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Situação “extremamente grave” de surto de Covid-19 em Pequim soa como advertência para Europa

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© AP – Mark Schiefelbein

As autoridades de Pequim diagnosticaram 27 novos casos de infecção por coronavírus nas últimas 24 horas, elevando para 106 o número de pessoas com a Covid-19 em cinco dias. A situação da epidemia em Pequim é “extremamente grave”, disse o porta-voz do prefeito nesta terça-feira (16), depois que centenas de pessoas foram infectadas desde a semana passada, na capital chinesa.

Pequim está “correndo contra o relógio” diante do novo coronavírus, disse o porta-voz do prefeito, Xu Hejian, à imprensa. A cidade de 21 milhões de habitantes intensificou os esforços contra a Covid-19 e atualmente tem capacidade para realizar mais de 90.000 testes de diagnóstico por dia.

Esse surto epidêmico despertou o medo de uma “segunda onda” da pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na segunda-feira (15) que estava acompanhando a situação em Pequim “de muito perto” e mencionou o possível envio de mais especialistas nos próximos dias.

O surto começou no gigantesco mercado atacadista de Xinfadi, um dos maiores da Ásia, onde o vírus foi detectado na semana passada. Desde então, outros quatro mercados da capital foram fechados total ou parcialmente e cerca de trinta áreas residenciais foram colocadas em quarentena. Os alunos do ensino fundamental e do primeiro ciclo do ensino médio podem retomar as aulas em casa.

O recrudescimento de casos da Covid-19 na China é acompanhado com atenção pelas autoridades europeias. O espaço Schengen de livre circulação, que inclui 22 países do bloco, acaba de reabrir suas fronteiras internas, para tentar salvar a temporada turística do verão. A França reabriu ontem seus bares e restaurantes, depois de constatar um recuo constante da epidemia desde meados de maio. “O pior ficou para trás”, declarou nesta segunda-feira (15) o ministro francês da Saúde, Olivier Verán.

A maior parte dos países europeus elaborou planos para confinar novamente as populações, caso surjam surtos localizados de coronavírus. Uma segunda onda da pandemia seria catastrófica para a economia europeia, que enfrenta a pior recessão de sua história.

RFI

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Coronavírus custou entre 15 e 22 bilhões de dólares a Shell

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© BEN STANSALL

A gigante do petróleo Royal Dutch Shell anunciou nesta terça-feira que seus ativos registraram uma depreciação de entre 15 e 22 bilhões de dólares no segundo trimestre, consequência do impacto da pandemia de coronavírus na demanda e nos preços dos combustíveis.

“No segundo trimestre, a Shell revisou suas perspectivas de valores a médio e longo prazo e suas perspectivas de margens para refletir o impacto da pandemia de COVID-19”, explica a empresa em um comunicado. 

O grupo acrescenta que reavaliou seus ativos tangíveis e intangíveis e registrará “gastos de depreciação de 15 a 22 bilhões de dólares após impostos no segundo trimestre”.

A empresa aposta em um barril de petróleo a 35 dólares este ano, um preço que não permite geralmente aos grandes grupos de petróleo gerar lucros. A Shell prevê um barril a 40 dólares no próximo ano e 50 dólares em 2022.

As cotações do petróleo começaram 2020 ao redor dos 60 dólares, antes de uma queda expressiva em março e abril.

No primeiro trimestre, a Royal Dutch Shell entrou no vermelho devido à queda dos preços do petróleo, o que levou a empresa a reduzir seus dividendos pela primeira vez desde os anos 1940.

AFP

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OMS atualizará orientações após “grande notícia” sobre remédio contra Covid-19

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© Reuters/YVES HERMAN

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que se prepara para atualizar suas orientações sobre o tratamento de pessoas com Covid-19 em reação aos resultados de um teste clínico que mostrou que um esteroide barato e comum pode ajudar a salvar pacientes gravemente doentes.

Resultados de testes anunciados na terça-feira mostraram que a dexametasona, usada desde os anos 1960 para diminuir inflamações de outras doenças, como artrite, reduziu em cerca de um terço as taxas de mortalidade entre pacientes de Covid-19 gravemente doentes e hospitalizados.

A orientação clínica da OMS para o tratamento de pacientes infectados com o novo coronavírus se dirige a médicos e outros profissionais de saúde e almeja usar os dados mais recentes para informar os clínicos gerais sobre a melhor maneira de combater todas as fases da doença, da verificação à alta hospitalar.

Embora os resultados do estudo sobre a dexametasona sejam preliminares, os pesquisadores por trás do projeto disseram que leva a crer que o remédio deveria se tornar um recurso padrão no cuidado de pacientes com casos graves imediatamente.

Em pacientes de Covid-19 com uso de ventiladores, ficou demonstrado que o tratamento reduz a mortalidade em cerca de um terço, e para pacientes que só precisam de oxigênio a mortalidade foi reduzida em cerca de um quinto, de acordo com dados preliminares compartilhados com a OMS.

O benefício só foi visto em pacientes de Covid-19 gravemente doentes e não foi observado em pacientes com uma doença mais amena.

A boa notícia chega no momento em que infecções de coronavírus se aceleraram em alguns locais, como os Estados Unidos, e em que Pequim cancelou dezenas de voos para ajudar a conter um novo surto na capital chinesa.

“Este é o primeiro tratamento em que se mostrou reduzir a mortalidade em pacientes com Covid-19 que precisam de oxigênio ou do auxílio de ventilador”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em um comunicado emitido na noite de terça-feira. A agência disse que aguarda a análise dos dados completos do estudo nos próximos dias.

“A OMS coordenará uma meta-análise para aprimorar nosso conhecimento geral desta intervenção. A orientação clínica da OMS será atualizada para refletir como e quando o remédio deve ser usado para Covid-19”, acrescentou a agência.

Mas a principal autoridade de saúde da Coreia do Sul alertou para o abuso do medicamento em pacientes de Covid-19.

“(Ele) já é usado há tempos em hospitais sul-coreanos para pacientes com diversas inflamações”, disse Jeong Eun-kyeong, chefe do Centro para Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC). “Mas alguns especialistas alertam que o remédio não só reduz a reação inflamatória nos pacientes, mas também o sistema imunológico, e pode desencadear efeitos colaterais. O KCDC está debatendo seu uso em pacientes com Covid-19.”

Reuters

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Coronavírus: os cientistas que tentam prever qual pode ser a próxima pandemia

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© Science Photo Library Cientistas desenvolveram sistema de reconhecimento de padrões para prever quais doenças da vida selvagem representam mais riscos para os seres humanos.

Os cientistas alertam: criamos “uma tempestade perfeita” para que doenças oriundas da vida selvagem sejam transmitidas aos seres humanos e se propaguem rapidamente pelo mundo.

A invasão humana no mundo natural acelera esse processo. Essa é a perspectiva de especialistas em saúde global que estudam como e onde novas doenças emergem.

Como parte desse esforço, eles agora desenvolveram um sistema de reconhecimento de padrões para prever quais doenças da vida selvagem representam mais riscos para os seres humanos.

Essa abordagem é liderada por cientistas da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, mas faz parte de um esforço global para desenvolver maneiras de se preparar melhor para futuros surtos.

‘Escapamos de cinco balas’

“Nos últimos 20 anos, tivemos seis ameaças significativas: Sars, Mers, Ebola, gripe aviária e gripe suína”, disse à BBC News o professor Matthew Baylis, da Universidade de Liverpool. “Escapamos de cinco balas, mas a sexta nos pegou. E essa não é a última pandemia que vamos enfrentar. Por isso, precisamos olhar mais de perto as doenças em animais selvagens.”

Como parte desse exame minucioso, a equipe da qual ele faz parte criou um sistema de reconhecimento de padrões que pode investigar um vasto banco de dados de todas as doenças conhecidas da vida selvagem.

Entre as milhares de bactérias, parasitas e vírus conhecidos pela ciência, esse sistema identifica pistas escondidas no número e tipo de espécies que infectam. Ele usa essas pistas para encontrar quais representam a maior ameaça aos seres humanos.

Se um patógeno é considerado prioritário, os cientistas dizem que é possível direcionar esforços de pesquisa para encontrar prevenção ou tratamento antes que ocorra qualquer surto.

Muitos cientistas concordam que o desmatamento e a invasão de diversos habitats da vida selvagem está colaborando com o movimento espalhar doenças dos animais para os seres humanos.

© Getty Images Muitos cientistas concordam que o desmatamento e a invasão de diversos habitats da vida selvagem está colaborando com o movimento espalhar doenças dos animais para os seres humanos.

“Será um passo a mais descobrir quais doenças podem causar uma pandemia, mas estamos progredindo com o primeiro passo”, disse Baylis.

Lições do lockdown

Muitos cientistas concordam que nosso comportamento, particularmente o desmatamento e a invasão de diversos habitats da vida selvagem, está colaborando com o movimento de as doenças se espalharem dos animais para os seres humanos com mais frequência.

Segundo a professora Kate Jones, da University College London, as evidências “sugerem amplamente que ecossistemas transformados por seres humanos com menor biodiversidade, como paisagens agrícolas ou de plantações, estão frequentemente associados ao aumento do risco humano de muitas infecções”.

“Esse não é necessariamente o caso de todas as doenças”, ela acrescentou. “Mas os tipos de espécies selvagens que são mais tolerantes à perturbação humana, como certas espécies de roedores, geralmente parecem ser mais eficazes em hospedar e transmitir patógenos.

“Portanto, a perda de biodiversidade pode criar paisagens que aumentam o risco de contato humano-vida selvagem e aumentam as chances de certos vírus, bactérias e parasitas se espalharem para as pessoas”.

Existem alguns surtos que demonstraram com muita clareza esse risco nas “interfaces” entre a atividade humana e a vida selvagem.

No primeiro surto do vírus Nipah, em 1999, na Malásia, uma infecção viral transmitida por morcegos, se espalhou por uma grande fazenda de porcos construída à beira de uma floresta. Os morcegos silvestres se alimentavam das árvores frutíferas e os porcos mastigavam frutas parcialmente comidas (cobertas de saliva de morcego) que caíam das árvores.

Mais de 250 pessoas que trabalharam em contato próximo com os porcos infectados pegaram o vírus. Mais de 100 dessas pessoas morreram. A taxa de mortalidade de casos do coronavírus ainda está em avaliação, mas as estimativas atuais colocam-na em torno de 1%. O vírus Nipah mata de 40 a 75% das pessoas infectadas.

Eric Fevre, da Universidade de Liverpool e do International Livestock Research Institute, em Nairobi, Quênia, diz que os pesquisadores precisam estar sempre atentos às áreas onde há um risco maior de surtos de doenças.

'Novas doenças surgem na população humana provavelmente três a quatro vezes por ano', disse Fevre.

© BBC ‘Novas doenças surgem na população humana provavelmente três a quatro vezes por ano’, disse Fevre.

Fazendas à beira das florestas e mercados onde os animais são comprados e vendidos representam limites confusos entre humanos e animais selvagens, e são locais onde é mais provável que surjam doenças.

“Precisamos estar constantemente atentos a essas interfaces e ter sistemas instalados para responder se virmos algo incomum (como um surto repentino de doença em um local específico).”

“Novas doenças surgem na população humana provavelmente três a quatro vezes por ano”, disse o professor Fevre. “Não só na Ásia ou na África, mas também na Europa e nos EUA.”

Matthew Baylis acrescentou que essa vigilância contínua para novas doenças é cada vez mais importante. “Criamos aqui uma tempestade quase perfeita para o surgimento de pandemias”, disse ele à BBC News.

O professor Fevre concordou. “É provável que esse tipo de evento ocorra repetidas vezes”, disse ele.

“Isso vem acontecendo durante toda a nossa interação com o mundo natural. O importante agora é como entendemos e reagimos.”

A crise atual, disse Fevre, é uma lição para muitos de nós sobre as consequências de nosso próprio impacto na natureza.

“Todas as coisas que usamos e tomamos como garantidas – os alimentos que ingerimos, os materiais de nossos celulares – quanto mais consumimos, mais alguém ganha dinheiro extraindo-os e transportando-os pelo mundo. Portanto, cabe a todos nós pensarmos sobre os recursos que consumimos e o impacto que isso tem”.

BBC News

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