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Eleições 2018

PT subestimou poder do WhatsApp na campanha, admite Gleisi Hoffmann

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Dida Sampaio/Estadão Para presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffman, partido subestimou poder do WhatsApp na campanha presidencial.

A cerca de dez dias do segundo turno das eleições, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, admitiu que o partido subestimou o poder do WhatsApp na campanha presidencial. Em conversa com a imprensa nesta quarta-feira, a petista disse que o partido não se preparou para enfrentar Jair Bolsonaro (PSL) neste segmento da comunicação, no qual o adversário construiu uma relação “direta” com a população, de acordo com avaliação da senadora paranaense.

“Ele (Bolsonaro) utilizou de outros instrumentos para se comunicar direto com o povo, essa coisa das redes sociais e principalmente o WhatsApp, o levou a se comunicar (direto). Eu diria que a comunicação popular do Bolsonaro é organizada, orquestrada e construída, diferente do Lula que é um líder popular nato. O Bolsonaro construiu isso”, disse. “A gente já tinha isso mais ou menos no radar, por conta da campanha do (Donald) Trump, mas não nos preparamos devidamente. Aí tem um erro do PT, de termos subestimado – não as forças das redes sociais tradicionais, nós disputamos bem (nesse campo). Não nos preparamos para esta questão do WhatsApp”, explicou.

Apesar de admitir essa fraqueza da campanha de Fernando Haddad (PT), Gleisi ainda mantém o discurso de que é possível ganhar no segundo turno. Ela afirmou também que, passado o pleito, as forças progressistas precisam se reunir para avaliar como resistir aos retrocessos que serão apresentados no Congresso Nacional.

“Nós temos que voltar a conversa (forças progressistas). Já tinha um fórum de conversa entre os partidos, isso tem continuado. Fizemos a reunião lá no PSB (na segunda-feira). Passada a eleição, temos que fazer avaliação das forças no Congresso Nacional, das forças que estão aqui. Teve uma bancada conservadora grande que foi eleita, isso vai ter impacto nas decisões da Casa. Acho que a bancada mais popular e progressista tem que se organizar, para poder resistir e fazer enfrentamento”, argumentou.

Uma das preocupações da senadora petista é com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado no âmbito da Operação Lava Jato. Gleisi admite que quanto mais forças os “conservadores” tiverem, mais difícil será a libertação do petista.

“Não quero contar com essa hipótese (Bolsonaro vencer), mas obviamente que as forças do atraso vão fazer de tudo para que Lula não seja solto. E quanto mais poder essas forças tiverem, mais difícil vai ser Lula ter liberdade porque é quase um troféu para as forças conservadoras. Se eles têm como proposta programática destruir o PT, obviamente vão dificultar o máximo (a soltura de Lula) e vão para cima do Poder Judiciário”, disse.

Sobre o episódio envolvendo os irmãos Ciro e Cid Gomes, Gleisi refuta qualquer culpa petista no episódio que tirou do PDT as chances de aliança com o PSB, ainda no início da campanha presidencial. O caso é tido como o epicentro da rusgas entre PT e a campanha de Ciro Gomes (PDT). Na época, os petistas retiraram candidaturas próprias em Estados estratégicos para beneficiar os socialistas. Em troca, se comprometeram a não apoiar Ciro nacionalmente e ficaram neutros. No último capítulo desse ressentimento entre as duas legendas, o senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) criticou o PT publicamente por não “reconhecer erros”.

“Querido, o PT disputa eleição, tem um projeto. E a disputa eleitoral pressupõe você estabelecer maiorias através do voto. Se nós temos maioria, nós temos que exercer essa prerrogativa. Não nos cabe pedir desculpas por termos ido ao segundo turno, por termos feito articulações políticas que nos levaram ao segundo turno. Isso é da natureza dos partidos políticos. Fizemos as articulações que achávamos corretas para disputar o processo eleitoral. O povo entendeu essas articulações como corretas e nos colocou no segundo turno”, rebateu a senadora.

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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