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Eleições 2018

Quanto vale cada vice na eleição presidencial mais pulverizada desde 1989

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O Palácio do Planalto

Na eleição presidencial mais pulverizada desde 1980, os candidatos, em sua maioria e com exceção de Geraldo Alckmin, tiveram dificuldade em fazer amplas alianças. A situação acabou se refletindo na escolha dos vices: eles atraem poucos novos votos ou acabam transitando no mesmo campo ideológico que o cabeça de chapa. Abaixo, uma análise das composições dos principais concorrentes à Presidência da República neste ano feita por dois cientistas políticos entrevistados pelo EL PAÍS: Flávia Biroli e Paulo César Nascimento, ambos professores da Universidade de Brasília. “Digamos que se Bolsonaro tivesse conseguido mobilizar uma mulher conservadora, talvez passasse uma mensagem ao eleitorado feminino de que há alguma abertura”, diz Biroli a respeito da dificuldade do candidato de extrema-direita com o eleitorado feminino. “O vice nem sempre busca agregar em votos, mas em alianças. O povão não está nem aí para o vice”, pondera Nascimento.

Lula – Haddad – Manuela

Com seu candidato preso e condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em segunda instância, o PT lançou uma chapa tripla, com uma espécie de candidatos virtuais. A primeira formação é com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encabeçando, tendo como suplente o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Como a candidatura de Lulaprovavelmente será vetada pela Justiça por ele ter infringido a Lei da Ficha Limpa, Haddad assumiria a candidatura e a deputada estadual gaúcha Manuela D’ávila (PCdoB) passaria a ser a vice. A chapa ficou composta pelo PT, PCdoB, PROS e PCO.

Flávia Biroli – “O espaço do possível nessas eleições explica muita coisa. O PT não conseguiu ampliar suas alianças. Embora, pouco conhecida nacionalmente, a Manuela é uma política com grande potencial. Agrega como mulher jovem e dialoga com a base ideológica que é a mais forte do PT. Por outro lado, ela abre menos uma perspectiva desse eleitorado que já vota em Lula”.

Paulo César Nascimento –Lula não quer perder o grande poder que ele tem sobre o PT. Por isso, estica ao máximo a definição do seu candidato real. Com a Manuela sendo plano B para a vice, amplia-se o tempo de TV e segura um partido de esquerda que estava querendo alçar voo próprio. Já o Haddad tem penetração em certos setores muito maior que o Lula. Ele é um intelectual, menos truculento, sem rabo preso. É uma pessoa que melhora a imagem do PT”.

Bolsonaro – Mourão

Jair Bolsonaro (PSL) tentou ter outro vice. Primeiro ouviu um não do senador Magno Malta (PR). Depois, do PRP, do general Augusto Heleno. Foi rejeitado pelo também general Hamilton Mourão (PRTB) e pela advogada Janaína Paschoal (PSL). Sondou o herdeiro da família real Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL), mas não se definiu por ele. E voltou a instituir no general Mourão, um defensor da ditadura militar que já chegou a defender uma intervenção militar no Brasil durante os anos de crise do Governo Dilma Rousseff. Acabou consolidando uma chapa puro sangue militar. A coligação abrange o PSL e o PRTB.

Flávia Biroli – “A escolha do general aponta para uma confirmação da identidade principal do candidato até esse momento na relação com o eleitorado. Ele não trouxe para vice alguém que permitisse ampliar o escopo do eleitorado. Pelo contrário. Digamos que ele tivesse conseguido mobilizar uma mulher conservadora, talvez passasse uma mensagem ao eleitorado feminino de que há alguma abertura”.

Paulo César Nascimento – “O Bolsonaro é um caso de desespero. A escolha pelo general Mourão tem como objetivo aumentar sua penetração nas Forças Armadas. E só. O fato de ele ter sido só capitão, não garantiria os votos da área militar. Com um general ajuda a fortalecer nesse sentido, mas também o enfraquece por não ter uma ampliação do leque”.

Marina – Eduardo Jorge

Com seu discurso de renovação da política, poucos recursos e uma bancada minúscula, a REDE reduziu a possibilidade de firmar alianças. Na reta final das convenções, a ex-senadora Marina Silva (REDE) conseguiu confirmar um vice, seu antigo colega no parlamento Eduardo Jorge (PV). Ambos já foram filiados ao PT e defendem causas ambientais. Além disso, a fundadora da REDE já concorreu ao Planalto pelo PV, em 2010, o que facilitou a aproximação com a legenda. A aliança envolve apenas REDE e PV.

Flávia Biroli – “O Eduardo Jorge é um ambientalista que, em alguns aspectos, tem uma trajetória diferente da de Marina Silva. Ele teve um papel importante na Câmara quando havia possibilidade de se avançar na descriminalização do aborto no Brasil. Hoje o PV é um partido conservador. E Eduardo não é. Ao mesmo tempo, ele também traz a mesma marca com perspectiva ambiental. É uma soma que mais reforça um pensamento do que amplia”.

Paulo César Nascimento – “Foi uma escolha razoável dado a falta de opção. Se ela ampliasse para alguém do Centrão, por exemplo, ela se desmoralizaria completamente. Ela tem essa coisa messiânica, pureza de ética, que teria essa dificuldade grande em ampliar. O PV consegue ampliar seu tempo de TV e reforça a ideia do ambientalismo”.

Ciro – Kátia Abreu

O ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) paquerou um grupo de cinco partidos do centrão e dois da esquerda, PSB e PCdoB. Viu ao menos três balões de ensaio serem lançados como seus possíveis vices: Manuela D’ávila (PCdoB), Márcio Lacerda (PSB) e Benjamin Steinbruch (PP). Acabou caindo em uma armadilha feita pelo centrão, que decidiu apoiar Geraldo Alckmin (PSDB). E em outra arapuca armada pelo PT, mas que envolvia o PCdoB e o PSB. O primeiro se coligou com os petistas. O outro, fez um acordo de não agressão com Lula e decidiu não apoiar ninguém. Ciro ficou isolado e recorreu a uma solução caseira. Sua vice é a senadora tocantinense Kátia Abreu (PDT), que já recebeu o “prêmio de motosserra de ouro” da ONG Greenpeace por agir contra a ampliação de unidades de conservação ambiental e de terras indígenas pelo país. Ela é membro da bancada ruralista e já foi ministra da Agricultura de Dilma Rousseff (PT). A coligação tem PDT e AVANTE (antigo PTdoB).

Flávia Biroli – “A centro esquerda que vê o Ciro como alguém capaz de trazer um projeto de caráter social fica em dúvida sobre o significado de se ter Katia Abreu como vice por causa de sua relação com o ruralismo. Ela é uma política complexa. Tenho dúvidas de que ela seja um aceno para direita que não votaria em Ciro e acho que não é uma figura simpática para a centro esquerda”.

Paulo César Nascimento – “A Kátia Abreu não tem a retórica tão radical como a de Ciro. É ligada ao ruralismo e, ao mesmo tempo, se aproximou muito do PT. Talvez o favoreça para penetrar nesse eleitorado do agronegócio assim como para pescar nas águas do petismo”.

Alckmin – Ana Amélia

Ao patinar nas pesquisas eleitorais e enfrentar resistências internas – alguns de seus correligionários queriam trocar sua candidatura pela de João Doria – o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu se firmar como o concorrente com a maior coligação nacional possível. São nove partidos juntos. Sua dificuldade nas últimas semanas foi a de escolher o seu vice. Ouviu um não do empresário Josué Alencar (PR) e tentou encontrar algum nome de peso na região Nordeste. Não conseguiu e optou pela senadora gaúcha Ana Amélia Lemos (PP). Ter uma postura conservadora, ser mulher e ligada ao agronegócio pesou na escolha. A coligação ficou assim: PSDB, PP, PR, PRB, DEM, SD, PPS, PSD e PTB.

Flávia Biroli – “O Alckmin apontou para o Rio Grande do Sul que é um Estado que tem se mostrado bastante conservador em suas intenções de voto recentemente. A disputa dele é sobretudo com Bolsonaro. Por isso escolheu uma mulher conservadora para tentar virar os votos do Bolsonaro. Podem dizer que ele não está preocupado com Norte e Nordeste, mas vários políticos de sua coligação são de lá. E isso pode ajudá-lo, desde que se empenhem na campanha”.

Paulo César Nascimento – “O vice nem sempre busca agregar em votos, mas em alianças. O povão não está nem aí para o vice. O candidato também se importa mais em ganhar tempo de TV e recursos. É esse o movimento feito pelo PSDB, pela escolha da Ana Amélia. Acredito que poderia deter o avanço do Álvaro Dias (PODEMOS) na região Sul e agregar também do lado do agronegócio e por ser mulher”.

Disputa registra o maior número de candidatos desde 1989

Ao todo, há 13 candidaturas ao Palácio do Planalto. É o maior número de concorrentes desde 1989, quando houve 22 candidatos à Presidência da República. Além dessas cinco principais, ainda disputam o pleito as seguintes coligações:

– Álvaro Dias (PODEMOS) e Paulo Rabello de Castro (PSC);

– Guilherme Boulos (PSOL) e Sonia Guajajara (PSOL);

– Henrique Meirelles (MDB) e Germano Rigotto (MDB);

– João Amoêdo (NOVO) e Christian Lohbauer (NOVO);

– Cabo Daciolo (PATRIOTA) e Sulene Nascimento (PATRIOTA);

– José Maria Eymael (DC) e Helvio Costa (DC);

– João Vicente Goulart (PPL) e Léo Alves (PPL);

– Vera Lúcia (PSTU) e Hertz Dias (PSTU).

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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