Conecte-se conosco

Eleições 2018

Vice de Ciro defende porte de armas e se opõe a alterar lei do aborto

Publicado

em

A senadora, que avaliava disputar o governo do Tocantins, conta que recebeu a proposta de seu partido na quinta-feira (2)

A candidata a vice-presidente de Ciro Gomes (PDT), senadora Kátia Abreu (PDT-TO), defende a facilitação do porte de armas diante do atual cenário de violência, sobretudo no campo.

Para ela, o ideal seria que o governo desarmasse os criminosos. “Só não acho justo alguém ficar armado até os dentes e a população totalmente abandonada”, disse à Folha de S. Paulo. No seu gabinete, ainda tem pendurado o retrato da amiga Dilma Rousseff. “Não acabou o mandato dela ainda. Fica até trocar pelo do Ciro.”

Por que entrar em uma campanha com apenas uma aliança e pouco tempo de televisão?

Mesmo antes de ser vice, já tinha decidido votar no Ciro. O que mais me admira nele é que tem um perfil com autoridade, que não significa autoritário. Não é para que ninguém tema ou obedeça, mas um presidente tem de ter autoridade moral. E acho interessante ele ser do Nordeste. O Brasil é muito desigual e ele conhece isso de perto.

Então, o PT erra ao ter uma chapa que só representa Sul e Sudeste?

Não chega a ser um erro, não gostaria de classificar como um erro, mas não seria a minha opção votar em uma chapa puro-sangue do Sul do país. Com todo respeito às duas regiões, que são maravilhosas, e nada contra candidatos de Sul ou Sudeste. Neste momento, o Brasil está precisando de quem conhece a vida dos mais pobres.

Ciro buscava um vice de Sul e Sudeste, mas acabou escolhendo do Norte. O que a sra. agrega à candidatura?

Em vários aspectos, não só na questão regional. Tenho muito orgulho de representar Norte, Nordeste e Centro-Oeste. E também o setor agropecuário. Sei como vivem não só produtores do agronegócios, mas também assentamentos da reforma agrária, os quilombolas e a agricultura familiar.

O temperamento explosivo prejudica o Ciro?

Ciro não é briguento, é brigão. Um lutador, é diferente. Ele sabe impor o que acredita de verdade. Eu acuso o golpe para mim porque eu sou um pouco parecida. Sou tão veemente no que acredito que até às vezes parece que estou brigando, mas é a forma que a gente tem de se expressar. A gente tenta corrigir, mas não significa agressividade, significa obstinação.

A senadora Ana Amélia (vice do tucano Geraldo Alckmin) seria uma boa vice-presidente?

Seria, eu até trocaria ela de lugar para ser a candidata a presidente. Ela é melhor que o candidato. Eu gosto dele, já votei nele uma vez, não é nenhum ataque pessoal, ele é uma pessoa correta. É uma questão circunstancial.

Apoiaria ela se ela fosse candidata a presidente?

Se não fosse o Ciro, talvez. Se o Ciro não fosse candidato, quem sabe.

Como pecuarista, a sra. defende a posse de armas nas zonas rurais?

Defendo o uso de armas em casa, rural e urbano. Eu não sou contra, diante da violência que estamos vivendo hoje. Todo mundo sabe que os fazendeiros estão desarmados. Hoje, há ataques até nos assentamentos. A minha pergunta é: isso é justo? Colocar os produtores à mercê. Estão roubando arame, material de trabalho, machado e foice, pneu de trator. Então, não quero uma guerra no campo nem uma batalha civil no país.

Sou contra a violência, eu sou a favor do diálogo, sou a favor da paz. Mas não acho justo que os bandidos se armem cada vez mais. O governo brasileiro não faz absolutamente nada e as pessoas se sentem impotentes.

Então, a sra. é favorável à facilitação do porte de armas?

Eu sou, não para ficar andando na rua, nos bares, restaurantes, trabalho. Mas se a pessoa se sentir segura. Eu moro em uma chácara, por exemplo. Eu tenho um guarda armado, mas e as pessoas que não podem? Não, meu guarda não é armado. Meu guarda é desarmado por causa de custo, inclusive. Agora, você imagina como eu durmo à noite? Eu tenho medo.

Mas isso não pode aumentar a violência?

Nos EUA e em todos os países onde é permitido o porte de armas, não se tem números dizendo que isso aumenta ou diminui a violência. Eu só acho que a população hoje se for consultada, ela toda não quer ficar desarmada. Não porque quer brigar, mas porque quer defender a sua própria família. Então, temos uma opção ótima, que eu concordo em número, gênero e grau. Combater de verdade a violência, combater a marginalidade, desarmar os bandidos. Aí sou a favor de desarmar todo mundo.

Só não acho justo alguém ficar armado até os dentes e a população totalmente abandonada. Há 46 municípios no Tocantins que não têm um PM. Tenho 50 cidades sem um delegado. O que eu digo para essas pessoas? A maioria usa uma faca de cozinha no quarto com medo. Quantas pessoas não me dizem isso? Acho que é um assunto muito polêmico, que é difícil dizer eu sou a favor ou sou contra. Só acho que não está ajustado. Acho que tem alguma coisa errada nisso.

É favorável à legalização do aborto?

Todas as mulheres e homens do Brasil são contra o aborto. Ninguém é feliz com o aborto. A legislação apresenta três quesitos: o risco de vida da mãe, o estupro e o anencéfalo. Eu quero fazer um registro que o anencéfalo eu votei contra.

A mãe tem de dar à luz ao anencéfalo?

Acho que sim.

E em outros pontos?

Não gostaria de entrar em um tema muito pessoal. É o Congresso que tem de decidir, é representante do povo. Sou cristã e, do ponto de vista dos meus princípios, não gostaria de modificar a lei, mas não estou aqui para jogar pedra em ninguém e as pessoas merecem apoio em qualquer circunstância.

A sra. já foi do DEM e hoje está no PDT. Como se define politicamente?

Sou democrata, uma pessoa de centro e acredito no mercado, mas meu coração ainda está aqui dentro batendo.

KÁTIA ABREU, 56

Senadora pelo PDT do Tocantins, a empresária e pecuarista foi ministra da Agricultura no segundo mandato de Dilma Rousseff. Foi ainda deputada federal, entre 2003 e 2007, e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) de 2008 a 2011. Em junho deste ano, ficou em quarto lugar, com 15,6% dos votos, em eleição suplementar para o governo tocantinense. Recebeu apoio por carta do ex-presidente Lula, preso em Curitiba. Com informações da Folhapress.

Continue Lendo
Clique para comentar

Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

Publicado

em

Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

Continue Lendo

Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

Publicado

em

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

Continue Lendo

Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

Publicado

em

Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

Continue Lendo

Mais Lidas

Copyright © 2019 - Criado por PrecisoCriar | www.precisocriar.com.br