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‘Moro e Bolsonaro estão tentando me ameaçar’, diz Glenn Greenwald

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“Juntos Sérgio Moro e Jair Bolsonaro estão obviamente tentando me ameaçar. Isso é o tipo de perseguição mais severa possível vinda do governo.” A afirmação é do advogado e jornalista americano Glenn Greenwald, em entrevista exclusiva ao HuffPost, uma semana após a edição de portaria do Ministério da Justiça que autoriza deportação sumária de estrangeiro “perigoso ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”.

Glenn é responsável pela série de reportagens publicadas desde 9 de maio no site The Intercept Brasil, que revela diálogos ocorridos nos bastidores da Operação Lava Jato e põe em questão a relação entre juiz e acusação — Moro, que era o juiz da 13ª Vara Criminal Federal em Curitiba, e Deltan Dallagnol, chefe dos procuradores da Lava Jato.

A publicação da troca de mensagens de Telegram, atribuídas a Moro e Dallagnol, ficou conhecida como #VazaJato. Além de Intercept, Folha de S.Paulo, Veja e BandNews FM participaram da depuração do material. As conversas indicam que Moro orientou a atuação de Dallagnol e interferiu em negociações de delações de acusados.

Na conversa por telefone com HuffPost nesta quinta-feira (1º), Glenn disse que a portaria 666, editada um dia após a prisão dos hackers que a Polícia Federal afirma serem os responsáveis por invadir os celulares de autoridades, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, “foi uma tentativa de intimidar”. Um dos hackers presos seria a fonte das conversas do Judiciário, reveladas pelo Intercept.

A conduta de Glenn como jornalista foi tachada de crime pelo Planalto. O presidente negou que ele seria deportado, mas disse que ele poderia “pegar uma cana no Brasil”.

Em quase meia hora de entrevista, o jornalista falou sobre segurança cibernética, que considera falha no Brasil, defendeu a liberdade de imprensa, e ressaltou estar certo de não ter cometido crime. “Eu não acredito que Moro e Bolsonaro podem me prender sem mostrar evidência concreta e credível para os tribunais de que eu fiz alguma coisa criminosa. E eu também sei que essa evidência não existe. É por isso que não saio deste País.” 

Glenn diz que recebe ameaças todos os dias — seja via telefone, e-mail, redes sociais. O jornalista vê traços de LGBTfobia nas mensagens: “O ódio que eles [equipe de Bolsonaro] estimulam contra mim é parte do ódio que eles estimulam contra LGBT”. 

Ele, o marido — o deputado federal Davi Miranda (PSol-RJ) — os dois filhos de 10 e 11 anos, além de outros membros da família, só andam com segurança. “Quase não saio de casa”, completou.

Leia a íntegra da entrevista:

HuffPost: Você acha que está sendo perseguido pelo governo?

Glenn Greenwald: Obviamente estou. O presidente da República disse por três dias consecutivos, usando meu nome, que eu devo ser preso. Além disso, lembramos que a Polícia Federal, comandada pelo [ministro da Justiça e Segurança Pública] Sérgio Moro, iniciou uma investigação pedindo para o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) um relatório sobre minhas atividades financeiras. E também também tudo começa com o Sérgio Moro usando uma linguagem para criminalizar o nosso jornalismo. Nunca nos chamando de jornalistas, mas sempre nos chamando de “os aliados dos hackers”. Então, juntos, Sérgio Moro e Jair Bolsonaro estão obviamente tentando me ameaçar com prisão. Isso é o tipo de perseguição mais severa possível vinda do governo. 

Você teme “ir em cana”, termo que o presidente Jair Bolsonaro comumente usa? 

Se tivesse muito medo, eu sairia deste País a qualquer minuto, como eu posso. Todos sabíamos, quando começamos a fazer essa reportagem, que os riscos vão ser muitos altos. Eu sabia que ia ser mais do que no caso do [Edward] Snowden [que vazou arquivos secretos dos EUA e os tornou públicos junto com Glenn]. Mas isso é a luta que nós escolhemos. Eu entendo os riscos, acredito que são reais. Por outro lado, estou totalmente dedicado ao trabalho que estamos fazendo e vou continuar fazendo, independente de ameaças, riscos e qualquer coisa que eles tentem fazer. Porque este País é meu lar. É o País do meu marido, dos meus filhos. Eu acho que o Brasil tem que escolher se vai continuar sendo democracia ou País repressivo, uma ditadura, tirania. E essa causa é muito importante para mim, para minha vida, para meu trabalho. Sim, eu conheço os riscos. Acho que os riscos são sérios. Mas, por outro lado, esse trabalho é exatamente o que eu queria fazer quando eu entrei no jornalismo. 

O que achou da portaria 666, que fala em deportação sumária de estrangeiros considerados perigosos?

Ficou totalmente claro que isso foi uma tentativa de me intimidar. Porque Sérgio Moro acordou e decidiu decretar que ele tem o poder de mandar deportado e expulsar sumariamente. Obviamente foi uma tentativa para criar um clima onde eu vou ficar intimidado. É verdade que a lei, formalmente, exclui pessoas como eu, casado com brasileiro, com filhos brasileiros. Então, ele não pode usar essa lei contra mim. Mas obviamente o motivo foi me mostrar que ele tem muito poder e pode fazer coisas contra mim. Todo mundo entendeu isso. Ninguém teve dúvidas sobre isso.

E você se sentiu intimidado?

Olha, não… Obviamente eu conheço muito bem as leis nos Estados Unidos e no Reino Unido, os direitos dos jornalistas, porque era advogado, e porque falamos muito com advogados durante reportagem do Snowden. Mas aqui no Brasil ainda não conhecia as leis tão bem como eu conhecia lá. Então encontrei com os melhores advogados no Brasil e todos disseram que, na verdade, a Constituição brasileira é mais forte para jornalistas que nos Estados Unidos ou no Reino Unido. Eu li muitas decisões judiciais que eles me deram, falando que é muito claro que os jornalistas não estão cometendo crime nenhum reportando material, mesmo se esse material foi obtido ilegalmente pela fonte. Eu sei até agora que eu tenho o direito para reportar esse material. Além do fato de que eu acho que Sérgio Moro e Jair Bolsonaro são ameaças graves à democracia brasileira, eu confio mesmo nas instituições brasileiras para produzir os direitos e garantias para os cidadãos brasileiros. Eu não acredito que Moro e Bolsonaro podem me prender sem mostrar evidência concreta e credível para os tribunais de que eu fiz alguma coisa criminosa. E eu também sei que essa evidência não existe. É por isso que não saio deste País. Porque eu acredito que eles não podem fazer nada contra mim legalmente — obviamente violência é outra coisa.  

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse que você cometeu crime mas não disse qual. O que você acha dessa falta de consistência nas afirmações do governo? 

Todos sabemos que Bolsonaro tem mentalidade que pessoas devem ser presas mesmo sem cometerem um crime, especialmente adversários dele politicamente. Ele ameaçou colocar Fernando Haddad na prisão. Pessoas esquecem aquele discurso totalmente maluco de três ou quatro dias antes do segundo turno ameaçando que todos os inimigos dele vão precisar sair do País. Ele tem uma mentalidade de ditador. Ele sempre foi assim durante últimos 30 anos. Então nada do que ele está fazendo deve ser surpresa para ninguém. Ele era essa pessoa e ainda é essa pessoa. A questão é se ele vai poder fazer essas coisas. Acho que tem uma geração de 30, 35 anos agora na democracia brasileira, em que as pessoas estão aprendendo, acreditando em valores democráticos, em instituições, no Judiciário, no Congresso Nacional, que já está resistindo em muitos aspectos. 

A única coisa que ele disse, quando foi pressionado para especificar qual crime eu cometi, disse que eu cometi receptação, porque ele disse que eu recebi material, que ele disse que foi roubado, e ele disse que isso é um crime. Mas se isso for um crime, o jornalismo mais importante nos últimos 30 anos também são crimes. Muito jornalismo feito pelo The New York Times, pelo Washington Post. Coisa interessante é que se Bolsonaro acreditar que é crime jornalista usar informação roubada, por que ele não tem a coragem para exigir não só a minha prisão, mas a prisão dos editores na Veja e na Folha, que estão usando o mesmo material, o mesmo acervo que nós estamos usando para reportar? Ele é um covarde. É muito fácil falar que o Glenn Greenwald deve ser preso, porque é estrangeiro, gay, sou casado com um membro do Congresso no partido socialista. Mas se ele está sendo consistente, se acredita que isso é mesmo um crime, por que ele não está falando a mesma coisa sobre editores e repórteres na Veja e na Folha? 

Davi Miranda e Glenn Greenwald em manifestação em defesa do jornalista e da liberdade de imprensa no Rio de Janeiro.

© Fornecido por Oath Inc. Davi Miranda e Glenn Greenwald em manifestação em defesa do jornalista e da liberdade de imprensa no Rio de Janeiro.

Que tal a manifestação esta semana no Rio em prol da liberdade de imprensa, que te homenageou?

Foi muito lindo, porque tinha muitas pessoas de tipos diferentes unidas, não em minha defesa, mas em defesa da imprensa livre e, sobretudo, em defesa da democracia. Tinha pessoas lá que foram punidas sob o regime militar, que já passaram essa experiência, naquela época muito horrível para este País. E o fato de eles terem aparecido lá para apoiar o trabalho que estamos fazendo… Havia três mil pessoas lá. Me fortaleceu muito, me inspirou muito! Já mostrou quanta coragem enfrentou a ditadura militar. E o fato também de que meus filhos estavam lá, meu marido do meu lado, fortaleceu a todos nós. 

O senhor falou em ter “causa” ao ingressar no jornalismo. Acha que pode ser considerado um ativista para além de jornalista?

Tinha esse debate muito grande na época do Snowden. Acho que todo jornalista tem opiniões, Alguns são honestos sobre suas opiniões, e outros que fingem que não têm. Acho que não existe jornalista sem opinião. A única questão relevante para mim sobre jornalismo é se você está divulgando informação de interesse público e lidando com cautela jornalística e se todas as informações que publicamos são verdadeiras, foram confirmadas, verificadas através de vários outros veículos da mídia. Estamos divulgando nos melhores jornais, na Folha de S.Paulo, na revista Veja. Então todas as atividades que estamos fazendo são jornalismo puro. E acho muito interessante quando pessoas falam que não sou jornalista, quando tenho um escritório cheio de prêmios jornalísticos. Tenho muita confiança de que o trabalho que estou fazendo é jornalismo.

Você acha que toda essa questão das invasões dos celulares das autoridades que vieram à tona, com a prisão dos hackers, revela uma vulnerabilidade digital da República? De tudo o que você já viu lá fora, o Brasil está atrás dos demais países?

Não posso comentar nada sobre nossa fonte. Na realidade, nós não sabemos se as pessoas que eles prenderam são as nossas fontes. E também, a PF e o Ministério Público não apresentaram nenhuma evidência apoiando as acusações que eles estão apontando e vazando. Então eu não sei tudo e se alguma coisa do que eles estão falando é verdade. 

Uma coisa interessante é que a primeira vez que eu comuniquei com o Edward Snowden foi em 2012. A única vez que o vi com raiva, porque ele é um cara muito calmo, foi naquele dia quando o Sérgio Moro divulgou conversas privadas de Lula e Dilma. E ele não estava zangado porque ele achou que Moro fez alguma coisa de errado, porque ele não sabe de questões legais. Ele estava zangado porque ele sacrificou e arriscou a liberdade e a vida dele para mostrar para brasileiros e para todo mundo como EUA estão invadindo a privacidade deles. Nós fizemos muitas reportagens aqui no Brasil sobre como o País foi alvo do NFA. E eu encontrei naquela época com senadores, com governo, e todos disseram naquela época: “meu Deus, não sabíamos dessa capacidade sobre invadir celulares, vamos fazer muito para crescer na segurança da comunicação”. Mas ele [Snowden] não conseguiu acreditar que, três anos depois que eu fiz essa reportagem, a presidente da República do Brasil estava falando em linha aberta, sem segurança, sem criptografia, como a ex-presidente [Dilma]. Foi por causa disso que ele estava tão zangado, porque Brasil não fez quase nada para fortalecer segurança digital e privacidade depois das revelações que nós conseguimos. Acho que até agora o Brasil tem segurança digital muito fraca e isso é um problema para o governo mesmo. 

Falando um pouco da sua vida pessoal. Você e sua família, vocês têm tido uma rotina normal? Ou mudou algo após as publicações do Intercept?

Não temos uma vida normal. Em 2018 sofremos uma tragédia horrível quando uma das nossas melhores amigas, do meu marido, a Marielle Franco, foi assassinada. Ele sentava ao lado dela na Câmara de Vereadores [do Rio de Janeiro], tinham uma trajetória de vida muito parecida, cresceram na favela, negros, LGBT, mesma causa, mesmo partido. Desde aquele evento horrível, nós sentimos, porque a violência foi muito perto. Mas depois que David entrou no Congresso, quando o Jean [Wyllys] saiu do País, Davi [Miranda] se tornou muito visível como um dos únicos LGBTs no Congresso. Ele já estava recebendo ameaças muito graves. Aumentamos nossa segurança pessoal, na nossa casa, na nossa família uns cinco, seis meses atrás, em janeiro, quando isso aconteceu [Davi, suplente de Jean, assumiu a vaga dele, após o deputado se licenciar da Câmara]. 

Obviamente as ameaças aumentaram radicalmente desde que eu comecei a fazer essas reportagens. A estratégia do movimento do Bolsonaro era para personalizar a reportagem comigo, mesmo quando eu não tenho envolvimento, quando a Veja publica artigos [sobre os vazamentos], eles usam tudo comigo, falam “O Glenn Greenwald vazou mais documento”, eles usam fotos de mim, protestos em grupos de WhatsApp que estão se espalhando. Não posso sair na rua sem segurança. Recebo ameaças todos os dias. O ódio que eles [equipe de Bolsonaro] estimulam contra mim é parte do ódio que eles estimulam contra LGBT. Sempre tentando personalizar isso em mim, para mostrar que isso está sendo feito por um estrangeiro, esquerdista, gay.  

A segurança que temos agora é muito intensa. Tentamos criar um clima em que filhos possam ter uma vida o mais normal possível. Mas, sim, foi necessário discutir com eles, com 11 e 10 anos, explicar por que sempre temos seguranças em casa, por que quando viajamos com a família precisamos ter pessoas com armas acompanhando a gente. Mas eles já passaram por muitas coisas difíceis em suas vidas antes de adotarmos eles. E são muito fortes por causa disso. 

É difícil, mas por outro lado, para ser totalmente honesto, Davi e eu também estamos muito gratos de termos essa oportunidade. Temos uma plataforma pública para lutar em defesa, por valores em que acreditamos muito. Nossa vida é muito difícil. É difícil ouvir palavras feias sobre meus filhos, saindo da boca do presidente da República, dizendo que os adotamos para ter proteção sobre deportação. Mas não me arrependo de nada. Se precisássemos escolher de novo, escolheríamos a mesma coisa. Davi entrou para a política e eu para o jornalismo para fazer exatamente esse tipo de luta. 

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Sobe de 35% para 40% os que avaliam governo Bolsonaro como ‘ruim ou péssimo’, diz pesquisa

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A parcela da população que reprova o governo de Jair Bolsonaro aumentou pela primeira vez desde maio de 2020, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (18) pela XP Investimentos em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe).

O levantamento de janeiro aponta que subiu de 35% para 40% a fatia que considera a gestão como ‘ruim ou péssima’. O porcentual é semelhante ao do início da pandemia do novo coronavírus no País, em abril de 2020.

Já a parcela que avalia a administração do governo como ‘ótima ou boa’ caiu de 38% para 32%. É a primeira vez desde julho em que a avaliação negativa supera a positiva .De acordo com avaliação da XP Investimentos, o movimento coincide com uma piora na percepção da atuação do presidente para enfrentar a covid-19. São 52% os que consideram ‘ruim ou péssima’, 4 pontos percentuais a mais que em dezembro de 2020.

A pesquisa também aponta que 50% dos entrevistados defendem que o governo recrie um benefício semelhante ao auxílio emergencial por mais alguns meses. Contudo, apenas 27% dizem acreditar que o governo tomará essa decisão. O benefício foi adotado pelo governo federal ao longo de 2020 para mitigar os efeitos econômicos causados pela pandemia. Bolsonaro, no entanto, vem descartando uma nova rodada de pagamentos.

Foram realizadas 1.000 entrevistas com abrangência nacional, no período de 11 a 14 de janeiro. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais.

Imunização

Questionados sobre a disposição de tomar uma vacina contra o coronavírus, 69% dizem que com certeza irão se imunizar. Entre os eleitores declarados que votaram em Bolsonaro nas últimas eleições, 58% afirmaram que irão se vacinar com certeza, enquanto 78% dos demais eleitores afirmaram tal intenção.

O uso emergencial da Coronavac e da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ontem (17). Nesta manhã de segunda-feira (18), o Ministério da Saúde autorizou o início da vacinação no País a partir de hoje e começou o envio das doses aos Estados e Distrito Federal.

Eleições

Os dados apontam que Bolsonaro segue à frente na disputa presidencial de 2022, tanto na pesquisa espontânea como na estimulada, quando são mencionados nomes dos candidatos. O presidente atinge 28% das intenções de voto, à frente de Sergio Moro, seu ex-ministro da Justiça e Segurança (12%), Ciro Gomes (11%) e Fernando Haddad (11%).

Já na pesquisa espontânea, quando não há apresentação de candidatos, Bolsonaro se mantém na liderança com 22% – abaixo do registrado em dezembro, quando tinha 24% das intenções de voto.

A pesquisa de janeiro indica que Bolsonaro perderia para Moro no segundo turno, que bateria o atual presidente por 36% a 33%. No último levantamento, os dados apontavam que o presidente derrotaria seu ex-ministro. Bolsonaro, no entanto, ganha numericamente de todos os outros cenários de segundo turno em que é testado.

Estadão

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Bolsonaro: ‘Quem decide se o povo vai viver em uma democracia ou ditadura são as Forças Armadas’

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda, 18, que as Forças Armadas são as responsáveis por decidir se há democracia ou ditadura em um País. O chefe do Executivo sugeriu ainda que as Forças Armadas foram “sucateadas” como parte de um objetivo de implementar o regime socialista no Brasil.

Nesta manhã, em meio às pressões sobre a atuação do governo durante a pandemia da covid-19, Bolsonaro recorreu a um discurso mais ideológico. Para os apoiadores, ele também voltou a dizer que seu governo está há dois anos sem corrupção e reiterou críticas ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

“O pessoal parece que não enxerga o que o povo passa, pra onde querem levar o Brasil, para o socialismo. Por que sucatearam as Forças Armadas ao longo de 20 anos? Porque nós, militares, somos o último obstáculo para o socialismo”, afirmou para apoiadores na saída do Palácio da Alvorada nesta manhã.

“Quem decide se o povo vai viver em uma democracia ou ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não a apoiam”, declarou. Bolsonaro afirmou ainda que “temos liberdade ainda”, mas “tudo pode mudar” e fez referência a possível eleição de Fernando Haddad (PT), seu adversário no segundo turno nas eleições de 2018.

“No Brasil, temos liberdade ainda. Se nós não reconhecermos o valor destes homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar. Imagine o Haddad no meu lugar. Como estariam as Forças Armadas com o Haddad em meu lugar?”, questionou Bolsonaro.

Vacina

Um dia após o governador de São Paulo, João Doria, sair na frente e iniciar a vacinação contra covid-19 no Estado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou mais cedo que vacina é do Brasil, em referência à Coronavac, imunizante produzido pelo Instituto Butantã em parceria com a chinesa Sinovac.

“Não é de nenhum governador não”, afirmou o presidente em conversa com apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã desta segunda. Ao longo da pandemia, Bolsonaro questionou a origem da vacina, colocou em dúvida a segurança do imunizante e chegou a comemorar a interrupção dos testes da Coronavac nas redes sociais. Mais cedo, o Ministério da Saúde autorizou o início da imunização no restante do País a partir de hoje e iniciou o envio das doses aos demais Estados.

Estadão

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Brasileiros e estrangeiros devem ter teste negativo de covid para entrar no país

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Brasileiros e estrangeiros deverão apresentar um teste negativo de covid-19, do tipo RT-PCR, para entrar no país. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nessa 5ª feira (17.dez.2020) e vale a partir de 30 de dezembro.

A portaria 630 (íntegra – 76 KB) foi assinada pelos ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), André Mendonça (Justiça e Segurança Pública) e Eduardo Pazuello (Saúde).

O teste deverá ser feito com no máximo 72 horas de antecedência do embarque. O comprovante do resultado negativo (não reagente) precisa ser apresentado à companhia aérea.

O viajante também deverá preencher a DSV (Declaração de Saúde do Viajante), dizendo que cumprirá as medidas sanitárias vigentes no Brasil. A portaria não detalha quais são essas medidas.

O descumprimento acarreta em responsabilização do cidadão nas formas civil, administrativa e penal. Entre as medidas punitivas estão a deportação ou repatriação.

A portaria ainda reforça a proibição de entrada de estrangeiros no Brasil por via terrestre ou aquaviária. A exceção é para venezuelanos.

Poder360

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