Conecte-se conosco

Eleições 2018

Mulheres sem candidato, Ciro em alta no Nordeste e Bolsonaro consolidado: o que diz a nova pesquisa eleitoral

Publicado

em

Reprodução Twitter Flávio Bolsonaro Se facada não aumentou votos de Bolsonaro, o atentado parece ter consolidado preferências no candidato do PSL

Liderança de Ciro no Nordeste, desidratação de Marina, consolidação de Bolsonaro e mulheres em dúvida. Com a saída do ex-presidente Lula da corrida eleitoral, o atentado a faca contra Jair Bolsonaro e as propagandas de rádio e TV em andamento, a pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira mostra uma série de movimentações do eleitorado, que busca se definir em uma das campanhas mais imprevisíveis que o país já enfrentou.

O levantamento mostrou uma oscilação positiva do candidato do PSL, que lidera a corrida ao Planalto. De acordo com o Datafolha, Bolsonaro tem 24% das intenções de voto, contra 22% na pesquisa anterior, de 22 de agosto. 

Em segundo lugar aparece Ciro Gomes (PDT), que subiu de 10% para 13%. Ciro está tecnicamente empatado com Marina Silva (Rede), preferida por 11% dos entrevistados, Geraldo Alckmin (PSDB), com 10%, e Fernando Haddad (PT), com 9%, substituindo Lula.

Os demais candidatos não ultrapassam 3% das intenções de voto. A pesquisa Datafolha ouviu 2.804 pessoas nesta segunda-feira. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

A BBC News Brasil analisou os relatórios e mostra as tendências eleitorais apontadas pelo Datafolha. 

Uma em cada duas mulheres ainda não sabe em quem vai votar

Quando a pergunta é feita sem mostrar uma cartela de respostas, 46% das mulheres dizem não saber em quem votar. É quase o dobro da indefinição entre os homens, de 26%. Como as mulheres representam 52% do eleitorado, é razoável imaginar que elas definirão o pleito.

“A indefinição das mulheres é um dado histórico nas campanhas brasileiras”, diz a cientista política Maria Hermínia de Almeida, da USP. No mesmo período em 2014, o patamar de indecisas ficava em 34%, de acordo com o mesmo instituto.

“A campanha eleitoral começou mais tarde e está muito indefinida. Não são as mulheres que demoram demais, os homens é que são muito afoitos para se definir”, diz Fernandes.

A definição dessa fatia do eleitorado, no entanto, é fundamental para o destino da eleição. “Elas podem não só levar alguém para o segundo turno, mas garantir a vitória desse candidato na disputa”, diz Fernandes. As mulheres, no entanto, não agem como um bloco e as tentativas de capturá-las feitas, sobretudo, por Marina Silva e por Geraldo Alckmin não têm se revertido em intenções de voto. 

Metade do eleitorado feminino rejeita Bolsonaro

Na liderança da rejeição, o ex-capitão tem entre as mulheres seu maior desafio: se 43% dos eleitores dizem que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum, entre as mulheres esse patamar chega a 49%.

Nenhum dos demais candidatos é tão rejeitado pelo eleitorado feminino. O cenário faz do voto em Bolsonaro, uma decisão majoritariamente masculina. Com 24% da preferência na população em geral, entre os homens Bolsonaro atinge 32%, contra 17% das mulheres.

“É uma campanha de homem pra homem. É só arma, violência, ditadura. E Bolsonaro não está muito preocupado, parece que conta com a possibilidade de os maridos influenciarem as mulheres para votarem a favor dele”, diz Almeida. 

Se não ganhou votos após facada, Bolsonaro consolidou preferências

A primeira pesquisa após o atentado a faca contra o candidato do PSL mostrou uma oscilação positiva para o ex-capitão, dentro da margem de erro. Quando perguntados sobre sua escolha sem ver uma lista de candidatos, no entanto, o número de eleitores mencionando Bolsonaro subiu de 15% para 20%.

O crescimento de 5 pontos percentuais em respostas espontâneas significa que o deputado consolidou votos de parte de seus seguidores. Com esse patamar, ele estaria com vaga assegurada no segundo turno.

“A facada consolidou o posicionamento de quem era a favor e o de quem era contra. Aparecer no hospital fazendo sinal das armas não é algo que pegou bem para o eleitorado em geral”, opina Fernandes.

Para Almeida, Bolsonaro demonstra ser uma candidatura de minoria expressiva, mas ainda assim, de nicho. “Com empatia ou sem empatia, a agenda dele é de um candidato de extrema direita, que não é historicamente uma posição majoritária no Brasil.”

Ciro lidera no Nordeste

Ciro e Haddad devem disputar entre si as preferências na região, que concentra quase 27% dos eleitores.

Reprodução Facebook Ciro Gomes Enquanto PT ficou sem candidato, Ciro concentrou agenda no nordeste, o que parece ter surtido efeito em sua intenção de voto

A pesquisa indica que a ofensiva feita por Ciro Gomes no Nordeste vem surtindo efeito. Na região, o ex-governador do Ceará chega a 20% das intenções de voto, o melhor desempenho entre todos os candidatos.

Desde que Lula teve a candidatura impugnada pelo TSE, há 10 dias, o candidato pedetista buscou aproveitar o vácuo e concentrou suas atividades de campanha na região. Passou de 14%, em cenário sem Lula, para 20%. Os números sugerem que Ciro é hoje o principal beneficiário na região da saída de Lula do páreo. No último cenário em que o ex-presidente estava na disputa, Ciro alcançava apenas 5% das intenções de voto entre os nordestinos.

“O PT perdeu um pouco o timing, deixou Ciro solto no nordeste e ficou insistindo no Lula, mas o eleitor já sabe que ele não será candidato. Então, isso cansa um pouco o eleitor e o leva a prestar atenção em outros candidatos”, diz Hilton Fernandes, professor da Faculdade Escola de Sociologia e Política.

Ainda assim, a parada está longe da vitória para Ciro na região: 46% dos eleitores nordestinos admitem que seu voto pode mudar e 52% deles afirmam que votarão com certeza no candidato que Lula indicar. No nordeste, Haddad passou de 5% para 13% nas últimas três semanas. Ele foi confirmado na tarde desta terça-feira como o substituto de Lula.

Por outro lado, Bolsonaro é o candidato a enfrentar a maior dificuldade na região: 51% dos eleitores nordestinos dizem que não votariam de nenhuma maneira no ex-capitão. 

Marina é a que mais pode ‘desidratar’

Se já acumulou a maior queda entre os presidenciáveis nessa nova rodada (de 16% para 11% das preferências), Marina Silva pode ainda esperar por dias piores.

Isso porque os eleitores da candidata da Rede são os que menos estão convictos de sua escolha, entre os cinco primeiros colocados na sondagem.

Nada menos que 71% dos entrevistados que disseram optar por Marina cogitam mudar de voto. No polo oposto, 74% dos eleitores de Jair Bolsonaro se dizem totalmente decididos.

“Vai ser difícil ela recuperar. Marina tinha um recall muito grande por ter participado das duas últimas eleições, mas quando colocada diante de questões controversas, ela diz que vai perguntar ao povo, o que expressa uma fraqueza e impede o eleitor de concordar ou não com ela. Além disso, construiu uma estrutura partidária muito frágil e suas aparições na TV demonstram um certo amadorismo”, diz a cientista política Maria Hermínia Almeida, da USP.

Especialistas citam como exemplo dos problemas de Marina uma das peças propagandísticas em que ela entra em cena carregando uma cadeira e sentando-se, enquanto aparece na tela da TV a seguinte frase: “Marina é corrupta?”. Ao que a candidata responde apenas “não”.

Reprodução Propaganda eleitoral Propaganda de Marina Silva na TV é considerada amadora por especialistas

“É ridículo e não faz sentido com nada do que sabemos de comunicação com o eleitor nem com o momento”, diz Fernandes.

Quando perguntados sobre suas opções de voto útil, os eleitores de Marina migrariam para pelo menos 4 candidatos.

“Mas os maiores beneficiários tendem a ser Ciro e Haddad”, afirma Almeida.

49% dos eleitores votariam com certeza ou poderiam votar no indicado de Lula

Com um número expressivo de eleitores dispostos a votar em um indicado pelo ex-presidente petista, era de se esperar que Haddad surgisse em patamar muito superior aos 9% de preferência que ele apresenta, o que pode acontecer caso a transferência de votos se concretize.

Haddad com máscara de Lula: Haddad terá que revester o potencial de transferência de votos em preferência eleitoral até outubro

Reprodução Facebook Fernando Haddad Haddad terá que revester o potencial de transferência de votos em preferência eleitoral até outubro

No entanto, o número de eleitores que já sabe que Haddad é o candidato de Lula mais do que dobrou de meados de agosto para agora, de 17% para 39%, o que sugere que o eleitor já dispõe de informações e pode ainda estar avaliando a adesão ao petista substituto.

“Existe o potencial de transferência, mas ela não é automática. Agora o eleitor sabe que tem o Haddad, mas nas pesquisas qualitativas começa a surgir o medo, do eleitor que já votou em candidato do Lula e se decepcionou. Já tem eleitor perguntando: ‘será que agora vem o Dilmo?’ Então o desafio do Haddad vai ser vencer essa desconfiança”, diz Fernandes.

Continue Lendo
Clique para comentar

Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

Publicado

em

Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

Continue Lendo

Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

Publicado

em

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

Continue Lendo

Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

Publicado

em

Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

Continue Lendo

Mais Lidas

Copyright © 2019 - Criado por PrecisoCriar | www.precisocriar.com.br