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Eleições 2018

Os programas dos candidatos para resgatar o Brasil

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(A partir de cima, em sentido horário) Os candidatos Luis Inácio Lula da Silva; Henrique Meirelles, Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alckmin

As propostas dos cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas para as eleições presidenciais sobre temas que agitam o país, abalado pela crise econômica, a corrupção e a insegurança:

=== Candidatos, partidos e slogans ===

– LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, 72 anos, ex-presidente (2003-2010) pelo Partido dos Trabalhadores (PT)

SLOGAN: “Lula: o povo feliz de novo”

Lula cumpre uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro e sua candidatura deve ser invalidada. Ele poderá ser substituído por seu companheiro de chapa, Fernando Haddad.

– JAIR BOLSONARO, 63 anos, deputado pelo Partido Social Liberal (PSL), ex-capitão do Exército.

SLOGAN: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”

– MARINA SILVA, 60 anos, do partido Rede Sustentabilidade (REDE), ex-ministra do Meio Ambiente (2003-2008).

SLOGAN: “Um Brasil justo, ético, próspero e sustentável”

– GERALDO ALCKMIN, 65 anos, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ex-governador de São Paulo.

SLOGAN: “O futuro melhor começa agora”

– CIRO GOMES, 60 anos, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ex-ministro da Fazenda (1994) e da Integração Nacional (2003-2006).

SLOGAN: “Para mudar o Brasil”

=== Economia: austeridade e privatizações ===

LULA

. Revogar o congelamento do gasto público e a flexibilização da legislação trabalhista, aprovadas pelo governo de Michel Temer.

. Interromper as privatizações e voltar a impor a participação da Petrobras em projetos petroleiros nas águas profundas do pré-sal.

. Equilibrar as contas do sistema da previdência “a partir do retorno do emprego” e de medidas como o combate à sonegação fiscal.

BOLSONARO

. Reduzir a dívida pública em 20% mediante privatizações, concessões e venda de propriedades da União.

. Criar um sistema paralelo de aposentadoria por capitalização; os brasileiros poderão “optar entre o sistema novo e o antigo”.

MARINA SILVA

. Investimentos estatais em obras de infraestrutura.

. A questão das privatizações “não será tratada com dogmatismo”. Mas “não privatizaremos a Petrobras, o Banco do Brasil nem a Caixa Econômica Federal”.

. “A reforma da previdência é incontornável, o gasto total com benefícios alcança 13% do PIB, excessivamente alto para o nosso perfil etário”.

ALCKMIN

. “Eliminar o déficit público em dois anos”.

. “Privatizar empresas estatais, de maneira criteriosa”.

. “Criar um sistema único de aposentadoria, igualando direitos e abolindo privilégios”.

. “Simplificar o sistema tributário pela substituição de cinco impostos e contribuições por um único tributo: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA)”.

CIRO GOMES

. “Reindustrializar o país é uma das nossas metas principais (…).Isso requer, em um primeiro momento, o acerto das contas do governo, incluindo uma reforma previdenciária, a redução de despesas e uma mudança na composição da carga tributária”.

. “Para manter o controle de nossos recursos naturais estratégicos, todos os campos de petróleo brasileiro vendidos ao exterior pelo Governo Temer após a revogação da Lei de Partilha serão recomprados, com as devidas indenizações”.

. Em entrevistas, Ciro Gomes prometeu favorecer a renegociação de dívidas de particulares pobres.

=== Insegurança: mais armas ou mais controle ==

LULA

. “A política de controle de armas e munições deve ser aprimorada, reforçando seu rastreamento, por meio de rigorosa marcação, nos termos do estatuto do desarmamento”.

. “Na gestão da política nacional, o governo federal vai promover, com governos estaduais e municipais, com foco em inteligência, priorização da vida, controle de armas, repactuação das relações entre polícias e comunidades, prevenção e valorização profissional dos policiais”.

BOLSONARO

. “Reduzir a maioridade penal para 16 anos”.

. Flexibilizar a legislação sobre o porte de armas. “As armas são instrumentos, objetos inertes, que podem ser usadas para matar ou salvar vidas. Isso depende de quem as maneja”.

. “Tipificar como terrorismo as invasões de propiedades rurais e urbanas”.

MARINA SILVA

. Fortalecer a política de controle de armas.

. Propor penas alternativas para reduzir as prisões provisórias.

. Organizar um referendo sobre a descriminalização do consumo de drogas.

. “As Forças Armadas assumirão papel fundamental na defesa de fronteiras, no combate ao contrabando, ao tráfico de drogas, de armas e de pessoas, bem como na proteção do meio ambiente, em especial no combate à biopirataria”.

ALCKMIN

. Combater o crime organizado e o tráfico de armas e drogas com a integração da inteligência de todas as polícias.

. “Criar uma Guarda Nacional como polícia militar federal apta a atuar em todo o território nacional”.

CIRO GOMES

. Coordenar os esforços dos estados para conter o crime, direcionar as polícias federais para o combate às organizações criminosas violentas, controlar o tráfico de armas e drogas, criar uma Polícia de Fronteiras, organizar os esforços na repressão e prevenção ao homicídio e implementar um sistema nacional de inteligência em segurança pública.

=== Corrupção: a política sob suspeita ===

LULA:

. “Aperfeiçoar as leis e procedimentos que garantam cada vez maior transparência e prevenção à corrupção (…) No entanto, a pauta do combate à corrupção não pode servir à criminalização da política”.

BOLSONARO:

. “Propomos um governo decente, diferente de tudo aquilo que nos jogou em uma crise ética, moral e fiscal”.

MARINA SILVA:

. Criminalizar “o caixa dois eleitoral e o enriquecimento ilícito de agentes públicos; acabar com o foro privilegiado e a indicação política para órgãos de controle externo”.

ALCKMIN:

. “Combater o desperdício, reduzindo o número de ministérios e cargos públicos e cortando despesas do Estado, bem como mordomias e privilégios”.

CIRO GOMES:

. “Em caso de qualquer acusação ou denúncia (…), o Ministro ou o ocupante de cargo de confiança se afastará voluntariamente da posição e pedirá uma apuração independente, sem prejuízo das investigações dos órgãos competentes”.

=== Diplomacia: diga-me com quem andas… ===

LULA:

. “Retomar e aprofundar a política externa de integração latino-americana e a cooperação sul-sul (especialmente com a África)”.

BOLSONARO:

. “Deixaremos de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália”.

MARINA SILVA:

.”A partir de um Mercosul moderno e sem barreiras internas, concluir as negociações com a União Europeia e com outros parceiros”.

ALCKMIN:

. “O Brasil vai defender vigorosamente os valores que prezamos internamente, como a democracia e os direitos humanos, em especial na América do Sul”.

CIRO GOMES:

. “Os acordos comerciais precisam priorizar o acesso a novas tecnologias e mercados, ajudando-nos a desenvolver a produção de bens e serviços mais sofisticados”.

AFP

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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