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Polícia Civil tentou comprar confissão de miliciano em caso Marielle, diz Dodge

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@ Carlos Moura (SCO/STF)

Um documento obtido nesta quarta-feira pelo EL PAÍS detalha acusações de falhas e fraudes feitas pela ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge contra as investigações do caso Marielle desenvolvidas pela Polícia Civil do Rio. As acusações foram feitas no pedido de federalização do caso, protocolado por ela no Superior Tribunal de Justiça no último dia em que ocupou o cargo, em setembro. O Tribunal ainda não decidiu sobre o caso e, questionada, a atual Procuradoria Geral, comanda por Augusto Aras, não respondeu se manterá o pedido de federalização, dizendo não adiantar “posicionamentos em temas que podem vir a ser objeto de manifestação de seus membros.”

Mesmo poupando o Ministério Público Estadual do Rio das críticas de falhas e fraudes, Dodge colocou mais peso nas diferenças entre policiais civis, promotores, policiais federais e Ministério Público Federal sobre as linhas de investigação dos possíveis mandantes do crime, que seguem desconhecidos após mais de um ano e meio de investigações, pontuada por sobressaltos e guinadas.

O último capítulo foi a iniciativa de policiais civis e promotores foi verificar se havia o envolvimento do presidente Jair Bolsonaro com os supostos assassinos, porque um porteiro do condomínio afirmou em depoimento que no dia do crime um dos envolvidos, o ex-policial Elcio Queiroz , tinha pedido e obtido autorização do presidente para entrar no seu condomínio. O porteiro disse ainda que esclareceu ao “seu Jair” que Elcio tinha seguido para outra casa e que o presidente tinha respondido que sabia para onde ele tinha ido. No caso, tratava-se da casa do suposto assassino Ronnie Lessa, que já é acusado pelos promotores de ter efetuado os disparos, enquanto Elcio dirigia o carro que emboscou a vereadora. Promotoras convocaram entrevista coletiva nesta quarta-feira para desmentir o depoimento do porteiro e dizer que gravações do condomínio mostram que Elcio, na verdade, pediu autorização e obteve de Lessa para entrar no local.

As divergências sobre o depoimento do porteiro não são exatamente uma novidade em uma investigação marcada por idas e vindas, onde já foram suspeitos um vereador, um miliciano encarcerado no período do assassinato. No documento Dodge argumentou que as investigações da Polícia Civil foram marcadas por fraudes e falhas.

Do “perdão judicial” para milicianos em troca de confissões mentirosas ao delegado que teria orientado falsa testemunha, estes seriam sintomas de um quadro de “contaminação” quase generalizada do aparato policial, diz Dodge no documento.

Com base nesta situação de descalabro, ela solicitou a federalização de parte do caso do assassinato da vereadora e de seu motorista Anderson Gomes. Para a ex-PGR há no Rio uma “relação de promiscuidade” entre as forças de segurança e os milicianos que impede que se chegue aos mandantes do crime.

“Tal contaminação, além de gerar óbvia ineficiência (…) indica que existirão com absoluta certeza atividades deletérias [prejudiciais] feitas por criminosos infiltrados na polícia”, escreveu.

O objetivo dos criminosos seria atrasar a investigação e prejudicar a coleta de provas. “Houve falha e insuficiência do serviço de investigação, e mantém-se ambiente comprometido e desfavorável à apuração isenta dos fatos relativos aos mandantes”, afirma Dodge.

Essas supostas irregularidades cometidas pelos policiais fluminenses ao longo das investigações do caso vieram à tona após a Polícia Federal, a pedido da PGR, instaurar inquérito para apurar eventuais obstruções e fraudes no processo.

Boa parte desse material serviu para embasar o pedido de federalização feito por Dodge, que caso aceito pelo Superior Tribunal de Justiça se limitará a apurar quem são os mandantes: ela denunciou Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro e ex-líder do PMDB na Assembleia Legislativa do Rio, por obstrução das investigações e pediu que ele seja investigado como “arquiteto intelectual” dos assassinatos. No entanto, nesta quarta-feira a promotora Letícia Emily, responsável pelo caso Marielle no Ministério Público do Rio, afirmou que “não há nenhuma prova concreta” da participação de Brazão no crime.

Guerra de versões à parte, Dodge traça um cenário sombrio da situação do Rio de Janeiro. Segundo ela, a investigação da PF é “uma das provas mais contundentes de tal contaminação [das polícias estaduais]”. Neste documento constam “diversas menções ao Escritório do Crime [grupo suspeito de ter assassinado Marielle e Anderson], às milícias espalhadas na cidade, seus homicídios mediante pagamento, participação de policiais ou ex-policiais, em um cenário de plena impunidade”. Mais adiante Dodge afirma que “nem a intervenção federal no Estado do Rio em 2018 conseguiu reverter” este problema.

Em um dos trechos mais emblemáticos do documento, a então PGR afirma que o delegado Giniton Lages, primeiro responsável pelas investigações que apontou Lessa e Elcio como executores, tentou pressionar o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, preso em Bangu I, para que este assumisse ter sido contratado pelo vereador Marcelo Siciliano para matar Marielle. O miliciano teria se recusado. O delegado então teria feito uma contraproposta: se Araújo assumisse apenas ter sido sondado pelo parlamentar para cometer o crime, ele receberia “perdão judicial” e ainda teria dito que em outro processo no qual Curicica era acusado de homicídio ele seria “possivelmente impronunciado”, isto é, não iria a júri.

Segundo o miliciano, Lages teria dito que foi ao presídio “sonhando com sua confissão”. Em maio de 2018 foi ventilada na imprensa a possibilidade de que Araújo firmasse acordo de delação premiada. A proposta do delegado para que o miliciano mentisse para incriminar o vereador Siciliano, no entanto, veio à tona apenas em depoimentos feitos à PF.

Dodge também critica o agente da Delegacia de Homicídios que chefiava as investigações da especializada, porque ele “teria, inclusive, orientado Rodrigo Ferreira, que nitidamente mentiu e atrasou a apuração dos citados homicídios” e “corrigiu detalhes” do falso depoimento que ele prestou.

Os vazamentos de informação, tão comuns em investigações como a Lava Jato, também são criticados por Dodge, e vistos como entraves às investigações do caso Marielle. “A apuração da Polícia Federal atestou a quebra de sigilo das investigações da Polícia Civil, com vazamentos à imprensa de informações cruciais para a busca da verdade sobre os assassinatos”, escreveu a PGR.

EL PAÍS

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‘Não tem mesmo que ter Carnaval’, declara Ivete ao direcionar atenção a ciência e vacina

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Seguindo com a estratégia de divulgação da música “Tá Solteira, mas não tá Sozinha”, lançada na última sexta-feira (29) com Xanddy, a cantora Ivete Sangalo realizou uma live com a influenciadora e humorista GKay. Além de assuntos pessoais, como a importância do agrupamento das mulheres para lidar com o preconceito, a baiana falou sobre a não realização do Carnaval em 2021 por conta dos efeitos da Covid-19. “Não tem mesmo que ter Carnaval. Tem que ter ciência, vacina, o povo sendo vacinado…”, indicou.

Esta não é a primeira vez que a baiana fala do assunto. Em setembro do ano passado, quando ainda era especulação, ela disse: “Faz parte da etiqueta da empatia eu não me deprimir com a ausência do Carnaval, porque esse definitivamente não é o maior problema que nós temos. É preciso ter distanciamento crítico e alguma maturidade”, confessou.

Apesar desse entendimento, a artista, que é uma das maiores expoentes da folia do momo no Brasil, admitiu não ser fácil esse entendimento. “Mas vou te falar: ‘Meu coração fica muito na saudade dessa festa que é muito importante para nós todos”, finalizou. Assista: 

por Júnior Moreira Bordalo

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Brasil aplica 2 milhões de doses e é 8º no ranking de vacinação contra a Covid-19

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O Brasil subiu de posição no ranking da vacinação contra a Covid-19. O pais já imunizou 2 milhões de pessoas e agora é o 8º no mundo com maior número de pessoas vacinadas. Os dados constam no levantamento desta segunda-feira (1º) do projeto “Our World in Data”.

No mundo já são 94 milhões vacinados contra a doença causada pela infecção do novo coronavírus. 

O Brasil subiu da 12ª posição na quinta-feira (28) para a 8ª. 

O país que mais vacinou até o momento são os Estados Unidos, onde 31,12 de pessoas foram imunizadas.

A segunda posição fica com a China (22,77 milhões), em seguida aparecem o Reino Unido (9,47 milhões), Israel (4,74 milhões), Índia (3,74 milhões), Emirados Árabes Unidos (3,33 milhões), Alemanha (2,32 milhões), Brasil (2,07 milhões), Turquia (1,99 milhão) e Itália (1,96 milhão).

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ACM Neto nega acordo com Bolsonaro para indicar ministro da Educação

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O presidente nacional do Democratas, ACM Neto (DEM), voltou a frisar que não negociou qualquer cargo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em texto enviado à imprensa, por meio de sua assessoria, o político baiano diz que “não existe a menor hipótese” de indicar alguém para cargo no governo.

“Isso eu coloquei para o presidente Bolsonaro no primeiro encontro que eu tive com ele, logo depois que ele foi eleito. Não vou indicar um porteiro, um servente para cargo no governo, imagina negociar ministro. Isso não existiu, nem vai existir”, ressalta.

A mensagem é uma resposta à nota publicada pelo portal O Antagonista, relatando que Bolsonaro teria prometido entregar ao DEM a chance de indicar um nome para o Ministério da Educação (MEC) como forma de recompensar o partido pela decisão de não fechar apoio à candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) para a Presidência da Câmara. Os deputados do partido agora estão livres e ao menos a maioria da bancada baiana já declarou apoio a Arthur Lira (PP-AL).

Embora o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se oponha a Bolsonaro nos discursos, o partido afirma ter uma posição de independência. Em mais de uma ocasião, Neto pontuou que os membros do DEM no governo, como a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, foram decisão particular de Bolsonaro, e não fruto de articulação partidária.

Bahia Notícias

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