros. O nosso ministro será um economista ou empresário. Que tenha condições e sensibilidade social.”

Privatização

“Tem estatais que não serão privatizadas de maneira alguma: Petrobras, Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Embrapa. Elas são estratégicas. Você vai bater continência para os americanos e fazer tudo o que eles querem? Que historia é essa? Isso desonra inclusive a tradição militar. Nós temos uma visão nacionalista, soberania nacional e popular são duas faces da mesma moeda.”

Reforma da previdência

“A previdência pública exige providências imediatas. Precisamos sentar com os governadores e resolver isso. Em uma segunda etapa, você precisa convergir o sistema geral e o sistema público cortando todos os privilégios. Não tem essa de juiz ter privilégio.”

Corrupção

“O sistema antigo que permitia doações de empresas faliu. Felizmente o STF proibiu isso. Mas isso não foi uma questão só do PT, veja como o PSDB foi punido. O Alckmin teve 5% dos votos. Todo dia algum político é atingido. A [Operação] Lava Jato precisa continuar, o apoio a polícia federal e ao ministério público. Eu não fui visitar o Joaquim Barbosa por nada. Eu quero os melhores quadros para aprimorar o combate à corrupção no Brasil.”

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