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Eleições 2018

Aposta de Geraldo Alckmin é ir para 2º turno com o PT

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Adriano Machado / Reuters Tucano acredita que o candidato apoiado por Lula desidratará Ciro, e que parte dos votos de Bolsonaro irá para ele

Três dias antes de o centrão chancelar o apoio a seu nome na disputa pelo Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin (PSDB) fez o cálculo político mais importante de sua pré-campanha: como de costume, resolveu esperar.

Desistiu de um encontro que estava marcado para a segunda-feira (16) com Álvaro Dias (Podemos), que também concorre à sucessão de Michel Temer. Na conversa reservada, ofereceria ao ex-colega de partido a vaga de vice na sua chapa à Presidência.Avaliou, porém, que o movimento -inicialmente programado para evitar um possível isolamento partidário- poderia romper de vez suas pontes com o chamado centrão.

Naquele momento, o grupo formado por DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade ainda estava dividido entre avalizar Alckmin ou apoiar Ciro Gomes (PDT), em uma jogada que levaria o bloco a um campo pouco vivenciado por ele: a esquerda.

A habitual paciência do ex-governador de São Paulo, atrelada a conversas individuais que teve com dirigentes do grupo no início da semana, surtiram efeito. Na tarde de quinta-feira (19), o centrão decidiu fechar acordo com o tucano.

O acerto deu sobrevida à candidatura de Alckmin e força à sua principal tese: o candidato apoiado pelo ex-presidente Lula desidratará Ciro Gomes e a disputa deste ano será, mais uma vez, polarizada entre PT e PSDB.

Em sua segunda tentativa de chegar ao Planalto, Alckmin considera que precisa recuperar o espaço que perdeu para Jair Bolsonaro (PSL), principalmente no eleitorado jovem e rico, se quiser voltar à tradicional formatação das eleições presidenciais desde 1994 -e a aliança com o maior bloco de partidos entre os concorrentes pode ajudá-lo.

Com estrutura nos estados, prefeitos e parlamentares engajados na campanha, além dos cerca de 4 minutos e meio que terá na propaganda eleitoral na TV, Alckmin acredita que vai conseguir sair dos 7% que tem há meses nas pesquisas.

Na ponta dos levantamentos, pretende encontrar, no meio de setembro, o adversário petista lançado e apoiado por Lula, que, preso há três meses em Curitiba, lidera as pesquisas com 30%.

Os cotados como plano B do PT, Fernando Haddad e Jaques Wagner, têm apenas 1% quando Lula não aparece na disputa, mas o potencial de transferência de votos do ex-presidente é significativo.

Segundo o Datafolha, 30% das pessoas dizem votar em um candidato apoiado por ele, enquanto 17% afirmam que talvez votariam.

A aliados Alckmin admite que a estratégia do PT de levar a candidatura de Lula até o limite, a despeito do veto imposto pela Lei da Ficha Limpa, é “a melhor possível”, porque preserva de ataques dos adversários o nome que será escalado para substituir o ex-presidente nas urnas.

Além disso, o tucano acredita que, quanto mais perto do primeiro turno, mais eficaz será o potencial de transferência de votos do petista.

A aposta de Alckmin é pragmática: em um eventual segundo turno contra o PT, ele receberia parte dos votos de Bolsonaro -que hoje lidera a corrida ao Planalto na ausência de Lula-, principalmente pelo discurso antipetista.

O tucano acredita que, em uma eleição tão fragmentada como esta, será muito difícil um nome alinhado à esquerda ficar fora do segundo turno. Para duelar com esse personagem, no entanto, precisa de impulso para chegar ao primeiro pelotão das pesquisas.

A receita, dizem seus auxiliares, além do amplo tempo de TV, será atacar frontalmente Bolsonaro, apontando contradições e mostrando o que dizem ser “nítido despreparo” do capitão reformado.

Alckmin pediu que sua equipe fizesse uma espécie de inventário de fracassos da ditadura militar, exaltada por Bolsonaro como um período em que o país crescia com ordem social. O tucano quer um levantamento sobre o número de estatais daquela época, além dos índices de inflação, que dispararam na década de 1980, no fim da ditadura.

Com o material em mãos, pretende atacar sistematicamente o presidenciável do PSL e mostrar inconsistências em seu discurso, reforçando que ele não está preparado para governar o país.

Até agora, aliados e parte do mercado -antes simpática ao PSDB- estavam céticos quanto à viabilidade do ex-governador de São Paulo.Além do centrão, o tucano deve ter o apoio de PSD, PTB, PPS e PV e, assim, somar os valiosos 4 minutos e meio na TV. O PT, por ora sozinho, tem perto de 1 minuto e 35 segundos. Com informações da Folhapress.

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Eleições 2018

O discurso de Haddad após derrota nas urnas: ‘não tenham medo’

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Fernando Haddad (PT) falou pela primeira vez na noite deste domingo (28) após a derrota nas urnas para Jair Bolsonaro (PSL), que foi eleito o novo presidente da República. Ao lado da esposa Estela Haddad e da aliada Manuela D’Ávila (PC do B), que foi sua vice na chapa “O Brasil Feliz de Novo”, o petista discursou em um hotel na cidade de São Paulo e pediu para que os eleitores que votaram nele “não tenham medo”.

“Em primeiro lugar, gostaria de agradecer meus antepassados. Aprendi com eles o valor da coragem para defender a justiça a qualquer preço. Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos”, começou o ex-presidente de São Paulo.

“Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país”, disse Haddad.

“Vamos continuar nossa caminhada, conversando com as pessoas, nos reconectando com as bases, nos reconectando com os pobres desse país. Daqui a quatro anos teremos uma nova eleição, temos que garantir a instituições. A soberania nacional e democracia, como nós a entendemos, é um valor que está acima de todos nós”, acrescentou.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora”, disse Haddad, pedindo que os eleitores que “não tenham medo”. “Temos uma tarefa enorme que é defender o pensamento, a liberdade desses 45 milhões de votos”, diz Haddad. “Nós não vamos deixar esse país para trás, respeitando a democracia”, finalizou.

Fonte: NMB

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Eleições 2018

STF analisará se Bolsonaro, sendo réu, pode assumir presidência, diz Rosa Weber

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Ag. Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, afirmou, na noite deste domingo (28), que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar se o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), por ser réu, pode assumir o cargo. Ela disse também que a corte irá priorizar os julgamentos de pedidos de cassação das candidaturas a presidente de Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A ministra concedeu entrevista coletiva para a divulgação oficial da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto. Ao abrir espaço a jornalistas, Rosa recebeu várias perguntas sobre a disseminação de fake news durante o pleito deste ano. Ela respondeu que o fenômeno é de “difícil equacionamento” e que o tribunal continuará estudando o tema. “A ênfase de que não há anonimato na internet é reveladora de que há um bom caminho a seguir”, afirmou.

BN

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Eleições 2018

A guinada à direita com Bolsonaro e o discurso que apequenou Haddad

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Foto: Montagem/ Bahia Notícias

O Brasil finalmente poderá colocar um fim à intensa – e tensa – campanha eleitoral de 2018. Com cerca de 58 milhões de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e marcou uma guinada à direita na condução das políticas públicas no país. Depois de quatro eleições consecutivas vencidas pelo PT, um candidato de extrema direita chega ao Palácio do Planalto, com um programa de governo ainda repleto de buracos, porém legitimado pelas urnas.

Bolsonaro teve todos os méritos por subverter a lógica da política ao ser candidato por uma legenda nanica, sem infraestrutura e recursos partidários e com uma base eleitoral formada, principalmente, por meio de redes sociais. Apesar de parecerem ligeiramente amadores, os passos do deputado federal parecem ter sido milimetricamente planejados para culminar com essa vitória no segundo turno. O candidato do PSL é, antes de tudo, o grande vencedor das eleições de 2018 – e o seria mesmo que a diferença de votos para o adversário, Fernando Haddad (PT), fosse apertada.

A chegada dele ao comando federal coloca o Brasil na rota das guinadas à direita do sistema político mundial. A tendência era observada fora do país e, até então, não havia dado sinais tão fortes em território brasileiro. Bolsonaro o fez com um discurso conservador e em diversos momentos repulsivo, porém amparado na consolidação do antipetismo, que motivou uma parte expressiva do não voto em Haddad.

O novo presidente fez dois discursos depois de eleito. Um primeiro controlado, na principal ferramenta dele durante a campanha, as redes sociais. Ali, observou-se um Bolsonaro autêntico, falando diretamente para o público que cativou e sem firulas de um candidato. O segundo foi mais simbólico. Planejado e escrito previamente, o deputado federal adotou uma postura de estadista, até então inédita para quem acompanha o tom utilizado por ele ao longo de toda a trajetória política.

Ao que parece, a retórica que o projetou pode ficar em segundo plano para tentar viabilizar os projetos de reforma e de Brasil defendidos por ele. A partir desta segunda-feira (29), a vigilância sobre Bolsonaro vai ser ainda maior e qualquer desvio da promessa de “liberdade” e “democracia” será cobrado muito incisivamente. Será esse o papel da imprensa, mas também da oposição ao novo governo que se forma.

Os opositores, inclusive, começaram mal. O nome mais forte para ocupar a função de porta-voz do outro lado, o derrotado Fernando Haddad, preferiu fazer remissões ao “golpe” contra Dilma Rousseff, à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerada “injusta” por ele, e a eventuais ameaçadas que Bolsonaro traria à democracia. Para quem esperava uma fala de um possível estadista, o petista ficou ligeiramente menor do que poderia ter saído da eleição.

Tal qual 2014, não deve haver espaço para um “terceiro turno eleitoral”. Aceitar que houve uma eleição e que a maioria da população escolheu Bolsonaro, mesmo com as diversas restrições a ele, é dever de todos os brasileiros. Se é a direita que a nação quer que comande o país, a esquerda vai reaprender a ser oposição. E talvez terminemos 2018 mais maduros do que começamos.

BN

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