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Prisão de Queiroz deixa militares reticentes sobre Bolsonaro enquanto Centrão aumenta preço de apoio

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© ADRIANO MACHADO (Reuters)

A pior semana para o Governo Jair Bolsonaro em quase 18 meses de mandato termina com dois alertas para o presidente. O primeiro, o alto oficialato das Forças Armadas não tem mais tanta segurança em apoiá-lo e espera as próximas movimentações para saber que rumo tomar. Por enquanto, joga parado. O segundo, o Centrão cobrará uma fatura cada vez mais alta para barrar eventuais processos de impeachment. Isso significa que ministérios que estão vagos, como Saúde e Educação —dois dos que têm maiores orçamentos na Esplanada—, tornam-se potenciais moedas de troca, que renderiam cerca de 200 votos na Câmara. Para impedir uma eventual destituição são necessários 171.

Desde a última segunda-feira, a gestão Bolsonaro está sob franco ataque. Viu apoiadores serem presos por participação em atos antidemocráticos que pediam o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Encarou o Judiciário autorizando a quebra de sigilo bancário de onze parlamentares governistas suspeitos de financiarem esses atos. E teve de acompanhar calado o STF decretar a legalidade do inquérito das fake news, que tem como alvos principais bolsonaristas que difamam opositores políticos. Para coroar a semana, testemunhou a detenção de Fabrício Queiroz na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wasseff. Queiroz era assessor do senador Flávio Bolsonaro e é investigado sob a suspeita de comandar um esquema de desvio de salário de servidores do gabinete dele enquanto foi deputado estadual no Rio de Janeiro, a rachadinha. Pior ainda, a investigação deixou claro o vínculo de Queiroz com a milícia, o que atinge em cheio o presidente. Foi o advogado da sua família, Frederick Wassef, quem escondeu o ex-assessor de Flávio.

Nesta mesma semana, o presidente ainda demitiu Abraham Weintraub do Ministério da Educação, o que para sua claque soou mal. Nas redes dos militantes mais extremados era comum ver pessoas chamando o agora ex-ministro de herói e dizendo que o presidente errou no caso, ao ceder à pressão do Judiciário. Ferino e desbocado, Weintraub era da ala ideológica da gestão e, em mais de uma ocasião, defendeu a prisão dos “vagabundos” ministros do STF.

Diante desse cenário, a articulação comandada por Bolsonaro para se segurar no cargo só fez aumentar o apetite do Centrão. Desde quarta-feira, o grupo fisiológico ocupa o recriado Ministério das Comunicações, com o deputado Fábio Faria (PSD-RN). Antes já estava em ao menos uma dezena de cargos de segundo e terceiro escalões com orçamentos que passam dos 73 bilhões de reais. Agora, além da Educação e da Saúde, miram as pastas de Infraestrutura e Agricultura. Nessas, contudo, a chance de obterem êxito é menor porque os dois titulares delas gozam de alto prestígio junto ao presidente. Independentemente de quais novos cargos ocuparão, os políticos profissionais do centrão já deram o sinal: “Enquanto houver dinheiro para ser liberado para as nossas bases eleitorais, estaremos com o presidente”. A declaração foi feita por um dos representantes do grupo ao EL PAÍS.

Jogo parado

Entre os militares, a avaliação é de que ainda é preciso esperar qual será a reação prática do mandatário à prisão de Fabrício Queiroz. “Já foi pedido para o presidente não radicalizar mais. Vamos ver como ele vai se mexer”, afirmou um dos militares com acesso ao Palácio do Planalto. A principal preocupação de Bolsonaro é que Queiroz faça um acordo de delação premiada no qual aponte eventuais elos entre sua família e milicianos do Rio de Janeiro com os quais o ex-assessor possui vínculos.

Dois especialistas consultados pela reportagem se dividiram quanto ao apoio do generalato ao Governo. “Na minha percepção, os militares estão esperando um golpe de misericórdia. A base da árvore está apodrecendo e basta um empurrãozinho para ela cair”, disse o doutor em relações internacionais David Almstadter Magalhães, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em São Paulo.

“A não ser que ocorra algo, extremamente catastrófico com algum escândalo relacionado às Forças Armadas, acho muito difícil que os militares mudem de opinião sobre o apoio ao Governo”, afirmou o doutor em ciência política Lucas Rezende, professor na Universidade Federal de Santa Catarina. Rezende ressalta, porém, que a movimentação dos militares também é calculada porque em uma eventual destituição o ocupante do Palácio do Planalto será outro militar, o general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB).

O que tanto Rezende quanto Magalhães coincidem é que Bolsonaro nunca foi uma unanimidade entre os militares. Desde o início de sua gestão, ele tem se dividido entre os fardados mais pragmáticos e legalistas e os que aceitaram se aproximar do braço ideológico influenciado pelo escritor Olavo de Carvalho. A estratégia para comprar esse apoio é parecida com a usada junto aos políticos do centrão: ceder espaços. Dos 23 ministérios, 10 são ocupados por militares ou ex-militares. Levantamento do site Poder 360 publicado nesta semana mostra que há 2.930 militares cedidas ao Poder Público. É o maior número desde a ditadura militar.

O que parece ter arrefecido, por enquanto, é uma espécie de autogolpe que o presidente vinha estimulando nas últimas semanas. “O prestígio social do presidente entra em processo de decomposição. Daqui pra frente, qualquer tentativa dele se valer dos militares para fazer chantagem golpista é blefe”, avaliou Magalhães. Na avaliação de Rezende, no entanto, ainda não estaria descartada um confronto civil armado entre apoiadores e opositores do presidente. Tudo a depender dos próximos movimentos das peças nesse tabuleiro político-jurídico-militar.

EL PAÍS

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Além de Bolsonaro, covid atingiu ministros, parlamentares e quase 30% dos governadores

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Além do presidente Jair Bolsonaro, que foi diagnosticado com a covid-19 na última terça-feira, 7, pelo menos 12 integrantes dos três Poderes já tiveram a doença. Nos executivos estaduais, quase 30% dos governadores do País foram contaminados, entre eles o adversário de Bolsonaro, Wilson Witzel (PSC). Na lista de infectados há ainda os prefeitos de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), e Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

© TV BRASIL/REPRODUÇÃO

Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Bento Albuquerque, de Minas e Energia, foram os únicos ministros do governo acometidos pela covid-19 até agora. Depois do diagnóstico de Bolsonaro, ao menos 13 ministros que se encontraram com ele também fizeram exames.

Tanto Heleno como Albuquerque foram infectados na comitiva de Bolsonaro aos Estados Unidos em março deste ano. Com direito a jantar no sul da Flórida na presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a viagem deixou mais de 20 pessoas infectadas, incluindo o secretário de comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, com quem Bolsonaro teve contato.

Antes de divulgar o teste positivo nesta terça, o mandatário chegou a realizar três testes, mas afirmou que todos deram negativos. O presidente decidiu repetir o exame na última segunda após ter febre de 38ºC.

Grupo de risco pela idade – de 65 anos -, Bolsonaro tem usado a doença para fazer ‘propaganda’ da hidroxicloroquina, medicamento que ele diz já estar tomando, mas que não tem comprovação de eficácia para o coronavírus.

No Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e o parlamentar Nelsinho Trad já tiveram a doença. Trad esteve na comitiva com Bolsonaro e chegou a ficar internado no Hospital Sírio Libanês de Brasília.

Adversário do presidente, o governador do Rio anunciou que foi diagnosticado no dia 14 de março, depois de sentir febre, dor de garganta e perda de olfato. O mandatário fluminense não teve grandes complicações, mas relatou em vídeo divulgado em suas redes sociais que a doença não é “igual a qualquer outra”.

Além dele, foram infectados pela covid-19 os governadores Carlos Moisés (PSL), de Santa Catarina, Mauro Mendes (DEM), de Mato Grosso, Helder Barbalho (MDB), do Pará, Renan Filho (MDB), de Alagoas, Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco, Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo, e Antonio Denarium (PSL), de Roraima. O caso mais recente é o de Santa Catarina, que fez o anúncio no dia 1° de julho.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, foi um dos casos de maior gravidade entre os políticos. Aos 74 anos, ele foi contaminado pelo vírus e está com 30% do pulmão comprometido. Apesar disso, vem se recuperando bem. Na última segunda, ele divulgou que vai dar continuidade ao tratamento em São Paulo, no Hospital Sírio Libanês.

Bruno Covas, prefeito da capital paulistana, recebeu o diagnóstico positivo, mas não apresentou sintomas da doença. Ele vinha fazendo exames periódicos por causa do tratamento de um câncer no sistema digestivo.

Casos internacionais

Bolsonaro não foi o único presidente cujo teste para o novo coronavírus deu positivo. Outros chefes de Estado e políticos de outros países também tiveram a doença, incluindo Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, e Juan Orlando Hernández, presidente de Honduras.

Estadão


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Senado aprova projeto de indenização para profissionais de saúde

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© Reuters

O Senado aprovou nesta terça-feira, 7, projeto que garante o pagamento de indenização a profissionais de saúde que ficarem incapacitados para o trabalho depois de serem contaminados pelo novo coronavírus. O texto passou por mudanças na Casa com o relatório do senador Otto Alencar (PSD-BA) e, por isso, retornará para análise da Câmara dos Deputados.

A proposta determina o pagamento, pela União, de compensação financeira de R$ 50 mil aos profissionais e trabalhadores de saúde incapacitados permanentemente para o trabalho após contaminação pela covid-19. A indenização se aplica também no caso de morte pela doença, sendo paga a dependentes, cônjuge ou herdeiros dos profissionais.

Emenda do relator incluiu no texto outras categorias que podem receber a indenização, como fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e profissionais que trabalham com testagem nos laboratórios de análises clínicas. Em caso de morte do profissional, o relator acrescentou a possibilidade de pagamento para filhos ou dependentes até 24 anos caso cursem o ensino superior. Originalmente o texto previa a indenização para os filhos ou dependentes com até 21 anos.

Notícias ao Minuto

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Bolsonaro veta obrigatoriedade de máscaras em espaços públicos fechados

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© Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A lei federal que obriga o uso de máscaras foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro com inúmeros vetos. A decisão publicada na madrugada desta sexta-feira, 3, no Diário Oficial da União, desobriga o uso de máscaras em espaços fechados, como órgãos públicos, comércios, indústrias, igrejas e templos.

A justificativa do presidente para o veto é que o trecho “incorre em possível violação de domicílio”.

Outra decisão de Bolsonaro estabelece que os estabelecimentos não serão obrigados a fornecer máscaras gratuitamente a seus funcionários, assim como também não deverá ser imposto ao poder público o fornecimento do equipamento à população mais pobre.

Bolsonaro também excluiu  trecho do texto que previa o agravamento da punição para infratores reincidentes ou que deixassem de usar máscara em ambientes fechados.

Embora a máscara seja recomendação das autoridades de saúde como uma das formas de evitar a propagação do novo coronavírus, vários governadores e o próprio presidente já contrariou as orientações. Por inúmeras vezes, Bolsonaro apareceu em público sem o item de proteção.

Catraca Livre

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