dezembro 11, 2018 1:59 am
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Médicos cubanos começam a deixar o País em 10 dias, diz Embaixada

HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO Ministério da Saúde informou que abrirá edital nos próximos dias para realizar convocação de novos médicos

Os profissionais cubanos integrantes do programa Mais Médicoscomeçarão a deixar o Brasil daqui a dez dias, segundo informou nesta quinta-feira, 15, a Embaixada de Cuba a um representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Na quarta, 14, o governo de Cuba anunciou a saída do programa brasileiro por causa de declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que exigia mudanças nas regras do acordo. Com o fim da parceria, 8,3 mil cubanos terão de deixar o Brasil.

As datas das primeiras partidas dos profissionais foi informada ao presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em reunião realizada nesta quinta entre ele, membros da Embaixada de Cuba e representantes da Organização Panamericana de Saúde (Opas), intermediária do acordo. Segundo o diretor de Comunicação Social do Conasems, Diego Espindola de Ávila, o governo cubano disse ainda que a ideia é que todos os médicos deixem o Brasil até o fim do ano.

“Eles não informaram quantos viajarão no primeiro grupo nem de quais cidades serão. Até porque ainda estão tentando organizar a viagem porque serão necessários muitos voos”, declarou ele, que também é secretário de saúde de Piratini, no Rio Grande do Sul, cidade de 20 mil habitantes onde quatro dos sete médicos dos postos de saúde são cubanos.

“Vai ser um caos para a gente. Metade da população da minha cidade mora na zona rural, que só é atendida pelo programa Saúde da Família (PSF) e hoje só tem cubanos. Os três médicos brasileiros que temos têm jornada de 20 horas semanais e não podem atender pelo PSF (que exige dedicação de 40 horas semanais). O impacto será muito grande”, diz ele.

Secretário do município há 12 anos, ele conta que, antes da chegada dos cubanos, em 2013, apenas 17% dos moradores da cidade tinham cobertura do PSF. Com os médicos estrangeiros, esse índice subiu para 70%. “As comunidades na zona rural ficam a 80 quilômetros do centro da cidade, não tem linha de ônibus, o PSF é importante porque tem visitas domiciliares, acompanhamento”, comenta ele.

Ministério da Saúde afirmou na quarta que lançará um edital emergencial nos próximos dias para tentar repor os médicos cubanos. Disse ainda que estuda outras medidas para a contratação de profissionais, como a negociação de benefícios para graduados em Medicina com o auxílio do programa Fies (financiamento estudantil).

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