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Comportamento

Repetição de palavras e frases pode indicar alteração no desenvolvimento?

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A aquisição da fala é um processo complexo, que passa por vários marcos dentro do desenvolvimento infantil. Um dos recursos que as crianças menores podem usar é a ecolalia, repetição em eco da fala do outro.

Por exemplo: se você perguntar para um bebê, que está começando a aprender a falar, se ele quer banana, é possível que ele responda repetindo banana ou parte da palavra, como “nana”. Com o passar do tempo, espera-se que este bebê aprenda a resposta sim, não, quero, etc.

Segundo a fonoaudióloga Vanessa Medina, algumas crianças apresentam a ecolalia e a utilizam como um dispositivo de comunicação, usando a repetição como confirmação do desejo, mecanismo de regulamento do comportamento ou como meio de falar quando ainda são incapazes de usar as palavras livremente.

Entretanto, a ecolalia tardia é considerada um sinal precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A ecolalia patológica é contínua e persistente, enquanto que ecolalia normal tende a desaparecer com o desenvolvimento da linguagem”.

Por volta dos dois anos de idade, a criança começa a usar formas mais complexas e espontâneas de comunicação, usando menos o recurso da repetição. Nesta fase, espera-se que a criança esteja usando suas próprias observações ou expressões para se comunicar. Até os três anos, portanto, a ecolalia deve ser mínima ou inexistente”, comenta Vanessa.

Quando a ecolalia pode indicar algum atraso no desenvolvimento?

neuropediatra Drª Karina Weinmann, cofundadora da NeuroKinder, reforça que embora faça parte do desenvolvimento da linguagem, a ecolalia também é um sintoma do Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Por isso, é importante que os pais entendam os marcos do desenvolvimento. Com isso, eles podem compreender melhor quando é preciso procurar um profissional para avaliar aquilo que foge do esperado para cada fase do desenvolvimento da criança”.

Se aos três anos de idade, por exemplo, a criança só usa a ecolalia para se comunicar, é preciso fazer uma avaliação. Outro ponto importante é que não basta a ecolalia para o diagnóstico do autismo. Ela é apenas um dos sintomas e faz parte do quadro de outras patologias, que serão descartadas pelo médico”, explica Drª Karina.

Ecolalia e TEA

A memorização e a repetição de frases ou de palavras são as formas que muitos autistas têm para se expressar. “Alguns podem usar como forma de autorregulação, ou seja, quando algo não está bem eles usam a ecolalia com um conforto ou para aliviar o estresse. Outros usam para relembrar um momento e, por fim, a ecolalia para algumas crianças é usada por ser o único recurso de comunicação que conhecem ou desenvolveram”, comenta Vanessa.

A fonoaudióloga explica que a ecolalia pode ser imediata ou tardia. “A imediata é aquela repetida no momento da escuta. Você diz para a criança lavar as mãos para comer, por exemplo. Em seguida ela vai repetir “lave as mãos para comer” ou parte da frase dita pela outra pessoa. A ecolalia tardia é aquela em que a criança memoriza uma frase ou discurso de um desenho animado ou de um filme, por exemplo, e a usa regularmente dentro da sua comunicação”. Vale lembrar que a ecolalia tardia é considerada um sinal precoce do autismo.

Um novo olhar sob a ecolalia

Nos últimos anos, os terapeutas desenvolveram um novo olhar sob a ecolalia. Segundo algumas linhas terapêuticas, a ecolalia deve ser vista com um recurso importante de comunicação e uma maneira de interação com a criança.

Podemos dizer que a ecolalia é uma porta de entrada e que o fonoaudiólogo e os pais podem usá-la para ajudar a criança a desenvolver sua comunicação”, diz Vanessa.

Quem procurar?

A avaliação inicial é realizada pelo médico neuropediatra. Dependendo da sua hipótese diagnóstica, é solicitada uma avaliação do profissional terapeuta, que no caso da ecolalia, é feita por um fonoaudiólogo. Assim que o diagnóstico é fechado, é feito o planejamento terapêutico pela equipe interdisciplinar, como o médico, o fonoaudiólogo, o psicólogo, etc. Lembrando que o papel do fonoaudiólogo é essencial para o aprimoramento da linguagem e para o desenvolvimento das habilidades de comunicação.

*Leda Sangiorgio
Assessoria de Imprensa
(11) 98902-0053
leda@agenciahealth.com.br

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Comportamento

Sou mulher e sou mãe’: por que é tão difícil fazer sexo depois da chegada da maternidade

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Retomada da atividade sexual deve ser feita aos poucos, com tempo para o casal se redescobrir Foto: Ilustração Lari Arantes

Laura* olha no espelho e não se reconhece. “Esse é meu corpo? Meu peito era empinadinho, agora está caído e toda hora sai leite. Minha barriga está cheia de estrias e minha cicatriz deu queloide.” Há dez meses ela teve uma menininha linda, mas ainda não se sente confortável consigo mesma, nem preparada para o sexo.

– Demorou um bom tempo para eu querer ter relação sexual e quando eu tive foi horrível. Não tinha lubrificação nenhuma e era como se queimasse minha pele. – diz Laura. Ela trocaria tudo por um longo banho sozinha (como não tem ajuda, costuma tomar banho junto com a bebê). – Eu queria mesmo era ficar 10 horas no banho. Depilar minha perna, passar um creme, fazer a sobrancelha, relaxar e me sentir mulher.

O que acontece com Laura é o que acontece com grande parte das mulheres durante o puerpério. Esse período não tem nada a ver com o resguardo sexual, que é de 40 dias por questões médicas. Segundo a psicóloga e consultora em sexualidade Patrícia Ramos, o puerpério costuma durar cerca de dois anos depois do nascimento. Só nesse momento o bebê será mais independente, saberá se comunicar e a amamentação vai estar chegando ao fim. 

– Na verdade não se fala muito sobre puerpério, é um período meio camuflado, inclusive existe confusão com o resguardo. Mas ele está mais relacionado com questões emocionais – afirma Patrícia. – O puerpério é o luto de uma mulher que não existe mais. 

Laura concorda:

– É como se eu não fosse a mesma pessoa. Sinto luto por quem eu era. Não é só o corpo. Eu era decidida e independente, hoje sou cautelosa e para tudo eu penso primeiro na minha filha”. 

Pior que a menopausa 

Além de todos os aspectos emocionais, a parte biológica também não ajuda. Com o parto, há uma queda hormonal abrupta: a progesterona, hormônio da gravidez produzido pela placenta, cai 400 vezes, por isso dá aquele baby blues . Depois vem a amamentação, e a prolactina, que é o hormônio do leite, passa a inibir estrogênio e testosterona.  

Não há nada errado. É uma artimanha da natureza para que a nova mãe se dedique ao filhote e não engravide de novo tão cedo. Mas o resultado é cruel para a mulher moderna: falta de libido e pouca lubrificação na vagina. 

– Além de não dar vontade, ainda pode ficar doloroso. A maternidade é muito antierótica. Essa energia sexual é desviada para os cuidados com o bebê. Também é necessária uma reconexão com o próprio corpo, que não é o corpo da grávida, mas também não é o corpo que a mulher tinha. Ela ganhou peso, a barriga pode estar flácida, o peito pode jorrar leite. É complicado. Os primeiros meses são piores do que a menopausa. Mas é natural e importante – afirma Carol Ambrogini, ginecologista e sexóloga, coordenadora do projeto Afrodite, da Unifesp. 

Quanto mais sozinha a mulher está na empreitada, mais difícil será para ela se reconectar consigo mesma ou com o parceiro. O grau de envolvimento dele com os cuidados e uma boa rede de apoio fazem muita diferença. Se a mulher não tem o que comer, não tem como tomar banho direito, não dorme, fica difícil esperar que tenha disposição para transar. 

– O casal tem que ter diálogo, falar sobre a dinâmica familiar, a ajuda com o bebê, a falta de sono, as alterações de humor. É uma situação temporária e à medida que o bebê vai crescendo e a mulher vai retomando a vida dela, voltando a trabalhar, sair com as amigas, fazer ginástica, vai retomar a sexualidade. Mas muitos casais se desconectam nessa fase. 

A retomada da vida sexual 

A situação ideal pode demorar para acontecer. Mas isso não significa que o casal não possa ir se curtindo, afinal sexo vai muito além da penetração. Sexo oral e masturbação são atos sexuais que podem servir para manter o casal mais próximo.  

Ingrid* continuou transando no puerpério dos seus quatro filhos. Não teve problemas com libido e lubrificação. Para ela, o sexo era uma forma de ter de volta o controle sobre seu corpo, seu querer e ter um pouco de diversão. Mas era do jeito que dava. 

– Fazia meio vestida por causa da vergonha com o meu corpo. Várias vezes durante o sexo acontecia de esguichar leite, eu ria, é meio constrangedor, a hora que você lembra que seu corpo está muito na função de mãe, mas a gente seguia em frente. Eu sou mulher e sou mãe, não é possível que eu só vá dormir, acordar, dar de mamar e trocar fralda. No fim, mantinha a gente junto, aumentava a nossa cumplicidade. 

Cada caso é um caso, e o corpo e o psicológico de cada mulher reagem de formas diferentes quanto a ter um filho (e pode ser diferente do primeiro para o segundo). Mas, no geral, as especialistas recomendam uma retomada gradual.  

– A vontade de transar tem que ser buscada, com um filme mais quente, um conto erótico, uma ida ao motel. Não tem um creme mágico de testosterona que vá resolver isso – diz a ginecologista.

Para Patrícia Ramos, ainda há uma cobrança muito grande da sociedade e dos parceiros para voltar à ativa.

– Mas são tantas coisas que acontecem no período… O que ela precisa para retomar é se reconhecer como outra mulher, retomar o prazer por ela mesma. O grande lance é entender que as coisas mudaram. Quando a gente começa a transar, vai pisando em ovos, não é? O sexo no puerpério é isso, a retomada de uma vida sexual de uma nova mulher e de um novo homem.

* os nomes foram alterados a pedido das entrevistadas.

OGLOBO

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Comportamento

Artigo: Perturbação do sossego. E agora, o que fazer?

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*Ulisses Augusto Bittencourt Dalcól

Pense bem, você tem ou já teve problema com barulho em sua vizinhança? Seja maquinário de uma empresa, seja um animal de estimação que não para de latir ou um vizinho que adora uma festa, mas não se importa com outros.

Por incrível que pareça, no Brasil isso é um delito de menor potencial ofensivo, como se diz no meio jurídico, mas passível de punição. Vejamos o que diz o artigo 42 da Lei de Contravenções Penais:

Art. 42. Perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios:

        I – com gritaria ou algazarra;

        II – exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais;

        III – abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;

        IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda:

        Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses ou multa de duzentos mil réis a dois contos de réis.

E quem já viu alguém ser punido por isso? Realmente é difícil encontrar algum caso, uma vez que raras são as vezes em que o Estado está presente para impedir a continuidade delitiva do indivíduo.

A dificuldade em buscar a tutela do Estado, através da Polícia ou mesmo do Judiciário, é um dos maiores obstáculos à mudança de hábito de algumas pessoas. É a ligação que nunca é atendida, a viatura que nunca aparece, o processo que prescreve pela demora. Estes são alguns dos problemas enfrentados por aqueles que querem apenas o seu sossego de volta.

A Lei de Contravenções Penais é voltada a uma realidade que não é mais a nossa, ela é da década de 40, muito daquele instrumento já nem vale mais. E o Código Penal, nem mesmo trouxe algo que pudesse acalentar o mais desesperado por uma solução quando há a perturbação de seu sossego em seu lar.

Não há que se falar em pedir com educação, evitar chamar a Polícia ou qualquer outro meio que não seja a exposição da vítima, pois diversas são as vezes que esse enfrentamento gera conflito e problemas ainda maiores. Lembremos que a autotutela não deve ser exercida num Estado democrático de Direito. Ele está aqui para nos defender e nos cobrar, não havendo razão qualquer para alguém aconselhar em falar com o indivíduo que está em executando a ação delitiva.

A Polícia tem o seu papel, e é fundamental nesse, e nos demais crimes. Sim, é um crime de menor potencial, mas ainda assim é, e como tal deve ser combatido pelo Estado. A Polícia ao não atender está se omitindo de seu papel, gerando a responsabilidade objetiva do ente estatal e por fim causando dano que merece indenização.

Sim, a omissão do Estado gera ao cidadão que não é atendido, e que tem o dever de autotutela, direito à indenização. Todos buscam um advogado, e milhares são os artigos e notícias que tratam do assunto, sem nem mencionar o papel do Estado e as consequências de sua omissão.

Assim sendo, cabe à Polícia inicialmente acabar com o delito, realizando a abordagem, confeccionando termo circunstanciado e advertir o indivíduo que, uma vez determinada a proibição de causar perturbação à ordem pública, será preso pelo crime de desobediência. Se nada assim ocorrer, é possível buscar o Ministério Público, que possivelmente não terá tempo hábil nem pessoal para atender esse assunto, procedendo assim, será mais um caso de omissão do Estado.

Há a possibilidade de ajuizamento da ação penal subsidiariamente da pública, através de um defensor público ou advogado particular, mas isso dificilmente resultará, uma vez que, provavelmente, o prazo para a apresentação da ação estará prescrito.

O que deve ser feito é incumbir o Estado de suas atribuições, chamar a Polícia, visitar promotores, falar com vereadores, buscar o Estado de todas as formas possíveis, para daí sim, não havendo aquele tomado as providências necessárias para que o ato delitivo cesse, será responsável objetivamente pela sua omissão.

Somos todos cidadãos de obrigações e direitos, e para isso é que temos como órgão maior e interventor o Estado, e dele devem partir as soluções para as contravenções e crimes, não cabendo encargo às pessoas de bem, que buscam apenas trabalhar e curtir seu lar.

*Ulisses Augusto Bittencourt Dalcól é advogado OAB/RS 79.507, proprietário do escritório Dalcól Advogados, com atuação no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

*geraldojose

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Comportamento

O bom líder é aquele que faz a equipe funcionar sem ele

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Apesar de estar a pouco tempo no mercado de trabalho e a pouco tempo me dedicando aos estudos de administração (seis anos, tanto trabalhando quanto estudando), acho muito interessante falar sobre liderança e gestão de pessoas, pois acredito que com a mundialização esses dois fatores são alguns dos caminhos essenciais para se atingir o sucesso com mais rapidez.

Durante esses meus seis anos trabalhando, estudando e lendo sobre a arte de liderar, tive a oportunidade de lidar, conhecer alguns líderes e automaticamente aprender determinadas características que fazem o líder do século XXI exercer  uma liderança de sucesso. Uma dessas características é o fato de suas equipes funcionarem corretamente alinhadas mesmo quando eles não estão presentes. Alguns inclusive preparam seus liderados para substituí-los, caso necessitem se ausentar, ou mesmo deixar o cargo.

Procurei pensar, analisar e conversar com as pessoas envolvidas sobre o assunto, e obtive algumas gratas surpresas sobre as características de liderança, afinal o pensamento que eu tinha sobre a figura do “Chefe” era de imposição, vigilância, cobrança e caso o mesmo não estivesse presente, todos ficariam livres sem precisar se preocupar com nada, do tipo meta, resultados, tarefas e outras coisas que deixam alguns colaboradores de algumas empresas receosos em seus devidos cargos. Resumindo, eu pensava que as coisas funcionassem do tipo: “quando o gato sai, os ratos fazem a festa”.

Percebi vários motivos para que as coisas funcionem normalmente com a presença ou ausência do líder, e um deles muito importante é a relação de confiança existente entre o líder e o liderado. Ambos confiam muito um no outro e isso torna a equipe forte, tanto patrão quanto colaborador precisam acreditar que podem contar um com o outro nos momentos de dificuldades e isso acaba tornando a relação parceira e não de superioridade e inferioridade.

Outro fator que concluí é no modo de como as atividades são passadas ao colaborador. O líder de sucesso, explica o que é, como fazer e por que fazer determinada ação; ou seja, o funcionário entende o porquê é importante ele fazer tal função e por isso pode ser cobrado sobre ela, diferente do líder que passa os passos de como tem que ser feito, mas não explica a relevância do assunto. É tipo aquele aluno que só decora as fórmulas.

Outra característica interessante é o fato do líder estar sempre disposto a passar o que sabe aos seus colaboradores, muitas vezes isso é prejudicado, devido ao fato do líder ter um certo receio de perder o cargo para o assistente, prejudicando assim a equipe como um todo. Uma boa ideia para evitar um pouco essas guerras de vaidade são os planos de carreira. Conheço uma empresa que estabelece como meta para um auxiliar administrativo, por exemplo, ele ter que estar apto a substituir seu gerente em um prazo de dois anos e o gerente a substituir seu superior e assim por diante, ou seja, estimula os liderados a serem líderes e líderes a buscarem novos líderes. Claro que não é em 100% dos casos que isso dará certo, mas é uma boa estratégia para que todos compartilhem o que sabem e contribuindo para o crescimento da organização.

Termino este artigo com uma frase que li há um tempo atrás na minha turma de MBA em Gestão Empresarial: por mais importante que a organização seja, o funcionário não trabalha para ela e sim para o líder. Se sua empresa tem bons líderes que conseguem fazer com que as pessoas trabalhem e se empenhem por bons resultados, provavelmente as chances de sucesso aumentarão.

*administradores

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