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Quem deve disputar o comando do Congresso e por que isso é importante para Bolsonaro

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© Pedro França/Ag. Senado Em entrevista nesta quinta ao SBT, Bolsonaro disse esperar que o candidato apoiado por seu partido ganhe eleição no Congresso para que ‘coloque em pauta as matérias que porventura viemos a apresentar’

De olho na disputa para o comando da Câmara e do Senado, a ordem do presidente Jair Bolsonaro aos correligionários do PSL e a aliados de primeira linha dada em dezembro era a de observar e não levantar, ao menos por enquanto, bandeira para nenhum candidato.

“É como a gente brinca no quartel: ouvir muito, falar pouco e não assinar p***a nenhuma”, diz o recém-eleito senador Major Olímpio (PSL-SP), um dos articuladores do PSL e aliado de Bolsonaro no Congresso.

Deputado federal, Olímpio foi eleito senador por São Paulo e teve o nome lançado pelo PSL para já estrear na nova Casa concorrendo à Presidência do Senado.

Segundo Olímpio, na reunião com a bancada do PSL no começo de dezembro, Bolsonaro alertou que a eleição no Congresso é um processo dinâmico, que candidatos se retiram da disputa e novos nomes podem surgir até 1° de fevereiro – data da eleição para escolher os presidentes das duas Casas.

Por isso, Bolsonaro reiterou no encontro que não pretendia, por ora, vincular o apoio do governo a um candidato específico. O então presidente eleito dizia esperar o mesmo do PSL.

No entanto, um dia depois da posse de Bolsonaro, o partido do presidente anunciou apoio à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidência da Câmara e lançou o nome de Major Olímpio para comandar o Senado.

Em entrevista ao SBT na quinta-feira, Bolsonaro disse que não queria se envolver na disputa, mas que esperava que o candidato apoiado por seu partido ganhasse a eleição no Congresso para que ‘coloque em pauta as matérias que porventura viemos a apresentar’.

Em troca do apoio do PSL, Maia teria prometido ao partido o comando da mais disputada comissão permanente da Casa, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – por onde passam todas proposições para análise de constitucionalidade.

© Reuters A ordem do presidente Jair Bolsonaro aos correligionários do PSL e a aliados de primeira linha é simples e direta: ouvir mais que falar e não levantar, ao menos por enquanto, bandeira para nenhum candidato.

Disputa crucial

Apesar do distanciamento do presidente, a disputa no Legislativo é considerada crucial uma vez que os presidentes da Câmara e do Senado podem embalar ou atrapalhar o andamento do governo.

No comando das duas Casas, os presidentes têm autoridade para, por exemplo, definir a pauta de votações, escalar relatores de proposições importantes e até emperrar abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

Além disso, os presidentes da Câmara e do Senado estão, nesta ordem, na linha de sucessão presidencial. Na ausência do titular e do vice-presidente, são eles que assumem a Presidência da República.

Outro ponto importante: é o presidente da Câmara quem aceita ou rejeita eventuais pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo – algo que a Dilma Rousseff aprendeu após sua disputa com Eduardo Cunha.

Cientes da importância do Legislativo para o funcionamento do governo Bolsonaro, muitos postulantes ao comando da Câmara e do Senado ainda esperam por um aceno do novo presidente às vésperas da eleição.

O próprio PSL cogitou lançar candidato próprio ao comando da Câmara, mas preferiu um acordo para investir na formação de um bloco majoritário que o apoiasse Bolsonaro no Congresso para aprovar matérias de interesse do governo.

Considerada prioridade, a reforma da Previdência deve ser apresentada já em fevereiro, com o Congresso sob novo comando. Bolsonaro já declarou que quer ver o Congresso votando propostas de interesse do governo relacionadas à Previdência e à privatização de estatais nos seis primeiros meses do mandato.

Para isso, o presidente depende não apenas da organização da base para acelerar a análise das propostas, como dos presidentes das duas Casas – que têm autoridade para priorizar votações.

‘Velha política’ no Senado

Oito nomes se movimentam em cada Casa de olho na principal cadeira do plenário.

No Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) é considerado o favorito para a presidência da Casa se a eleição for secreta – mas, em 19 de dezembro, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, determinou, por meio de uma liminar, que a disputa para os cargos da Mesa Diretora do Senado seja por meio de votação aberta.

© Marcos Brandão/Agência Senado No Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) é considerado o favorito se a eleição for secreta

Mas Calheiros, que articula para voltar a comandar o Senado pela quarta vez, não é o nome preferido do governo, tampouco dos aliados de Bolsonaro. O senador alagoano também enfrenta resistência da ala governista e do próprio MDB.

De acordo com Major Olímpio, Calheiros é “a cara da velha política”. Dentro do MDB, o senador disputa a vaga com Simone Tebet (MS), que quer ser a primeira mulher a comandar o Senado.

Há ainda outros quatro senadores que tentam se colocar como representantes do espírito de mudança e conservadorismo que marcou as eleições gerais de outubro. São nomes como os Álvaro Dias (Podemos-PR), Esperidião Amin (PP-SC), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e David Alcolumbre (DEM-AP), que buscam se viabilizar como candidatos com o apoio do governo Bolsonaro e do PSL.

No fim de dezembro, Major Olímpio afirmou à reportagem da BBC News Brasil que a intenção na Casa é construir um bloco de oposição à candidatura de Renan Calheiros. Ele contou ainda que estava conversado com os demais postulantes sobre a possibilidade de uma candidatura unificada. 

‘Missão dada é missão cumprida’

Mas logo após a posse de Bolsonaro, Olímpio passou de articulador a candidato na disputa. A decisão de lançá-lo está ligada à tentativa de não fortalecer ainda mais o DEM ou mesmo legendas como o PSDB ou o PP, e atrair uma nova frente contrária a Calheiros e mais alinhada com o novo governo. Isso também fortaleceria o PSL na negociação de comissões importantes e assentos na Mesa Diretora numa possível candidatura única contra Renan.

“Missão dada, é missão cumprida! Aprendi a vencer e a perder. Desistir, nunca!”, escreveu Olímpio no Twitter, ao comentando uma reportagem do jornal Correio Braziliense – intitulada “Contra Renan, PSL lança Major Olímpio à presidência do Senado”.

Procurado novamente pela BBC News Brasil para falar sobre a possibilidade de concorrer, ele disse que o tema seria discutido em reunião do PSL em Brasília.

Pela esquerda, o novato no Senado Cid Gomes (PDT-CE) também se movimenta para ser um dos principais nomes da oposição no Senado. Mas o próprio irmão de Cid, Ciro Gomes, deu uma declaração demonstrando apoio ao também político do Ceará o tucano Tasso Jereissati, de quem já foi aliado.

‘Favorito na Câmara’

Na Câmara, por onde passam primeiro os projetos de autoria do Executivo, o atual ocupante do posto, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda não teria, segundo sua assessoria, se lançado formalmente para disputar a reeleição. Mas já tem se movimentado pelos corredores do Congresso e desponta como favorito.

Além de ter fechado com o PSL e ter o chamado Centrão a seu lado, Maia conta com o apoio de aliados de Bolsonaro que não veem o presidente da Câmara como a cara da velha política e acreditam que ele compartilha a mesma agenda bolsonarista para a economia – o que facilitaria a discussão das privatizações e da reforma da Previdência, por exemplo.

Rodrigo Maia: Na Câmara, atual ocupante do posto, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda não se lançou formalmente para disputar a reeleição, mas já desponta como favorito.© Marcelo Camargo/Agência Brasil Na Câmara, atual ocupante do posto, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda não se lançou formalmente para disputar a reeleição, mas já desponta como favorito.

No Twitter, a deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) explicou a decisão do PSL em apoiar Maia, dizendo que se trata de uma “aliança pela agenda econômica e governabilidade”.

“Não é o melhor, nem o mais bonito, nem o mais simpático. Apenas é o que tem mais votos e maior viabilidade de ajudar na agenda econômica do governo”, respondeu ela a um comentário na rede social.

“Qual seria a opção? Afundar o governo? Não ter bloco para aprovar nada? Fazer beicinho de criança birrenta e prejudicar milhões de brasileiros por isso?”, também escreveu Hasselmann, que chegou a criticar possibilidade de reeleição de Maia, mas mudou de posição.

Mas, para alguns bolsonaristas no Congresso, contra Maia pesa o fato de ele ser do DEM, que já tem três ministérios (Casa Civil, Saúde e Meio Ambiente), e de ser um nome que agrada integrantes de partidos da esquerda – ele contou com o apoio do PCdoB e do PDT nas eleições da Câmara em 2017 e contemplou a esquerda com relatorias importantes, além de ter emperrado a CPI da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Maia já está no comando da Câmara desde o afastamento de Eduardo Cunha (MDB-RJ) em 2016, quando assumiu um mandato tampão e, no ano seguinte, foi reconduzido ao cargo. Se reeleito, vai ser o deputado que mais tempo ficou na Presidência da Câmara.

‘Afastando’ concorrentes

Maia tem, no momento, pelo menos sete concorrentes, numa disputa em que simpatia e uma boa relação com os colegas de plenário têm peso significativo. O atual presidente da Câmara, contudo, tem costurado acertos importantes, oferecendo a legendas assentos na Mesa Diretora e comissões permanentes.

Para tirar da disputa o delegado e pastor evangélico João Campos (PRB-GO), Maia ofereceu ao PRB a vice-presidência da Casa. Campos tem, contudo, a possibilidade de manter a candidatura avulsa, mas deve seguir a orientação do partido de interromper a campanha. Na semana anterior à posse de Bolsonaro, Campos se reuniu com a equipe de transição, disse ter reiterado o interesse de participar da disputa e que apostava nos votos dos 243 parlamentares novatos.

Já o deputado Capitão Augusto (PR-SP) deve concorrer de forma autônoma, mesmo com o PR declarando apoio a Maia.

Aliados de Maia acreditam que Alceu Moreira (MDB-RS) desista de concorrer por não mais poder contar com o apoio declarado do PSL. Uma semana antes da decisão do PSL de apoiar o atual presidente da Câmara, Moreira apostava num blocão alternativo, capaz de desidratar o grupo que hoje apoia Maia.

Moreira contou à BBC News Brasil ter se aproximado de Bolsonaro durante a CPI da Funai (Fundação Nacional do Índio), concluída em 2017. Afirmou ter ouvido do próprio Jair Bolsonaro, durante a campanha do segundo turno, que era uma pessoa com perfil para presidir a Câmara.

“Sei que ele não falou isso só para mim”, diz Moreira, emendando que é “uma das pessoas” que o presidente gostaria de ver no comando da Casa.

Como candidato, Moreira prega renovação. “Se a nova Câmara tem 50% de renovação, não pode ser comandada por alguém que negocia com as mesmas armas e nem querer um Parlamento arcaico”, diz, criticando adversários que têm organizado jantares de campanha e oferecido cargos na Mesa Diretora e comissões.

Também se movimentam de olho na presidência da Câmara os deputados João Henrique Caldas (PSB-AL), Fernando Giacobo (PR-PR) e Fábio Ramalho (MDB-MG).

‘Amigo de todos’

No quesito simpatia, contudo, Ramalho, o atual vice-presidente da Câmara, é visto por deputados de diferentes partidos como um forte opositor a Maia. Representante do chamado baixo clero, o grupo de parlamentares com menor projeção nacional, é chamado de “Fabinho” por congressistas, funcionários e assessores.

Ramalho se diz o “amigo de todos” e ganhou fama pelas festas que organiza no apartamento funcional em Brasília. Das festas ele não gosta de falar. “Quer falar da disputa ou das minhas festas?”, pergunta à BBC News Brasil, quando questionado sobre sua estratégia de campanha.

Ramalho afirma estar conversando individualmente com cada deputado e diz ser “o candidato da instituição”.

“Não vou ser líder do governo nem da oposição. Vou fazer com que a Câmara seja forte e independente. Vou dialogar e respeitar a oposição. A Câmara merece renovação”, dispara, evocando o discurso de campanha.

Fabinho é um dos poucos postulantes que diz não esperar o apoio declarado de Bolsonaro, mas não perde a oportunidade para afagar o novo presidente.

“Ele tem falado que não vai interferir nas eleições para a presidência (da Câmara). É um homem muito elegante e tem cativado a simpatia de todos nós, demostrando que é um estadista”.

Câmara dos Deputados: Maia tem, no momento, pelo menos seis concorrentes para liderar a Câmara, numa disputa em que simpatia e uma boa relação com os colegas de plenário têm muito peso© RICHARD SOWERSBY/BBC Maia tem, no momento, pelo menos seis concorrentes para liderar a Câmara, numa disputa em que simpatia e uma boa relação com os colegas de plenário têm muito peso

Estratégia petista

O PT, por sua vez, ainda não definiu se lançará candidato ou se vai compor com algum dos nomes já colocados.

Integrantes da bancada se reúnem em meados de janeiro para definir uma estratégia, mas não está descartada a possibilidade de não lançar candidato para negociar algum cargo na Mesa ou mesmo presidência de comissões de interesse do partido para ter uma participação mais ativa no Legislativo.

O PSOL anunciou que pretende participar da eleição na Câmara com Marcelo Freixo (RJ), que tenta formar uma aliança com partidos mais à esquerda do espectro político para reagir contra a agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Sou candidato à presidência da Câmara dos Deputados por um amplo campo republicano e democrático que lutará p resgatar o espírito da Constituição. Vamos enfrentar a agenda de Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia q aprofundará ainda mais as desigualdades no país (sic)”, anunciou Freixo no Twitter.

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Justiça

Época: STF investiga empresários de Bolsonaro nas redes sociais

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Fornecido por Local News RSS PT-BR

Informação da revista Época: ministros do STF receberam a informação de que por trás dos ataques a seus ministros está o dinheiro de empresários ligados a Jair Bolsonaro.

Trecho da notícia

Existem diferentes razões que levaram Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski a, sob o comando do presidente da Casa, criar e manter o inquérito que procura investigar quem, na visão deles, coloca a segurança institucional do STF em risco.

Entretanto, a parte da investigação que toca às redes sociais, ou seja, as duas ações de busca e apreensão que foram feitas, têm origem numa forte informação que chegou a este grupo de ministros.

Toffoli foi informado de que, por trás das críticas virtuais feitas ao STF, há empresários que doaram para Jair Bolsonaro nas eleições do ano passado e que continuam apoiando o governo do presidente.Embora eles não apontem quais são os indícios, a suspeita desses ministros é que haja algo orquestrado, com dinheiro privado, contra o tribunal. 

Cerca de 30 mil perfis no Twitter foram responsáveis por mais de 100 mil publicações com ataques e xingamentos à cúpula do Judiciário. A informação é do “O Globo”.

O levantamento contabilizou apenas as publicações que utilizaram as hashtags #stfvergonhanacional e #ditatoga.


 Fornecido por Catraca Livre Portal e Comunicação Ltda

Segundo a reportagem, 900 tuítes trazem xingamentos como “corruptos” e “bandidos”. Esse tipo de ofensa foi produzido por 780 perfis.

“Em muitos casos são publicações semelhantes às que que embasaram a decisão de Moraes de determinar a busca e apreensão anteontem. Em seu despacho, ele cita postagens “com graves ofensas” à Corte, com ‘conteúdo de ódio e subversão da ordem’”, diz o texto.

Catraca Livre

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Noticias

Carlos Bolsonaro empregou assessor ligado a Queiroz

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Dida Sampaio/Estadão

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC) empregou em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio um funcionário ligado ao ex-policial militar Fabrício Queiroz, pivô da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) por suspeita de captação ilícita de salário de servidores no período em que foi assessor do ex-deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Trata-se de Márcio da Silva Gerbatim, ex-marido da atual mulher de Queiroz e pai da sua enteada. Ele esteve lotado como motorista no gabinete do vereador por dois anos, entre abril de 2008 e abril de 2010, quando foi exonerado por Carlos, o filho do meio do presidente Jair Bolsonaro, para ser nomeado no gabinete de Flávio na Alerj. Lá, ganhou o cargo de assessor-adjunto, no qual ficou até 9 maio de 2011.

No mesmo dia em que Gerbatim trocou a Câmara Municipal pela Assembleia, Carlos Bolsonaro nomeou um ex-assessor do irmão, Claudionor Gerbatim de Lima, que acabara de ser exonerado do gabinete de Flávio. As informações foram obtidas pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação e consultas no Diário Oficial da Assembleia do Rio.

Assim como Queiroz, Márcio Gerbatim também integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército e teve uma filha, Evelyn Mayara de Aguiar Gerbatim, que é enteada de Queiroz, empregada no gabinete de Flávio na Alerj, de agosto de 2017 até fevereiro deste ano.

Queiroz também teve sua família empregada no gabinete de Flávio: a mulher, Márcia Oliveira de Aguiar, e suas filhas, Evelyn Melo de Queiroz e Nathália Queiroz. Nathália também esteve lotada no gabinete de Jair Bolsonaro, em Brasília, de dezembro de 2016 a 15 de outubro de 2018.

Procurado pelo Estado, Carlos Bolsonaro negou, por meio da assessoria, que Queiroz tenha tido influência em seu gabinete na Câmara Municipal, onde é vereador desde 2001. Segundo ele, Márcio Gerbatim foi nomeado no gabinete “face sua experiência na função de motorista e não por indicações” e que “nunca nenhum parente de Fabrício Queiroz foi nomeado neste gabinete”.

A assessoria também respondeu que o vereador não sabia que Gerbatim era ex-marido da mulher de Queiroz. Afirmou ainda que Carlos Bolsonaro só tomou conhecimento desta informação em 2018, por meio da mídia. “Ressalto que em época de campanha várias pessoas são contratadas, algumas se destacam e são posteriormente aproveitadas no gabinete. Foi o caso”, afirmou por e-mail.

Questionada sobre quanto Gerbatim recebia de salário no gabinete da Câmara, a assessoria de Carlos respondeu que não tinha essa informação. “Sugiro utilizar as vias naturais, sugiro inclusive a observância da lei neste sentido, por tratar-se de quebra de sigilo fiscal dos envolvidos.” Diferentemente da Câmara do Rio, a Assembleia divulga a folha de pagamento de seus funcionários no Portal da Transparência da Casa.

Em entrevista ao jornal O Globo em dezembro, Gerbatim disse que exercia a função de motorista no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj e que não sabia que a filha também estava lotada no local. Ele contou que Evelyn Gerbatim cursava psicologia em uma universidade na zona oeste do Rio pela manhã e trabalhava à tarde em uma farmácia na mesma região. Também afirmou que tanto ele quanto sua ex-mulher foram indicados por Queiroz para trabalhar no gabinete de Flávio.

Em nota, a defesa de Queiroz respondeu que não vê nenhuma irregularidade na indicação de pessoas de sua relação para assessoria de gabinete de qualquer político “e que uma vez mais esta questão tem como único objetivo requentar um assunto já esclarecido”. Procurada, a defesa de Flávio não respondeu.

Entenda o caso Queiroz

Fabrício Queiroz é investigado nas esferas cível e criminal pelo Ministério Público do Rio pela movimentação atípica de R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, detectada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que atua na prevenção e combate à lavagem de dinheiro. O caso foi revelado pelo Estado em 2018.

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL)

© Reprodução/SBT Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL)

O relatório do setor de inteligência financeira do Coaf constatou ainda que a conta de Queiroz recebeu depósitos de oito funcionários do gabinete de Flávio no período de um ano, mais da metade no mesmo dia ou até três dias após a data de pagamento de salário dos servidores da Alerj. O documento mostra ainda que o ex-assessor, que ficou até outubro de 2018 no gabinete de Flávio, fez uma série de saques em valores próximos aos do que foram depositados pelos demais assessores. Queiroz ainda repassou um cheque de R$ 24 mil à primeira-dama Michelle Bolsonaro

Um segundo relatório do Coaf solicitado pelo Ministério Público sobre as contas do atual senador Flávio Bolsonaro identificou que, entre junho e julho de 2017, o filho do presidente recebeu 48 depósitos em dinheiro, sempre no valor de R$ 2 mil, somando R$ 96 mil. Os depósitos foram feitos no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj, sem identificação do autor. Flávio alegou que depósitos se referiam a uma parcela de R$ 100 mil que ele recebeu em dinheiro pela venda de um apartamento no Rio. 

Queiroz nunca foi à Promotoria prestar depoimento, alegando motivo de saúde. Em uma defesa por escrito, negou que tenha se apropriado desses valores e disse que o usava o dinheiro arrecadado dos demais assessores para ampliar a rede de colaboradores de Flávio Bolsonaro. 

Estadão

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Economia

Líder de caminhoneiros diz que, com aumento do diesel, ‘não tem como segurar’ greve

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NELSON ALMEIDA via Getty Images

Líder de caminhoneiros, Wallace Landim, conhecido como Chorão, teve responsabilidade direta na polêmica intervenção do presidente Jair Bolsonaro junto à Petrobras para segurar o preço do diesel na última quinta-feira (11).

Assim que soube do aumento previsto de 5,7% no combustível, Landim entrou em contato com ministros que alertaram o presidente. A Petrobras, que é uma empresa pública de capital aberto, recuou. Bolsonaro foi criticado e comparado à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), por intervir na estatal para segurar preços. Para Chorão, no entanto, a decisão do presidente foi acertada.

“Estão dizendo [que a Petrobras] ‘perdeu R$ 32 bilhões’, mas não é isso. Perdeu não, deixou de ganhar. Então quer dizer, o cara que está ali é um investidor, ele deixou de ganhar. O presidente, no meu ponto de vista, tomou o posicionamento certo porque ele olhou para quem realmente está trabalhando e está sufocado”, disse, em entrevista ao HuffPost.

Para muitos, Bolsonaro se colocou, com a decisão da última semana, na posição de refém dos caminhoneiros. 

Landim reconhece que uma nova sinalização de aumento do preço do combustível ainda pode, sim, gerar uma greve como a de 2018. 

“Estamos sufocados. Vem um aumento desse, o pessoal fica tudo em crise e não tem como segurar [uma greve]”, disse o líder dos caminhoneiros, que tentou uma vaga na Câmara dos Deputados 5 meses após a greve, mas não se elegeu. Segundo ele, o presidente “tem que fazer uns condicionamentos”.

Em maio do ano passado, o País ficou paralisado por 11 dias. O desabastecimento gerou inúmeros transtornos ao País. Além de combustível, faltaram alimentos em supermercados, remédios em hospitais e houve impacto até sobre o tráfego aéreo.

No sábado (13), o ministro Paulo Guedes, da Economia, repreendeu a atitude de Bolsonaro. “O presidente já disse para vocês que ele não era um especialista em economia. Então é possível que alguma coisa tenha acontecido. (…) Ele, ao mesmo tempo, é preocupado com efeitos políticos, estavam falando em greve dos caminhoneiros, então é possível que ele esteja lá tentando manobrar com isso”, disse.

Leia abaixo trechos da entrevista.

HuffPost Brasil: Afinal, o que aconteceu na semana passada em relação ao aumento do diesel?

Wallace Landim: Há 30 dias, mais ou menos, eu estive em reunião na Casa Civil com o ministro Onyx [Lorezoni] e a gente pontuou algumas ações que resolvem o problema da categoria: um piso mínimo de frete, a questão do diesel – que estava subindo todo dia, a gente pediu para subir pelo menos uma vez por mês, e o governo sinalizou por 15 dias. [O governo] decidiu a questão do cartão [caminhoneiro, que permite antecipação da compra de combustível a um preço fixo].

Não acho ruim, mas não resolve a situação 100%. Aí a gente ficou tranquilo. Na quinta-feira retrasada, eu estive com o ministro Tarcísio [Freitas, da Infraestrutura]. Na conversa, ele disse para eu ficar tranquilo em relação ao aumento do diesel. E nós ficamos tranquilos.

Aí na quinta-feira (11) à tarde ficamos surpresos com o [anúncio do] aumento de 5,7%, um aumento expressivo. Na mesma hora, a gente mandou mensagem para o ministro Onyx, para o pessoal da Casa Civil, começamos a articular e ver o que estava acontecendo.

Quero agradecer ao ministro Onyx e ao Floriano Peixoto [Secretaria-Geral], que levaram nossa demanda ao presidente, e ele tomou essa decisão. Só queria entender de onde eles tiraram esse 5,7%. A gente quer a mesma coisa que o presidente fala, um preço justo no diesel. Querendo ou não, nós somos os maiores consumidores, estamos querendo trabalhar.

O preço já vinha subindo, mas de forma espaçada, é isso?

Estava subindo quase todo dia. A gente conversou para ter um aumento pelo menos mensal. Então, qual flexibilidade que teve? Nenhuma. 

Chorão, como é conhecido, foi candidato a deputado federal em outubro do ano passado, 5 meses após a greve, mas não conquistou uma vaga.

© Reprodução/Facebook Chorão, como é conhecido, foi candidato a deputado federal em outubro do ano passado, 5 meses após a greve, mas não conquistou uma vaga. 

O presidente recebeu muitas críticas pela intervenção na Petrobras e foi comparado ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Se ele deixar de regular o preço, há possibilidade de uma nova greve?

Estão dizendo [que a Petrobras] “perdeu R$ 32 bilhões”, mas não é isso. Perdeu não, deixou de ganhar. Então quer dizer: o cara que está ali é um investidor, ele deixou de ganhar. O presidente, no meu ponto de vista, tomou o posicionamento certo porque ele olhou para quem realmente está trabalhando e está sufocado. Por isso, estou apoiando o governo Bolsonaro.

Nunca tivemos a porta aberta como temos hoje. Sobre paralisação e greve, isso é decorrente do que a gente está vivendo hoje. É preciso um piso mínimo de frete, que não está sendo vigorado. Os empresários falam que pagam o mínimo, a gente tem um atravessador no meio, que são as transportadoras e sublocam o caminhoneiro, que já não recebe o piso mínimo.

Quer dizer, estamos sufocados. Vem um aumento desse, o pessoal fica tudo em crise e não tem como segurar [a greve]. O presidente Jair Bolsonaro tem que fazer uns condicionamentos. 

Em um dos vídeos do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, ele afirma que, na greve dos caminhoneiros, o Brasil viveu sua ‘Venezuela Week’. Como o senhor vê parte do governo encarar os caminhoneiros como uma espécie de ameaça?

Acho que a questão é a seguinte: a gente está no meio do caos, como a Venezuela está. Nós, categoria autônoma, estamos massacrados, estamos no limite, não estamos conseguindo trabalhar. O agronegócio, a CNI [Confederação Nacional da Indústria], que é a indústria, as transportadoras têm um modelo de negociação que nós não temos. Essa balança está desequilibrada, temos que equilibrar.

O ‘agro’ é o maior PIB do País e nós participamos desse maior PIB do País. Há isenção para o pessoal do agro e nada para nós.

O governo diz que vai ter isenção de ICMS para o pessoal da agricultura. Eles podem? E a gente não pode ter redução no preço do combustível que a gente usa para trabalhar?

Eles podem comprar caminhão a 0,25% e nós temos que comprar com taxa de juros de 3%. Essa balança está muito desequilibrada e eu vou lutar para a gente equilibra-la. Vou lutar para que essa balança seja equilibrada para que a gente possa ter esse mesmo modelo de negociação.

O que poderia ser feito para melhorar as condições de trabalho dos caminhoneiros?

[Ter] piso de frete como lei e em vigor, [ter] um gatilho de 10% tanto acima quanto abaixo para ser feito o reajuste da planilha. A gente quer um custo mínimo e aí cada um que faça sua negociação. Mas pelo menos o custo [mínimo], a gente quer. É o nosso salário mínimo. A gente não tem esse poder de negociação. Dentro de uma lei, a gente tem. O lado mais fraco sempre é penalizado, a gente tem que equilibrar essa balança.

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