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As origens e as guerras do Anonymous, o grupo hacker mais poderoso do mundo

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O grupo hacker mais famoso de todos os tempos deu seus primeiros passos dentro do 4chan, um site com fóruns de discussão sobre qualquer assunto, até hoje em funcionamento. Em meados de 2003, os usuários que não se identificavam nos debates tinham suas mensagens postadas com uma simples assinatura: anonymous. Não demorou para que surgisse a ideia de criar uma identidade que unificasse anônimos em torno de uma só representação.

“Logo de início, o primeiro agrupamento reuniu hackers, artistas e ativistas. O modo de agir dos primeiros anons [como ficaram conhecidos] se espalhou rapidamente”, analisa Sergio Amadeu da Silveira, doutor em sociologia e pesquisador em tecnologia da informação e ativismo hacker na Universidade Federal do ABC (UFABC). No início, os anons agiam por pura diversão. Invadiam plataformas de jogos infantis para incomodar crianças e zombavam de internautas em sites de relacionamento. Aos poucos, a zoeira foi dando lugar a ações de engajamento.

Foi somente depois de algumas intervenções em nome da liberdade na rede que os anons ganharam status de hacktivistas libertários e de ciberativistas. A primeira delas, uma espécie de declaração de guerra contra a Cientologia, aconteceu em 2008.

Tudo começou quando um vídeo do ator Tom Cruise (membro da Cientologia) vazou na internet. O material, repleto de frases um tanto inusitadas, virou motivo de chacota internacional. A certa altura, ele chega a dizer, com ares de superioridade, que cientologistas estariam acima de pessoas comuns, pois são capazes de evitar que “coisas ruins aconteçam”. O vídeo bombou na rede até que, ameaçando processar quem divulgasse o material, os advogados da Cientologia conseguiram derrubar praticamente todos os links de acesso. A turma do 4chan, no entanto, não gostou nada da ideia de censura.

Nos fóruns de discussão, diversos anons começaram a agitar os demais participantes, pregando que a Cientologia não permitia a liberdade na internet. Os hackers se organizaram para subir o vídeo em diversos websites. Cada nova postagem, no entanto, era prontamente derrubada por alguma ordem judicial encabeçada pelos cientologistas. “Então esse vídeo que eles tentavam tanto suprimir foi parar em todos os lugares. Para onde quer que você olhasse na internet, dava de cara com isso”, afirma um membro do grupo em entrevista ao documentário We Are Legion, de Brian Knappenberger (disponível na Netflix). O documentarista também dirigiu O Menino da Internet, sobre Aaron Swartz, hacker americano que cometeu suicídio depois de ser processado pelas autoridades americanas. Como forma de resistência ao poder da Cientologia, os hackers multiplicavam os locais em que os vídeos eram postados, como o YouTube e a rede TOR.

A igreja não imaginava como seria lutar contra uma legião anônima. Naquelas semanas, cerca de cem cidades, principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, registraram protestos contra a Cientologia. Como resposta, a instituição tentava desqualificar o movimento, chamando os anonsde ciberterroristas. Enquanto isso, o Anonymous crescia ao se posicionar como um exército capaz de ir contra a censura, tanto no mundo real quanto no virtual. Propondo transparência e liberdade, o grupo passou a ser exaltado na internet.

Caóticos e ilegais 

Depois que uma passeata neonazista em Charlottesville resultou na morte de uma mulher, em 13 de agosto de 2017, o Anonymous postou um vídeo recriminando discursos de ódio. Os anons são conhecidos por acumular em seus currículos atos em defesa dos direitos civis e das liberdades individuais. Eles ajudaram a burlar a censura durante a Primavera Árabe (a onda de protestos e manifestações que tomaram conta do Oriente Médio e do norte da África no fim de 2010). Além disso, apoiaram pela internet a população que derrubou o governo ditatorial de Zine El Abidine Ben Ali, na Tunísia.

Ainda que não estivessem ligados diretamente à formação do WikiLeaks, eles prestaram apoio quando os serviços de pagamentos online Amazon, PayPal e Mastercard barraram doações às contas do projeto, em 2010. Na chamada Operação Payback, os hacktivistas se uniram e mostraram que os mesmos sites aceitavam doações direcionadas a grupos neonazistas. Eles iniciaram um ataque DDoS (Distributed Denial of Service, ou ataque de negação de serviço, em que um servidor é sobrecarregado a ponto de sair do ar) que resultou, após três dias, num prejuízo de US$ 150 milhões às empresas. Mas há outro lado.

O Anonymous também tem fama de realizar ataques vingativos e até infantis. Como o grupo não tem uma única liderança, é inevitável que muitas ações saiam do controle. Descontentes com a fama de bons moços após o episódio da Cientologia, alguns anons fizeram “pegadinhas” na internet, invadindo um site de apoio à epilepsia e postando links com GIFs multicoloridos. Para alguns epilépticos, a alternância de cores causa tonturas, enxaquecas e convulsões. Veio à tona um enorme debate: enquanto algumas pessoas transferiam a culpa aos donos dos sites, que não utilizavam nenhum tipo de proteção, outros apontavam a Cientologia como verdadeira causadora dos ataques.

O rosto da dissidência 

Nas passeatas promovidas pelos Anonymous, simpatizantes e integrantes do movimento saíam às ruas em defesa da liberdade de expressão. Para manter sigilo, a maioria escolheu utilizar a máscara de V, personagem defensor da liberdade do filme V de Vingança. O herói é inspirado na figura de Guy Fawkes, um soldado inglês que acabou morto por participar da Conspiração da Pólvora, contra o rei Jaime 1o, na Inglaterra do começo do século 17. Com membros de classes financeiras e grupos sociais variados, o Anonymous não obedece a uma única direção. O 4chan, por exemplo, se transformou num reduto da ultradireita, mantendo pouco ou nenhum vínculo com o grupo. “O Anonymous é um modo de ação em rede que pode ser apropriado por coletivos de diferentes ideologias, desde que permaneçam anônimos em suas ações”, explica Amadeu.

No Brasil, a marca cresceu sob à luz dos protestos de 2013, quando mais de 140 páginas no Facebook utilizavam variações como Anonymous Br e Anonymous SP. Grupos e fóruns de discussão, a exemplo do Mafia Anonymous e do Anonymous GhostSec, são exemplos do que ainda é possível encontrar na rede social. Mas, como o Anonymous não possui uma estrutura organizada, é impossível definir quantas dessas páginas contavam com “filiados” brasileiros e quantas se valeram do nome só para tentar aparecer.

Com 1 milhão de seguidores, a página AnonymousBr4sil demonstrou seu apoio a movimentos conservadores – e acabou sendo atacada por outros coletivos do grupo no país. Na visão de Sergio Amadeu, o apoio declarado a partidos políticos no Brasil acabou desvirtuando a imagem de coletivos como o Anonymous. “A pergunta que não deixa de ser feita por hackers e ciberativistas é: por que alguém precisa ser anônimo para defender seu status quo?”, finaliza o pesquisador.

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Coronavírus custou entre 15 e 22 bilhões de dólares a Shell

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© BEN STANSALL

A gigante do petróleo Royal Dutch Shell anunciou nesta terça-feira que seus ativos registraram uma depreciação de entre 15 e 22 bilhões de dólares no segundo trimestre, consequência do impacto da pandemia de coronavírus na demanda e nos preços dos combustíveis.

“No segundo trimestre, a Shell revisou suas perspectivas de valores a médio e longo prazo e suas perspectivas de margens para refletir o impacto da pandemia de COVID-19”, explica a empresa em um comunicado. 

O grupo acrescenta que reavaliou seus ativos tangíveis e intangíveis e registrará “gastos de depreciação de 15 a 22 bilhões de dólares após impostos no segundo trimestre”.

A empresa aposta em um barril de petróleo a 35 dólares este ano, um preço que não permite geralmente aos grandes grupos de petróleo gerar lucros. A Shell prevê um barril a 40 dólares no próximo ano e 50 dólares em 2022.

As cotações do petróleo começaram 2020 ao redor dos 60 dólares, antes de uma queda expressiva em março e abril.

No primeiro trimestre, a Royal Dutch Shell entrou no vermelho devido à queda dos preços do petróleo, o que levou a empresa a reduzir seus dividendos pela primeira vez desde os anos 1940.

AFP

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OMS atualizará orientações após “grande notícia” sobre remédio contra Covid-19

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© Reuters/YVES HERMAN

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que se prepara para atualizar suas orientações sobre o tratamento de pessoas com Covid-19 em reação aos resultados de um teste clínico que mostrou que um esteroide barato e comum pode ajudar a salvar pacientes gravemente doentes.

Resultados de testes anunciados na terça-feira mostraram que a dexametasona, usada desde os anos 1960 para diminuir inflamações de outras doenças, como artrite, reduziu em cerca de um terço as taxas de mortalidade entre pacientes de Covid-19 gravemente doentes e hospitalizados.

A orientação clínica da OMS para o tratamento de pacientes infectados com o novo coronavírus se dirige a médicos e outros profissionais de saúde e almeja usar os dados mais recentes para informar os clínicos gerais sobre a melhor maneira de combater todas as fases da doença, da verificação à alta hospitalar.

Embora os resultados do estudo sobre a dexametasona sejam preliminares, os pesquisadores por trás do projeto disseram que leva a crer que o remédio deveria se tornar um recurso padrão no cuidado de pacientes com casos graves imediatamente.

Em pacientes de Covid-19 com uso de ventiladores, ficou demonstrado que o tratamento reduz a mortalidade em cerca de um terço, e para pacientes que só precisam de oxigênio a mortalidade foi reduzida em cerca de um quinto, de acordo com dados preliminares compartilhados com a OMS.

O benefício só foi visto em pacientes de Covid-19 gravemente doentes e não foi observado em pacientes com uma doença mais amena.

A boa notícia chega no momento em que infecções de coronavírus se aceleraram em alguns locais, como os Estados Unidos, e em que Pequim cancelou dezenas de voos para ajudar a conter um novo surto na capital chinesa.

“Este é o primeiro tratamento em que se mostrou reduzir a mortalidade em pacientes com Covid-19 que precisam de oxigênio ou do auxílio de ventilador”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em um comunicado emitido na noite de terça-feira. A agência disse que aguarda a análise dos dados completos do estudo nos próximos dias.

“A OMS coordenará uma meta-análise para aprimorar nosso conhecimento geral desta intervenção. A orientação clínica da OMS será atualizada para refletir como e quando o remédio deve ser usado para Covid-19”, acrescentou a agência.

Mas a principal autoridade de saúde da Coreia do Sul alertou para o abuso do medicamento em pacientes de Covid-19.

“(Ele) já é usado há tempos em hospitais sul-coreanos para pacientes com diversas inflamações”, disse Jeong Eun-kyeong, chefe do Centro para Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC). “Mas alguns especialistas alertam que o remédio não só reduz a reação inflamatória nos pacientes, mas também o sistema imunológico, e pode desencadear efeitos colaterais. O KCDC está debatendo seu uso em pacientes com Covid-19.”

Reuters

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Situação “extremamente grave” de surto de Covid-19 em Pequim soa como advertência para Europa

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© AP – Mark Schiefelbein

As autoridades de Pequim diagnosticaram 27 novos casos de infecção por coronavírus nas últimas 24 horas, elevando para 106 o número de pessoas com a Covid-19 em cinco dias. A situação da epidemia em Pequim é “extremamente grave”, disse o porta-voz do prefeito nesta terça-feira (16), depois que centenas de pessoas foram infectadas desde a semana passada, na capital chinesa.

Pequim está “correndo contra o relógio” diante do novo coronavírus, disse o porta-voz do prefeito, Xu Hejian, à imprensa. A cidade de 21 milhões de habitantes intensificou os esforços contra a Covid-19 e atualmente tem capacidade para realizar mais de 90.000 testes de diagnóstico por dia.

Esse surto epidêmico despertou o medo de uma “segunda onda” da pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na segunda-feira (15) que estava acompanhando a situação em Pequim “de muito perto” e mencionou o possível envio de mais especialistas nos próximos dias.

O surto começou no gigantesco mercado atacadista de Xinfadi, um dos maiores da Ásia, onde o vírus foi detectado na semana passada. Desde então, outros quatro mercados da capital foram fechados total ou parcialmente e cerca de trinta áreas residenciais foram colocadas em quarentena. Os alunos do ensino fundamental e do primeiro ciclo do ensino médio podem retomar as aulas em casa.

O recrudescimento de casos da Covid-19 na China é acompanhado com atenção pelas autoridades europeias. O espaço Schengen de livre circulação, que inclui 22 países do bloco, acaba de reabrir suas fronteiras internas, para tentar salvar a temporada turística do verão. A França reabriu ontem seus bares e restaurantes, depois de constatar um recuo constante da epidemia desde meados de maio. “O pior ficou para trás”, declarou nesta segunda-feira (15) o ministro francês da Saúde, Olivier Verán.

A maior parte dos países europeus elaborou planos para confinar novamente as populações, caso surjam surtos localizados de coronavírus. Uma segunda onda da pandemia seria catastrófica para a economia europeia, que enfrenta a pior recessão de sua história.

RFI

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