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Eleições 2018

Renúncia de Haddad é o melhor remédio para democracia, avalia constitucionalista

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Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

A solução apresentada pela senadora Kátia Abreu (PDT) para manter a democracia brasileira pode ser a melhor no momento, de acordo com o professor de direito constitucional, Marcus Sampaio. Na condição de candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes, Kátia Abreu pediu ao candidato pelo PT, Fernando Haddad, que renuncie e, assim, permita que o pedetista concorra o segundo turno das eleições com o candidato do PSL, Jair Bolsonaro (lembre aqui).

O constitucionalista confirma que a possibilidade de renuncia e participação de Ciro Gomes no segundo turno está na Constituição Federal, no artigo 77. “Se as forças de esquerda dizem que precisam derrotar o candidato Bolsonaro, este é o caminho mais viável para a derrota do candidato, tendo em vista que o Ciro, conforme indicam as pesquisas, é o que teria condição de vencê-lo no segundo turno”, avalia. Para ele, uma renúncia de Haddad “seria uma demonstração que verdadeiramente tem preocupação com o país e não com sua própria candidatura”. “É de uma maturidade institucional de se reconhecer que, verdadeiramente, o interesse partidário, estaria em segundo plano diante de um plano que é servir o país, e seria uma alternativa viável para aqueles que não querem de forma nenhuma a eleição de Bolsonaro”, pondera. A renúncia de uma segunda colocação para favorecer o terceiro colocado em uma eleição nunca aconteceu no Brasil. Seria um fato inédito, conforme diz o professor.

Todo esse desgaste democrático que o Brasil vem sofrendo nos últimos tempos poderia ser evitado se a proposta do ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT) fosse aceita. O senador eleito sugeriu que o PT saísse como candidato a vice-presidente em uma chapa encabeçada por Ciro Gomes, como candidato a presidente. “O ex-governador e agora senador é um homem preparado, inteligente, sobretudo, comedido. A opinião dele estava correta. Não viveriamos esse antagonismo que estamos vivendo hoje e teríamos um futuro muito melhor para democracia e para o Brasil”, explana Marcus Sampaio.

Para ele, há um remédio para se evitar retrocessos, e esse remédio é “a união das forças democráticas do país”. “Mas isso parece não estar existindo por interesse das próprias forças. Isso se mostrou ao longo do primeiro turno e mais uma vez vem se mostrando no segundo. A senadora Kátia Abreu apresentou uma sugestão possível e constitucional, e precisava ser analisada com profundidade. Afinal de contas, qual é o interesse? É fazer que um opositor ganhe do Bolsonaro, ou tentar ganhar a qualquer custo? É preciso abrir mão da vaidade, é preciso ter humildade que a democracia impõe nesse momento”, pontua.

O especialista refuta a possibilidade do país sofrer um golpe militar com a eventual eleição de Jair Bolsonaro. “A comunidade internacional não permitiria. Esse discurso é um pouco superficial que tem se utilizado na campanha politica e que não faz nenhum sentido”, declara.  “Nós precisamos ter um pouco mais de maturidade nessa disputa política. Estamos olhando a eleição e nos perguntando se aqui vai virar uma Venezuela ou uma Alemanha nazista. Não vai virar nenhum nem outro”, sinaliza. Marcus Sampaio defende, sobretudo, o diálogo entre quem ganha e perde. “Em todas democracias do mundo inteiro é assim: o que ganha, convida o que perdeu para conversar, negociar pontos. A democracia não é o governo de quem ganhou a eleição. A democracia é um governo de todos para todos. Dos que ganharam e perderam”, frisa.

BN

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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