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Eleições 2018

SPC: O que pensam os brasileiros endividados sobre a proposta de Ciro

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VEJA.com A babá Maria Edcleide de Vasconcelos pondera: ‘De que adianta ter nome limpo e minha filha continuar estudando em ‘escolas de lata’? Não é isso que vai definir o meu voto’

A pouco menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais e mesmo após o início da propaganda eleitoral na TV, ainda há muitos eleitores indecisos sobre a definição do seu candidato a presidente. Em meio aos debates televisivos, uma das propostas que mais chamou a atenção foi a do candidato Ciro Gomes (PDT) de “limpar” o nome dos brasileiros endividados do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC). Bastou o candidato prometer que, se for eleito, o brasileiro teria o nome limpo, para agitar as discussões em torno do assunto.

O Brasil possui hoje 63,4 milhões de pessoas com o nome inscrito no SPC — o que representa 43% do número total de eleitores (173,4 milhões). A dívida média, segundo a entidade, é de 2.600 reais. Em sua proposta, o candidato do PDT pretende eliminar os juros, correções monetárias e as multas para em seguida promover o refinanciamento das dívidas com apoio dos bancos públicos, a juros bem menores.

pesquisa Datafolha sobre a disputa para Presidência da República divulgada nesta segunda-feira (10) apontou um crescimento de Ciro Gomes, que aparece em segundo lugar, com 13% das intenções de voto, empatado na margem de erro com a candidata Marina Silva (Rede), com 11%. Geraldo Alckmin (PSDB) tem 10% e Fernando Haddad (PT), 9%. Em primeiro lugar está o candidato Jair Bolsonaro (PSL), com 24% das intenções de voto.

Diante do discurso de Ciro Gomes, VEJA conversou com cinco eleitores indecisos que possuem o nome restrito para ver o que eles pensam da proposta do presidenciável. Todos são unânimes em dizer que consideram a proposta eleitoreira — que tem como objetivo atrair o voto do eleitor —, mas divergem quando questionados se a promessa os faria mudar de voto.

“A proposta de refinanciamento da dívida é boa, claro. Mas quem garante que o governo vai conseguir fazer isso? Além disso, de que adianta eu ter o meu nome limpo e continuar esperando de quatro a cinco horas para passar por uma triagem no pronto-socorro público e esperar mais tantas horas para passar pelo médico? De que adianta ter nome limpo e minha filha continuar estudando nas famosas ‘escolas de lata’?”, questiona a babá Maria Edcleide de Vasconcelos, de 39 anos. “Não é isso que vai definir o meu voto”, afirma.

Ainda indecisa sobre o seu candidato a presidente, Edcleide nem consegue dizer qual o valor da sua dívida hoje — só sabe que tem mais de dez anos e que começou com cerca de 3.000 reais. “Eu tirei uma moto no nome de um primo. Ele pagou 80% das parcelas em dia, mas quando perdeu o emprego não conseguiu mais honrar os pagamentos. Eu também não tinha condições e até hoje pago o preço por isso”, diz ela, que precisa pedir o cartão de crédito da irmã emprestado sempre que precisa fazer uma compra de valor mais alto.

A gerente de vendas Fabiane Collis Bernardi, de 45 anos, também recorre aos familiares quando precisa fazer uma compra parcelada e até mesmo para conseguir matricular os filhos na escola particular do bairro. Ela, que tem o nome restrito há mais de dez anos, teve de pedir para o cunhado financiar no nome dele um carro para ela. “Eu paguei todas as parcelas em dia, mas não deixa de ser constrangedor ter que pedir esse tipo de favor”, diz.

Fabiane possui o nome restrito, porque emprestou dinheiro do banco para construir sua casa e também porque assinava como responsável por uma empresa que faliu. Sua dívida hoje gira em torno de 30.000 reais. Ela também não definiu em quem vai votar para presidente, mas considera a proposta de Ciro Gomes interessante. “Me parece um pouco eleitoreira, porque o Brasil inteiro está endividado, mas se ele nos der uma chance para podermos limpar nosso nome já ajuda bastante. Eu fiz a dívida e quero pagar, mas não com esses juros absurdos.”

VEJA.com Fabiane Collis Bernardi, 45 anos: “Se ele (Ciro Gomes) nos der uma chance para podermos limpar nosso nome já ajuda bastante”.

O frentista Diones Modesto de Souza, de 25 anos, é outro que faz ponderações sobre o projeto. “Limpar o nome pode ajudar, mas não resolve o problema do país. Eu quero um presidente que tenha como prioridade investir em saúde, educação e emprego para o povo”, afirmou.

Diones tem o nome restrito há cerca de dois anos, porque fez um empréstimo para construir uma casa e sair do aluguel, mas perdeu o emprego no período. Ficou mais de um ano desempregado e não conseguiu pagar as parcelas do empréstimo. Hoje a dívida beira em 20.000 reais. “Ganho 1.500 reais por mês. Não tenho como pagar 800 reais de parcela para quitar a dívida”, diz.

Apesar de considerar a proposta do candidato Ciro Gomes interessante, Diones afirma que apenas isso não o faria votar no presidenciável. “O que adianta o candidato limpar o nome do povo e não dar emprego? O nome vai ficar limpo temporariamente, pois sem emprego daqui a pouco a pessoa se endivida de novo”, acredita.

A dona de casa Mirtania Lopes Araújo, de 43 anos, diz que não perde um debate na televisão com os candidatos a presidente mas também ainda não definiu o seu voto. Cearense, ela admite que já trabalhou como cabo eleitoral do candidato do PDT à época em que ele foi governador do estado, mas ainda assim não tem certeza de que vai votar nele. Ela está com o nome negativado há pelo menos três anos por conta de despesas médicas com a filha, que acabaram extrapolando o limite do cartão de crédito. A dívida que começou em cerca de 2.000 reais já está em torno de 9.000 reais.

Quando viu a proposta do candidato em uma sabatina no Jornal Nacional, no final de agosto, foi buscar mais informações no programa de governo dele, mas o site estava congestionado. “Ainda não consegui entender como o Ciro pretende fazer isso, me parece algo muito eleitoreiro, porque são milhões de brasileiros devendo. Se for algo muito fácil, certamente o cidadão vai sujar o nome de novo”, avalia ela, que diz que não quer receber nada de graça. “A pessoa com nome no SPC não é ninguém, não tem vida própria. A gente quer pagar a nossa dívida, o problema é que não querem receber o que podemos pagar. Eu quero um país de oportunidades para os meus filhos e não de facilidades”, afirmou.

A fiscal de caixa Tamires Gomes da Silva, de 28 anos, está com o nome negativado há três anos também por conta de despesas no cartão de crédito e porque fez um empréstimo em seu nome para uma tia, que também não pagou as parcelas. Sem emprego por um período, não conseguiu pagar as parcelas e entrou na lista de brasileiros inadimplentes — somando as duas dívidas hoje ela deve cerca de 5.000 reais.

Quando soube da proposta de Ciro, Tamires não se empolgou muito. “Para mim parece jogada de marketing. A dívida do brasileiro é muito alta, como o governo vai fazer para que isso se torne real?”, questiona. Ainda indecisa sobre o destino do seu voto, Tamires diz que vai continuar assistindo aos debates entre os candidatos na televisão para tentar chegar a uma decisão. “O Brasil tem muito mais problemas do que as dívidas do povo. Ainda preciso pensar mais.”

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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